12/05/2020 às 22h46min - Atualizada em 12/05/2020 às 22h46min

Que Mundo Habitaremos?

Por Patricia Penna

Patricia Penna
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Que mundo habitaremos quando a tempestade passar?
Yuval Noah Harari professor israelense de História e autor do best-seller internacional Sapiens, fez uma carta sobre essa reflexão da humanidade pós pandemia. Irei pontuar algumas coisas que me chamaram atenção e convidar a todos para aprofundarmos ainda mais as reflexões. Vamos lá?

As decisões do hoje estão diretamente e definitivamente amarradas em quem seremos no futuro. O Autor cita especificamente as decisões governamentais sob os aspectos não apenas de saúde mas também da economia, política e cultura.

O que por diversas vezes procrastinamos e demoramos para fazer acontecer, Yuval alerta para uma tremenda mudança de comportamento, pois a necessidade do agora emergencial, faz até tecnologias não tão seguras, serem colocadas em prática sobre a premissa de que é melhor fazer algo do que nada.

Em termos de vigilância, ao invés da figura do agente de carne e osso, tecnologias com algoritmos poderosos capazes de impor a cada portador de smartphone verificar sua temperatura e passar para o governo, além de rastrear movimentos e identificar o contato com outras pessoas.

Como será no futuro essa vigilância? O pós pandemia vai permitir que seja um processo continuado? Isso é bom? É ruim? Assim como o autor faço minhas reflexões as vezes com um certo conforto por pensar numa segunda onda viral que ameaça a humanidade, e outras uma incerteza sobre a democracia.

Sermos monitorados, até mesmo para conhecerem nossos gostos de cinema ou qualquer outro entretenimento e opiniões políticas podem ser usadas também para manipulação, já que entenderiam nossas personalidades e nossos modos de vida.

Febre e Tosse são fenômenos biológicos, assim como raiva, alegria, tédio, amor etc. O que a publicidade pode fazer monitorando nossos sentimentos enquanto assistimos uma TV ou conversamos com um amigo e nossos smartphones nos caguetando? Eles teriam em apenas um clique, coisas que nos fazem felizes ou tristes!

Aqui faço uma pausa na análise da carta do professor para dizer que essa tecnologia de monitoramento desenvolvida pela China e adquirida recentemente pelo Governo de SP pelo Governador João Dória, em primeiro momento ameaçando prender a população que estivesse aglomerada nas ruas, porém logo teve de abortar, tanto pelo tom autoritário, quanto pela completa falta de estrutura em uma ação como essa, eu penso… Seria uma atitude de emergência e desativada pós Covid, ou sobreviveria assim como outras emergências que desagradavelmente permaneceram?

Assim como relata Yuval que é israelense, Israel declarou estado de emergência durante a Guerra da Independência de 1948, o que justificou uma série de medidas temporárias que infelizmente algumas permanecem até hoje.

Entre privacidade e saúde a tendência é escolher a saúde e isso pode dar argumentos a esses monitoramentos permanecerem por muito tempo. Mesmo que não seja percebida a importância que ambos possuem.

Temo que a falta de cooperação da humanidade possa ser a porta de entrada para que essa vigilância totalitária seja instalada. Portanto todo cidadão precisa exigir informações verdadeiras e ter líderes confiáveis. Um ato tão simples, como o de lavar as mãos, por exemplo, pode salvar vidas, mas para entenderem isso, precisa haver concordância e cooperação. E principalmente confiar na ciência.

Deixo claro que concordo com o professor sobre a importância que devemos dar a tecnologia  para empoderar os cidadãos e ser usada para a saúde, mas usá-la para um regime autoritário é completamente descabido.

O combate ao vírus só se dará com a ciência e a informação. Harari cita uma grande vantagem que temos sobre o virus: "um coronavírus na China e um coronavírus nos EUA não podem trocar dicas sobe como infectar humanos. Mas a China pode ensinar aos EUA muitas lições valiosas sobre o coronavírus e como lidar com ele".

Isso é também uma nova lição de solidariedade, o compartilhamento de conhecimentos entre os países. E a compreensão de que o mundo precisa ser melhor dividido em suas produções. Não podemos mais ficar nas mãos de um único país para termos equipamentos de proteção e testes. O Brasil precisa rever suas industrias. E neste momento de urgência os países precisam ser solidários, compartilhar o que têm de sobra.

Um plano econômico de ação global também foi citado na carta, e é crucial nos debruçarmos sobre isso, pois se cada governo tomar suas decisões sem considerar os demais, o resultado será ainda mais caótico.

Também as viagens foram colocadas em cheque, se por um lado elas podem fazer os vírus atravessarem fronteiras pelos viajantes, proibir sem um plano organizado pode intensificar ainda mais a batalha contra o COVID, pois grupos essenciais precisam fazer essas travessias, tais como cientistas, médicos, jornalistas, políticos e empresários. Mas não vemos um acordo global e sim uma paralisia coletiva do tipo, deixa estar para ver como que fica.

Uma grande desunião global pode nos levar ao caos universal. Precisamos rápido de um plano e acredito que Yuval Noah Harari deu esse start, agora é a humanidade e seus líderes se tocarem!

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Patricia Penna

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