24/03/2015 às 08h50min - Atualizada em 24/03/2015 às 08h50min

Militarismo, mais um sucesso da Globo

Caio Manhanelli

"É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais

Oh! Cride, fala pra mãe..."

Televisão - Titãns

Nenhum país democrático, desses admirados pela nossa elite - EUA, Canadá, Suécia, Inglaterra, Finlândia, Miami, afinal a compreensão geográfica dessas pessoas me parece tão acurada quando a de um cidadão médio do Kansas, haja visto a tacanhisse de seus discursos - precisou de uma ditadura militar para se tornarem democracias modernas estabelecidas, repletas de exemplos que enchem a boca desses que defendem a volta da Ditadura.

Não é de se surpreender que hoje há uma criminalização midiática das eleições, afinal, todas as redes televisivas atuais ganharam suas concessões justamente durante a Ditadura Militar. Chega a ser abusivo e amoral os ataques à democracia, sistematicamente, como pequenas doses venenosas de mercúrio, impetrados dia após dia nas telinhas de todos os brasileiros, nos deixando cada dia mais alienados até nos levar à morte mental, como fez com Newton. São programas humorísticos, novelas, telejornais, programas de auditório, de entrevista, enfim, as vezes parece que até a "Marcia" e a Silvia Popovich no meio de suas fofocas e "casos de família" incitam o ódio à participação política, aos políticos e consequentemente às eleições.

Vamos fazer um apanhado rápido do que o governo militar NÃO fez: eles NÃO resolveram a miséria (o país era cheio de miseráveis, a ponto de em 85, com a volta do governo civil, eles entregarem os cofres públicos arrombados e com o país já em crise), eles NÃO fizeram a reforma agrária (aliás, foi por causa da insistência de vários ministros da fazenda, inclusive Tancredo, e por fim, do presidente Jango em promover a reforma agrária, que eles deram o golpe), eles NÃO resolveram o problema da saúde (inclusive, foi em um hospital público de Brasília que Tancredo morreu), eles NÃO resolveram o problema do desenvolvimento (o país seguiu no modelo agroexportador, e até o carro a álcool foi desenvolvido por uma empresa estrangeira, assim a FIAT entrou no Brasil), eles NÃO resolveram o problema da educação (várias universidades públicas foram fechadas em determinados períodos, tendo vários professores exilados, e os analfabetos seguiram aos montes pelos rincões do país, e pelo jeito nas grandes cidades também...).

Sabe, essa elite que quer sair do Brasil e ir para Miami, que pedem pela volta da Ditadura, deveriam trocar o destino para algum desses países com governos militares, como Cuba, China, Venezuela, Nicarágua ou Coreia do Norte, quem sabe lá eles aprendem o que é um Regime Militar de fato... Realmente, o Brasil precisa de educação, pois pelo jeito não são só os pobres “sustentados por bolsa família” que são analfabetos... Afinal, parece que não adiantam escolas ou universidades caras ou públicas, pois somos realmente educados pela televisão, como já cantavam os os Titãs, "tudo que a antena captura meu coração captura".

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