11/11/2016 às 22h46min - Atualizada em 11/11/2016 às 22h46min

Jota Velloso

Compositor, Produtor e Cantor

Thiago Santos
 Quem é o ser humano Jota Velloso?
 
O filho de D. Clara e Sr Layrton e tenho minha irmã Maria. Baiano. Que adora o Brasil e que não saberia morar longe de Salvador, apesar de ser santamarense. Gosto muito de ser família e de amar minhas amizades. A música veio como terapia existencial. Acredito na necessidade de todos fazerem algum tipo de arte, pois faz bem a cabeça e ao coração. Mas de fazer tudo com um sentimento romântico na vida. Esquecendo ou se distanciando, sempre que possível, do comércio e do lucro.


 Jota?
 É mais um sofredor cheio de esperança. Tenho tendência mais para a melancolia, apesar de gostar de brincar e de fazer farras. Mas meu pensamento é mais pra ser melancólico. Gosto de desmistificar o que é ser artista. Há uma diferença grande em ser artista e ser famoso. Vivemos uma ansiedade de nos tornarmos conhecidos, mais do que de se fazer arte. E arte podemos fazer em qualquer lugar. Mas é bom é ter condições de poder fazer ela chegar a alguém. Pois ela é sempre feita para alguém saber. Há artistas bons com corações ruins, mas isso não diminui a obra dele. Por isso, se você não souber tocar violão, mas no palco for atencioso, educado, amoroso, hábil com as palavras, politicamente correto, etc; sabe o que acontece? Nada, você continuará tocando mau violão. Mas mesmo assim você continua sendo artista, caso seu trabalho possua ambição de melhorar o mundo. Quem me contou essa história foi Mario Ulloa, grande instrumentista, e gostei, pois devemos esquecer da vida pessoal dos artistas. Mas, quando falo isso, sei também que artistas como Gil e Caetano têm na sua obra o seu comportamento com a importância tão grande quanto o trabalho musical que eles fazem.


 Olhando pela via deste momento, como enxerga seu primeiro encontro com a tão solene e, irresistível arte musical?
 
Sempre foi um contato muito simples. Pois nós brasileiros temos origens muito musicais. Os índios, negros e portugueses sempre tiveram a música como amparo. A música sempre esteve e está em nossas casas. Mas para passar a produzir música eu precisei saber que todo mundo tem direito de fazer isso e que isso nos faz bem. Pode o resultado da obra não ser tão bacana, mas o resultado no coração é sempre bom. E depois que entrei, não tenho vontade mais de sair. Quem nunca fez isso, experimente.


 O que lhe vem em mente ao se deparar com suas composições sendo interpretada por artistas tão solenes?
 Eu fico impressionado. Parecem que não são minhas. Mas não fico presunçoso por causa disso. Acredito que o quê me tocou quando estava fazendo, que por algum motivo, que pode ser completamente diferente, também tocou esses intérpretes. Eu fico muito feliz ao ouvir. A música volta diferente.


 Como produtor sua graça alcançou sucessos diversos!
 
É isso. Eu tenho mais reconhecimentos oficiais como produtor do que até como compositor. Eu gosto de ver uma coisa adormecida, que podem não ser vista, e despertá-la. Gosto de dirigir sem transformá-la em algo que seja mais meu do que do artista. Eu vejo que mais admiro no outro e tento mostrar minha admiração. E tudo isso é muito simples e prazeroso de se fazer.


 Uma junção musical que imagino ter aperfeiçoado o todo de um trabalho?
 
Sobre o meu primeiro Cd, ele é muito particular. Pois tive a intenção, e consegui realizar, de homenagear e agradecer a pessoas, deuses e coisas especiais da minha vida. Por isso a presença de tantas coisas fortes e importantes para mim dentro de um CD. O nome vem desse sentimento. Aboio é o canto de reunir a boiada e o Rinoceronte é o que há de mais forte na natureza animal, pelo menos aparentemente...rs…


 Em 2006 uma proposta musical tendo como pano de fundo um desafio extremamente ousado no sentido criativo?
 
O selo Cavaleiros de Jorge surge por inocência e romantismo. Pois imaginava que poderia ter um selo baiano que servisse de portal para projetos que não tivessem como meta principal o comércio. Mas fizemos este selo (eu, Maurício Pessoa e João Mello) numa época que a pirataria estva acabando com as gravadoras. Mas foi bom. Gostei dos CDs que lançamos e gostei de ter tido a oportunidade de conviver mais perto de Ramiro Mussotto por causa disso. E trabalhar com música que a gente gosta é sempre recompensador.


 Já em 2007, turnê nacional e internacional junto há uma indicação?
 
A vida é um bordado. A gente começa sem saber como e nem onde ela vai parar. Conduzo ela com as rédeas folgadas. Pois assim surgem surpresas boas que a gente não espera. E tudo foi acontecendo naturalmente. O CD foi fruto de músicas novas, novas formas de compor, novos parceiros, etc; e as turnês vieram a partir do trabalho que fui fazendo com música. É um CD bem diferente do primeiro, ele veio tomando o nome do selo que não pôde sobreviver. Ganhou o nome: “J. Velloso e Os Cavaleiros de Jorge”; pois contou com a participação de muitos cavaleiros amigos. E essas viagens eu fiz com eles. É bom cantar fora do Brasil. A responsabilidade dobra. Pois a gente está lá representando nossa gente. Por isso, mais do que nunca, lá a gente tem de ser mais que “artista”.


 E mais uma conquista lhe veio?
 
Esse CD me deu vários presentes. O primeiro foi o de Bethânia gosta e convidar para lançar pelo selo dela Quitanda/Biscoito Fino. Bethânia gostar de alguma coisa ligado a arte tem um significado profundo, pois ela vive arte o dia inteiro. Ela é a mais especial de todas as pessoas que eu conheço. E a presença dos meus parceiros novos refrescou meu trabalho e a minha forma de compor.


 Santo Antônio e Outros Cantos?
 
Fui convidado por Fernado Oberland para fazer esse livro já com o nome Sto. Antônio, por causa da minha música mais conhecida. Mas sugeri a ele que não fosse um livro 100% religioso, pois eu não sou assim. Sugeri ter o sincretismo e até uma canção que questiona a fé, “Calmaria”, que foi depois gravada por Bethânia, pessoa que tem a fé mais pura que eu conheço. É um livro de compositor, que mostra como as músicas nasceram e como é simples fazer música.


 Diante tantas experiências fixadas no ato da conquista qual sua visão diante o futuro musical para com você mesmo?
 
O futuro eu vejo com cautela. Sem criar expectativa. Sigo meu caminho fazendo o que eu gosto, o que me dá um gosto bom do que pra mim é sucesso.


 Para finalizar, se importa em expressar palavras que se tornem sinônimo de inspiração para o amigo leitor que também deseja viver em prol da arte? E também uma frase que seja capaz de descrever o que você sente por fazer algo que muito ama?
 
É muito do que já falei aqui. Temos de ter certeza que faz parte da nossa educação e formação estarmos ligados diretamente às artes, nõa só como consumidor, mas como de quem cria. Vamos criar músicas, poesia, desenhos, fazer teatro, fotografar, etc; mas não pra ficar famoso, mas pra ter felicidade.


 Considerações finais:
 Obrigado pelo convite pra ser entrevistado. Sempre é bom falar da vida através da música ou de qualquer outra forma de expressão artística. Agora mesmo estou em fase final do meu novo CD, o nome deve ser DESCONHECIDO, são músicas autorais. Gosto muito do resultado que estamos chegando. Tenho convidados novos e parceiros novos. É isso, a gente vai envelhecendo, mas a vida vai se renovando.

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