20/02/2020 às 16h21min - Atualizada em 20/02/2020 às 16h21min

Miliciocracia ou ai de ti, Faria Lima

Léo Coutinho
Em São Paulo, no estacionamento de um shopping na rodovia Castello Branco, um policial civil, acompanhado da mulher, rendeu a prefeita de Vera Cruz, Renata Devito (PSDB), que voltava de uma audiência na capital. Arrancou a placa oficial e a chave do carro, emendando que a prefeita não poderia estar naquele local.

No vídeo que rola pelas redes sociais, a prefeita pede a um assessor que avise o governador e o policial devolve “Que se foda o governador”, e a impede de sair do veículo. Ostentando uma arma, ameaça: “Aqui é polícia. Se sair eu atiro!” Foram todos para a delegacia, onde a Corregedoria da Polícia Civil autuou por dano ao patrimônio público e lesão corporal o policial, que pagou fiança e partiu.

No plenário da Assembleia Legislativa da Bahia, durante o debate sobre a reforma da Previdência para servidores estaduais, um policial sacou a arma e ameaçou o deputado Alan Sanches (DEM), favorável a proposta que acabou aprovada em dois turnos.

Policiais militares do Ceará, amotinados, roubaram viaturas e tocaram o terror na cidade de Sobral, reduto eleitoral da família Gomes. Em motim, tomaram um quartel e impediram que os colegas saíssem às ruas para as rondas regulares.

Destemperado, o ex-governador e senador Cid Gomes avançou com uma retroescavadeira contra o portão que os amotinados encapuzados impediam. Acabou baleado no peito.

Casos assim sempre foram comuns nas periferias. Parte da sociedade fez vista grossa. Parte aplaudiu. Até que em 2018 foram eleitos nos principais estados e para a Presidência da República candidatos que em palanque incentivavam e encorajavam os excessos. Ano e pouco depois, chegamos a tal estado de coisas.

Não dá para dizer que vai acabar mal. Já deu ruim. O tal guarda da esquina descontrolado, termo atribuído ao então vice-presidente Pedro Aleixo, receoso com o efeito do decreto do AI-5 sobre as pequenas autoridades, que sempre tendem a exagerar mais do que as altas, como num telefone-sem-fio maldito, aparentemente já não pode ser controlado.

O Brasil está sob uma miliciocracia. E se alguém disser que esta foi eleita nas urnas, não será exagero. Salve-se quem puder.

PS: convém ao baronato de todo Brasil, que contrata bico de polícia para a segurança particular de suas famílias e patrimônio, se perguntar de que lado da guilhotina estão suas tropas. Ai de ti, Faria Lima.

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