19/08/2014 às 20h53min - Atualizada em 19/08/2014 às 20h53min

A noite dos apaixonados

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Isabela Gomes

Entreabriu os olhos devagar, ainda tomada pelo sono. A meia luz do sol que entrava levemente por pequenas parte entreabertas da cortina, refletia seus cabelos loiros. O cheiro das flores lá fora anunciavam a chegada da primavera. O corpo desnudo, coberto apenas por alguns pedaços de lençol, se espalhava pela cama, de uma forma preguiçosa e lentamente ela recobrava os sentidos, acordando devagar.
Levantou-se devagar. Sabia que ele já tinha saído, se não, perderia a hora. Espreguiçou-se, trocou-se e foi andar pelo jardim. O canto dos pássaros davam a certeza de um bom dia, a segurança da mãe natureza.
Quando voltou para a casa, abriu o chuveiro e deixou as águas a limparem como em uma cachoeira. A água caía e respingava pequenas gotas ao entrarem em contato com a pele. Lá fora, o céu brilhava. Ao sair, ela tinha perfume de flores. Vestiu-se no vestido que a esperou por semanas. O nervosismo aparecia na forma de suor em suas mãos.
Prendeu os cabelos em uma longa trança e colocou a coroa de flores que havia feito com as flores que colheu. Saiu de casa, o sol começava a descansar. O jardim já decorado com cadeiras e um altar. As pessoas se levantaram ao vê-la se aproximar. Ele, que havia saído cedo pela manhã, a esperava de braços abertos, tentando não demonstrar toda a emoção que sentia, de lá de cima, no altar. Ela andou pelo longo caminho que os separava. Algo como dez ou doze passos. Ele pegou em sua mão, beijou-a delicadamente e depois disso, jurou nunca mais soltar.
Ela jurou amar, ele jurou respeitar. Ambos juraram cuidar. Em tempos alegres e em dias difíceis. Nas noites sem lua e nas noites de luar. Lá, na frente de todos que os amavam, juraram nunca se separar. Ele colocou em sua mão um anel que formava delicada flor. Ela o beijou. No fundo, o sol se derretia em lágrimas, esparramava sua vermelhidão pelos céus, dava espaço para a lua que, sorridente, vinha iluminar a noite dos apaixonados.

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