23/01/2012 às 00h28min - Atualizada em 06/05/2012 às 00h28min

Eleições 2014: Presidente blogueiro retrata política brasileira em "O Brado Retumbante"

Muitos especialistas analisaram as novelas da TV Globo, especialmente “O Salvador da Pátria” e “Que Rei Sou Eu?”, que ajudaram a construir a vitória de Fernando Collor de Mello, em 1989.

Fabio Maksymczuk

Olá, internautas

Na última semana, a TV Globo estreou “O Brado Retumbante”, minissérie escrita por Euclydes Marinho com a colaboração de Nelson Motta, Guilherme Fiuza e Denise Bandeira. A emissora preferiu ceder oito capítulos para a história do chamado “presidente fictício” e quatro apenas para “Dercy De Verdade” que tem um apelo muito mais popular. Mas por que a Globo resolveu exibir uma trama que retrata a política brasileira?

Nos meus tempos de USP, li diversos livros e teses que mostravam a influência da telenovela nas eleições. Muitos especialistas analisaram as novelas da TV Globo, especialmente “O Salvador da Pátria” e “Que Rei Sou Eu?”, que ajudaram a construir a vitória de Fernando Collor de Mello, em 1989. Pois bem.

Partindo desse principio, a corrida presidencial de 2014 já começou. Paulo Ventura (Domingos Montagner) nasceu no Triângulo Mineiro. Mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi presidente da Câmara dos Deputados. Mulherengo.

Agora vamos para a vida real. Aécio Neves: mineiro, sempre está no Rio de Janeiro, foi presidente da Câmara dos Deputados e sempre insiste que sua vida pessoal é independente da imagem política. Domingos Montagner, que interpreta muito bem o presidente blogueiro (o blog do Paulo Ventura conseguiu mais de 1 milhão de acessos. Orgulho para a blogosfera!), tem uma idade próxima a Aécio. Coincidências interessantes.

No capítulo de sexta (20/01), a chamada ficção ganhou forte inspiração da realidade. Indignada com a qualidade de uma série de livros didáticos adotados pelo Ministério da Educação, a primeira-dama Antonia (Maria Fernanda Cândido) lutou contra a "Pedagogia da Ignorância".

Além disso, a personagem Neide (Sandra Coverloni), uma amiga de faculdade de Antonia e “defensora” do livros de qualidade duvidosa, bradou o discurso da chamada esquerda em entrevistas para a imprensa. “A burguesia não aceita a história de sangue, suor e luta escrita pelo povo. Pelos trabalhadores”, disse. Um repórter retrucou: “A senhora não sente oprimida em um apartamento avaliado em 5 milhões de reais de frente para o mar?”. Outros diálogos também ganharam destaque: “Isso é um complô da mídia golpista com as elites para desestabilizar o Ministério Popular”.  Interessante. Muito interessante. A bom entendedor meia palavra basta....

Fabio Maksymczuk

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