03/09/2014 às 17h29min - Atualizada em 03/09/2014 às 17h29min

Esplendor

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Isabela Gomes

Muitos pensam que só quando os galos começam a cantar é que ele se desponta no céu. Mal sabem esses pobre humanos, que os galos já cantaram, já comeram e já brigaram bem antes do show começar. Humanos... são uns bobos mesmo. Pensam que entendem tudo, que podem explicar tudo, que são donos de tudo. Até o pobre galo fica lá preso, à mercê do humano. Mas, voltemos ao assunto inicial.
Logo no começo da manhã, lá vem ele, todo cheio de si. Começa devagar, faz charminho, deixa alguns navios fofos de algodão passarem na frente. Depois segue marchando!Analisa qual será o show de hoje. Amarelo? Rosa? Vermelho? O bom e velho degradê de azul? Decide-se, já é hora. Joga uns raios aqui, outros ali...quando se vê, aquele leve degradê laranja que começava no horizonte, já virou uma grande mancha rosada que encobre o céu.Bem vermelho no horizonte, levemente magenta no meio e rosa bem clarinho já se misturando com o azul celeste no fim dos raios. Assim que termina de se espreguiçar – que nada mais é do que o espetáculo em si – o sol da as caras lá no alto, no céu já azulado, e ilumina as ruas, as cidades, a parte do mundo que desperta.Ele anuncia um novo começo. É seu trabalho cuidar daquele pobre planeta que sem ele, viraria uma bolinha de gelo. Passa o dia todo a esquentar, a clarear, a ajudar a todos - sim, ajudar. Imagine uma vida em uma eterna escuridão! -.
Muitas vezes exagera, é fato, mas depois ele pede desculpas com um novo esplendor de cores ao se deitar.Pois até mesmo ele, com todo seu tamanho e formosura, se põem no fim do dia para que a lua humildemente estenda seu tapete aveludado cor de noite, e solte suas fadinhas para que comecem a brilhar.
E o humano lá... querendo ser o rei do mundo! 

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