28/01/2020 às 18h23min - Atualizada em 28/01/2020 às 18h23min

Existe carinho em SP

Léo Coutinho
Namorei bastante nossa cidade no seu último aniversário. Apesar dos pesares e das damares, não posso reclamar da vida, espacialmente depois de um sábado como o último 25 de janeiro.

Levantei cedo, li, escrevi, tomei café. Perto do meio-dia tomei um ônibus para não suar na subida da Brigadeiro e já na Paulista andei até o Instituto Moreira Salles, onde a família do fotógrafo Peter Scheier abria a exposição do seu arquivo.

Scheier era judeu-alemão, casou-se um uma alemã-católica e juntos escolheram viver em São Paulo. Era fotojornalista, mas por tão talentoso não escapou de ter a obra reconhecida pelo valor artístico. Viajou o mundo registrando e eternizando a beleza instantânea.

De lá caminhei até o MASP para fazer o caminho do córrego Saracura até o Bixiga, o Vai-Vai, onde Dona Onça preparava a feijoada da Educação. Literalmente o couro comeu e comemos os couros. Feijoada raiz, com todos os fetiches, pé, orelha, rabo, as partes que fazem grudar os beiços. E tome cachaça da Laje.

Tem jeito melhor de passar o aniversário do nosso chão? Abraçar os amigos, Casarini, Reis, Jana, Walerio, Marcinha, Amanda, Rangel, Olga, Will, Sâmia, Niltes.

Como seu eu merecesse, São Paulo ainda nos deu mais. Subimos para a Praça do Ciclista, cume do espigão donde se vê a Serra, e onde uma francesa reuniu paulistanos de lugares diversos com coletes coloridos e todos os metais de sopro para brincar o carnaval.

Temos muito motivos para a tristeza hoje em dia, mas também tem muito carinho por aí, daquele jeito que o Antonio Maria não sabia descrever mas sabia que existia por aí, ou pelo menos supunha que já havia existido. Maria querido: tem carinho por aí sim. E é só com ele que podemos seguir em frente.

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