10/12/2014 às 01h10min - Atualizada em 10/12/2014 às 01h10min

Inhotim: um dos melhores e menos divulgados destinos brasileiros

por Maíra Nardo / Diários de Férias

Inhotim é uma mistura de parque com museu de arte contemporânea. O instituto, não tão divulgado entre os brasileiros, fica a 60 quilômetros de Belo Horizonte, na cidade de Brumadinho.

Localizado em propriedade privada, possui um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo. Mas não precisa gostar nem ser entendedor do assunto para aproveitar o passeio. A maioria das obras de arte moderna que estão em exposição é em forma de instalações, ou seja, os visitantes interagem com o lugar, tornando tudo mais interessante. Além do aspecto visual, elas envolvem algum outro sentido, fazendo com que a experiência não fique chata em nenhum momento. Não bastasse, o parque é lindíssimo, com uma variedade botânica grande. Só os lagos e jardins perfeitamente cuidados já valeriam o passeio!

 

O instituto oferece tours guiados temáticos – panorâmico, ambiental ou de arte – que saem diariamente em horários pré-determinados. Mas é muito fácil explorar o lugar por conta própria. O mapa é muito bem explicado e há monitores espalhados ao longo do parque e em todas as obras, prontos para tirar as dúvidas dos visitantes.

 

Como já dito, o acervo de Inhotim é muito grande, mas vale a pena destacar as obras mais relevantes do parque.

 

- Jardim de Narciso, Yayoi Kusama. É uma das mais interessantes do parque e consiste em várias bolas de metal espelhadas sobre um lago, para que os visitantes possam admirar sua imagem, como Narciso o fez.


Narcisus Garden – foto do site oficial

 

- Penetrável Magic Square, Helio Oiticica. O quadrado todo colorido de arquitetura moderna fica bem bonito em contraste com a paisagem natural ao redor.


Panorama do parque, com a obra ao fundo.

 

- Galeria Cildo Meireles. Sem dúvida, uma das galerias mais interessantes do parque. São três instalações do artista. A primeira a chamar mais atenção é “Através”. O espaço – com chão cheio de cacos de vidro e barreiras físicas (como cercas, arame farpado, cortina de chuveiro etc.) – representa as barreiras da vida. Os visitantes são convidados a entrar e ultrapassar essas barreiras. Bem simbólico. A outra instalação conceituada é “Desvio Para o Vermelho”, um quarto onde só as paredes são brancas, todo o resto é vermelho vivo.

 

- Galeria Praça. Dentre outras obras, está a “Forty Part Motet, de Janet Cardiff. Sem dúvida, uma das melhores do instituto. Consiste na reprodução de uma composição para oito coros de cinco vozes. A artista gravou com microfones individuais cada integrante de um coral e cada voz é reproduzida em uma caixa de som, postas em círculo. Assim, passando por cada caixa, ouve-se uma voz isolada em destaque. Ficando no centro, escuta-se a composição em conjunto. Maravilhoso!

 

- Galeria Doug Aitken. O “Sonic Pavillion”, como é denominada a obra, trata-se de um cano cravado a centenas de metros dentro da terra, com microfones geológicos captando os sons emitidos pela terra. Esses barulhos são reproduzidos por caixas de som espalhadas pela galeria. Além da experiência sonora, a galeria oferece uma visão 360 graus do lugar, que é lindo.


Sonic Pavillion

 

- Galeria Cosmococa. A galeria mais divertida do parque é um galpão com várias instalações que mexem com os sentidos e são destinadas à interação com o público. Há colchões para guerra de travesseiros, piscina que toca sons e gera iluminação conforme os visitantes nadam etc.

 

- Galpão Cardiff & Miller. A instalação no galpão conta com várias caixas de som dispostas ao redor de uma plateia de cadeiras. Os visitantes sentam-se e inicia-se a narração de um sonho. Junto com a voz da artista, são emitidos sons do cenário, como ondas do mar, passos etc. Mantendo-se de olhos fechados, é possível sentir-se dentro do sonho narrado. Uma experiência incrível.

 

- Galeria Adriana Varejão. Galeria com arquitetura exterior moderna, de linhas retas e angulosas. Do lado de dentro, estão várias obras, sendo a que mais chama atenção a denominada “Linda do Rosário”. Trata-se da escultura de uma parede, “recheada” com vísceras humanas (de mentira, claro). A obra foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, no centro do Rio de Janeiro, cujas paredes azulejadas caíram sobre um casal em um dos cômodos do prédio.


Galeria Adriana Varejão

 

Importante ressaltar, entretanto, que apesar dessa lista, cada visitante elege diferentes obras favoritas e realmente é muito difícil fazer uma seleção das melhores, uma vez que todas são muito boas.

 

A infraestrutura e funcionamento perfeitos do lugar são outros pontos a chamarem a atenção: não é incomum os visitantes saírem com a impressão de estarem fora do Brasil.

 

Como se já não fosse suficiente, no deslocamento entre uma obra e outra, há um parque inteiro à disposição, com um paisagismo maravilhoso.


Um dos muitos cantos maravilhosos de Inhotim

 

Pode ser que você nunca tenha ouvido falar de Inhotim ou nunca tenha sentido vontade de conhecer o lugar. Mas é pouco provável voltar de uma visita ao instituto sem estar fascinado. Pode ir sem medo: é difícil de se decepcionar.  

 

O roteiro completo e outras indicações podem ser encontrados no site www.diariosdeferias.wordpress.com. Instagram: @diariosdeferias.

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