16/09/2014 às 08h46min - Atualizada em 16/09/2014 às 08h46min

Eddie Coelho

Ator

Thiago Santos

 Thiago Santos: Com doze anos de idade você interpretou o papel de um conselheiro, numa peça teatral. Podemos acreditar que aquela apresentação se tornou um grande  “conselheiro” responsável por lhe apresentar o  belo caminho da arte?

 Eddie Coelho: Bom na verdade me serviu para entender que a menina mais bonita da escola não era para o meu bico(brincadeira, rs). Nessa época já sabia que queria ser artista, e por amar profundamente a arte da interpretação não desejava fazer outra coisa em minha vida que não fosse interpretar, o palco  me proporcionava  uma alegria sem igual e,  inspirado por este amor  costumava dizer para minha avó: Eu nunca vou trabalhar com outra coisa! E ela respondia: Não diga isso senão você atrai!

 Na verdade hoje sei que quando se trabalha com o que se gosta, não se trabalha de fato, nenhum dia. Amor vinculado ao trabalho, torna tudo divertidíssimo e prazeroso. E é assim que se supera os momentos complicados.

 Em relação a arte, eu sempre fui artista na verdade, já desenhava desde os meus cinco anos de idade e sempre achei que iria trabalhar para o Maurício de Souza, mas isso ficou no sonho. Contudo, trabalhei anos com desenho, dando aulas em diversos lugares. Então, acho que na arte sempre estive, mas, com atuação, levou um tempo para entender que o caminho era esse.

 

 Numa confessa redundância(deste entrevistador) quanto a pergunta acima. Aos 17 anos você interpretou o papel de um rei, numa determinada peça, e como “rei” você conseguiu enxergar a verdade lindíssima de que  um único homem, pode administrar o reino dos próprios sonhos?

 Já nessa época sabia que gostava de teatro, tinha muitos amigos que faziam e a gente se divertia muito, mas, ainda não imaginava que seria esse o meu destino, porque devo confessar que sempre me pairou uma dúvida terrível em relação a carreira, principalmente em relação ao preconceito. Como vivemos num país extremamente preconceituoso (ainda que não percebam), me pegava pensando a respeito disso, não queria ser “escravo”, gari, mecânico, mordomo a vida toda, então não sabia se suportaria  essa pressão. Felizmente, desencanei, entendi como funcionam as coisas e segui meu caminho, ainda que não tão facilmente, mas segui, e continuo  seguindo. Vamos ver onde vou parar. Uma frase que levo comigo é: "Se parar sei exatamente o que não serei, se continuar não sei onde vou parar".

 

 Como o magistral e fantástico mundo da arte lhe reconquistou?

 Nossa. Segui por  muitos caminhos, profissionalmente falando. Por exemplo, de açougueiro até pagem.

 Nesse processo de vida, uma benção fantástica me veio, o nascimento de  meu filho amado.

 Percebi naquele momento que a arte deveria ficar em segundo plano. Comecei a trabalhar, e cumprir com as minhas obrigações, e acredito que cumpri.

 Em um determinado momento da minha vida, trabalhei  como funcionário público. Como pagem, cuidava de 25 crianças, onde se encontrava um berçário com 5 bebês. Trocar fralda, banho e dar mamadeira na madrugada era a minha atribuição, mas sempre arranjava um jeito de me envolver com arte, e acabava dando aulas de desenho para as crianças. Fui transferido e acabei em um lugar onde só haviam  adolescentes e novamente meu papel era o de monitor. Depois de um longo período, uma amiga que cuidava do teatro, durante umas conversas me pediu ajuda, e nos demos muito bem, já se ouvia, pela primeira vez algo sobre mim, em relação ao teatro.

 Novamente trocado de setor, comecei a trabalhar na função de secretário. Após um tempo, como sempre, os dons artísticos falaram mais alto. Começando então  a ministrar numa pequena oficina de teatro direcionada a melhor idade  e  nessa maravilhosa  brincadeira, surgiu um grupo sólido, fiel e, com ele ganhamos a confiança e o respeito das pessoas que agora sabiam que fazíamos teatro de verdade. Fomos então para o teatro da cidade e nos instalamos lá. Criei algumas peças de sucesso e nesse meio tempo, fundei  minha companhia de teatro chamada  Di Tespis, composta por adolescentes da comunidade e alguns que faziam parte do projeto citado acima.

 Coisas maravilhosas surgiram dali;  mergulhei de cabeça, ia trabalhar aos sábados, domingos e feriados. Não tinha hora, o que eu queria era estar com aquelas crianças.

 Infelizmente  precisei mudar toda a dinâmica, ou seja, após ser informado que havia passado em um teste, feito anteriormente, me mudei para São Paulo, passando  então a morar na casa de um amigo. E a partir daí, o caminho que com muito amor escolhi,  tem me proporcionado a entrada em lugares incríveis. Agora estou aqui falando sobre minha vida profissional  para vocês.

 

 Quais palavras em canto de gratidão seriam  registradas no histórico da vida, sobre seus trabalhos realizados até o presente momento?

 Perseverança, não tenha medo, acredite, você já conseguiu. E obrigado! Apenas isso, obrigado a todos, e a tudo que me ajudaram chegar  até aqui.

 

 Desejar a arte é sinônimo de sabedoria?

 Não, acredito que sabedoria é fazer com o conhecimento adquirindo o melhor possível e a arte é um desses conhecimentos. Eu apenas tento fazer da minha arte o melhor que posso, desejando sempre  agregar valor emocional  para a  vida das pessoas, na medida do possível, é claro. E se cada uma delas saírem um pouco melhor do que quando  chegaram, acho que atingi meu objetivo.

 Desejar a arte é algo inconsciente. Sabemos que sem sua beleza  o mundo   seria muito mais triste e é isso que ela efetivamente  faz... transformar grandes blocos de concreto em obras arquitetônicas, paredes frias em afrescos maravilhosos, notas soltas de um violino em inesquecíveis composições da música clássica, a arte traz  beleza e todos nós desejamos isso.

 

 Vamos imaginar que um novo mundo fosse criado, sendo assim haveria necessidade de se escolher uma nova profissão. Qual seria a sua escolha?

 Eu seria artista, novamente, não me vejo fazendo outra coisa. Mas se ainda assim tiver de dar uma resposta, seria advogado, primeiro porque sou extremamente justo e não tolero injustiça, outra porque sei que teríamos as audições onde se faz uso do teatro para convencer os jurados.

 

 Para finalizar nos fale sobre seus projetos atuais e futuros!

 No momento estou com um projeto interessante de uma casa de cultura com um amigo, acredito que ano que vem estejamos falando sobre isso aqui novamente. Os testes para publicidade estão acontecendo e conseguimos um ou outro, mas, a meta é o cinema e a TV para o ano que vem. O que leva um pouco mais de tempo, porém, estou trabalhando nisso!

 

 

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