14/06/2015 às 11h18min - Atualizada em 14/06/2015 às 11h18min

Fê Friederick Jhones

Psicologa e Escritora

Thiago Santos

 Quem é o ser humano Fê Friederick Jhones?

 Essa é uma pergunta difícil! Acho que sou tantas que me perco na hora de definir e isso é totalmente clichê, mas é verdade. Eu mudei, mudei bastante, mas algumas coisas sempre serão minhas, como a capacidade de acreditar em histórias de amor e a intensidade em sentir coisas boas ou ruins, no mais, acredito que eu mude o tempo todo.

 

 Definitivamente a solene arte da leitura lhe conquistou em seus primeiros anos de vida?

 Lembro de um livro que falava sobre os sentimentos, eu era medrosa e minha mãe comprou o livro para me ajudar a lidar com o medo. Até hoje queria achar esse livro! Então sim, ler sempre fez parte da minha vida, na minha casa sempre tinha livros ao meu alcance, tanto meu pai, quanto minha mãe e minha avó paterna sempre leram muito, fizeram com que eu amasse a leitura e quando pequena, com uns 7 ou 8 anos, ganhei uma Bíblia Ilustrada para crianças e li toda bem rápido, acho que foi meu primeiro livro completo... Não parei mais. Rsrs.

 

 O que significa leitura diante o centro de suas emoções?

 Um vício? Uma mania? Um hábito enraizado? Tudo isso define leitura para mim. Acho que o principal é poder sair da realidade um pouco e me importar com o problema de outras pessoas. Eu leio para me acalmar, leio para me distrair, leio para rir, leio para chorar, leio para me apaixonar e até para dar uma de detetive. Eu leio todos os dias e quando não posso, sinto que falta algo. Ler é tudo isso e muito mais na minha vida.

 

 E logo um presente lhe foi dado transformando  assim, seu pensar em um novo pensar?

 Exatamente. Livros tem o poder de transformar a gente em alguém diferente, melhor. Podemos aprender com personagens, podemos nos identificar e crescer. Diante daquele primeiro livro sobre sentimentos eu cresci. Depois cada um com sua mensagem, me fez crescer um pouquinho mais e pretendo continuar crescendo em cada livro que cruzar o meu caminho ou chegar à minha estante.

 

 Qual foi o momento em que se descobriu, amante da arte da escrita?

 Impossível separar uma coisa da outra. Sabe quando você apenas faz algo como respirar? Comer? Eu nunca pensei que tinha de escrever. Eu nunca achei que era uma coisa que eu ia desenvolver, um talento que eu ia treinar. Eu apenas escrevia. Eu precisava colocar meus sentimentos em papéis. E então minha família também foi responsável, porque sempre ganhei diários e lotava todos eles com meus pensamentos, sentimentos e ideias variadas. Ainda tenho os primeiros e quando leio, vejo como é bom poder se ver de outro ângulo. Depois vieram as poesias. Ah!!! Uma porção delas. Quando eu brigava com minha mãe, eu escrevia uma poesia. Quando eu gostava de um garoto da escola, eu também escrevia uma poesia. Qualquer coisa, sentimento ou até uma flor, viravam poesias. E assim tenho quase 300 escritas. Depois vieram os romances, pequenas histórias em cadernos. Até chegar ao primeiro livro publicado e mais três já escritos.

 

 Iniciou seu primeiro romance, num caderno fino?

 Sim!!!! Esses dias descobri a primeira história que comecei a escrever num caderno com a Minnie na capa. Risos. É bom ver que você nasceu com o dom e ele cresceu com você. Eu ainda não reli a história, mas pretendo sentar e ver se consigo transformar em algo bacana. Acho que a Fê adolescente pode ter algo a ensinar para Fê adulta.

 

 Ao se deparar com seu livro já publicado, e pronto para o leitor quais sentimentos lhe vieram?

 Eu não acreditei! Risos... Escrever sempre foi parte de mim e quando vi que tinha se tornado algo real, me senti absurdamente realizada. É algo que não dá para explicar com palavras e olha que geralmente eu consigo fazer isso! Risos... Realizar um sonho como esse é mágico. Escrever é meu presente para o mundo, eu dou pedaços meus e fico feliz quando essas palavras fazem eco no coração de outras pessoas. É indescritível!

 

 

 

 

 

 

 O personagem central representa quais pontos da humanidade?

 A Valerie é uma mulher que tem um coração forte. Mesmo depois de se decepcionar com vários caras, ela não desiste do amor. Isso que é o mais bacana nela, ela não desiste de acreditar em dias melhores. Acho que falta um pouco disso hoje em dia, as pessoas desistem, as pessoas têm medo de amar, de se entregar e com medo de sofrer, acabam sofrendo mais. Acho que isso é o mais forte nela, ela nos ensina a acreditar.

 

 A menina que gostava de histórias, cresceu e resolveu conhecer mais do ser humano?

 E olha que esse conhecimento pode ser assustador! Risos. Meu pai é psicólogo e eu nunca quis ser uma! Imagine, eu queria cuidar de bichos, ser veterinária. Nem me pergunte como mudei de ideia, porque foi no último ano da escola que Psicologia caiu no meu colo. Acho que a paixão por histórias sempre esteve lá, esperando para florescer. E Psicólogos são parecidos com Escritores, os dois buscam histórias e se envolvem com os problemas dos outros. Sendo que o primeiro tenta ajudar a enfrentar o problema. O segundo cria o problema. Risos.

 

 E o primeiro “ manuscrito nasceu”?

 O primeiro livro nasceu da Fernanda psicóloga. Eu sempre trabalhei com paciente com câncer e sabia que precisava escrever sobre as trajetórias que eu acompanhava. Colorir é o nome dele. Não se trata de uma paciente específica, mas fala um pouco de todos que cruzaram meu caminho. Eu aprendo muito com cada um deles, sua luta determinada e uma força capaz de superar o insuperável. Demorei para concluir, porque foi meu primeiro romance e eu estava num ano agitado, mas quando terminei, a sensação de dever cumprido e homenagem feita, me aliviou. Ele está guardado, esperando que um dia todos possam conhecer Celina e descobrir forças que não imaginavam que tinham.

 

 Baseado no exercício em sua experiência pessoal saberia dizer o porque um ser humano no ato de sua humanidade é tão fascinante e empolgante?

 Porque somos fortes e adaptáveis. Acho que isso é o mais fascinante! Uma pessoa pode achar que nunca suportaria passar por uma doença como o câncer, por exemplo, mas consegue, vence e ao final diz que descobriu uma força que não sabia que tinha. Isso é genial! Somos capazes de tantos atos corajosos e de tanta bondade, que ainda me pergunto como não conseguimos enxergar isso no outro. Por que insistimos em nos destruir ao invés de nos ajudar?

 

 Nos fale sobre o motivo inspirador quanto à criação de seu Blog, e seus momentos de sucesso!

 O Blog Namoro à Distância surgiu de uma experiência completamente pessoal. Eu comecei a namorar à distância, em Salvador e meu atual marido em Recife. Como sempre gostei de escrever, comecei uma conta no twitter @NamoroDistancia, dessa conta fiz amizades, vários seguidores que partilhavam de sentimentos iguais e os seguidores pediram pelo blog. Iniciei recebendo e postando histórias de casais do mundo inteiro, logo cresceu e até hoje vários jornalistas pedem apoio para encontrar casais, fazer reportagens e esse tipo de coisa. Com a vida de escritora e ainda trabalhando como psicóloga, ficou bem difícil dar conta do blog, mas não consigo abandoná-lo ou apagá-lo. Quando posso, vou lá, posto novas histórias (que nunca param de chegar) e mato a saudade. Posso ajudar pessoas que sempre me procuram para aconselhar e me sinto grata por isso. Fiz amizades com o blog, pessoas que até foram em meu casamento. Essa é a maravilha do mundo virtual, aproxima pessoas que nunca se conheceriam de outro modo.

 

 O ano de 2014 lhe proporcionou ótimos momentos?

 Minha carreira como escritora se iniciou pra valer em 2014. 2012 escrevi Colorir, 2013 escrevi Domelie, mas foi em 2014 que minha voz foi ouvida por mais pessoas. Primeiro participando de uma antologia de contos, chamada Desejos, através de um concurso promovido pela Editora Buriti com o Clube do Livro de Pernambuco, depois com inúmeros outros contos e poesias em várias editoras, inclusive uma de Portugal. E também foi no final de 2014 que comecei a escrever Ímã de Traste no Wattpad, que me possibilitou conhecer mais do mundo da literatura nacional e finalmente ter a minha chance com a Editora Tribo das Letras pelo Selo Métrica.

 

 Para finalizar nos fale dos seus projetos atuais e futuro!

 O projeto atual é a divulgação de Ímã e a finalização de um livro que ainda é segredo, mas que será um presente para meus leitores. Estarei na Bienal do Rio de Janeiro como autora, apresentando Ímã de Traste ao público e também na Bienal de Pernambuco. Além disso eu continuo num Wattpad, escrevendo um livro chamado Venenosa. E 2015 que se prepare, porque virão muitas novidades por aí!! Inclusive, tirando projetos das gavetas.

 Quero agradecer pela oportunidade de contar um pouco da minha história e quem quiser manter contato, basta me adicionar nas redes sociais!

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