02/10/2015 às 01h38min - Atualizada em 02/10/2015 às 01h38min

Selvática traz a São Paulo suas versões de “Iracema”

A peça desconstrói o romantismo indigenista da obra de Alencar, como forma de questionar a relação entre colonizador e colonizado e a formação da cultura brasileira.

Elaine Calux
Tamiris Spinelli

Com texto e direção de Leonarda Glück, o coletivo curitibano Selvática Ações Artísticas apresenta, em São Paulo, em curta temporada de 2 a 4 de outubro, às 21h, na Funarte (Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elíseos – Tel: 11 3662-5177), “Iracema 236ml – O Retorno da Grande Nação Tabajara”, uma releitura contemporânea da trágica história de amor entre a índia tabajara e seu colonizador, imortalizada no romance-épico-lírico (na definição de Machado de Assis) “Iracema”, de José de Alencar (1829-1877). GRÁTIS.

Na montagem de “Iracema 236ml...”, aqui ironicamente transmutado em produto envasado, o texto de José de Alencar, escrito em 1865, é transportado para um atribulado cenário brasileiro atual, afetado pelo avanço tecnológico, pelas discussões de gênero e pela velocidade comunicacional que a contemporaneidade suscita.

Com uma narrativa crítica e irônica, a peça desconstrói o romantismo indigenista da obra de Alencar, como forma de questionar a relação entre colonizador e colonizado e a formação da cultura brasileira, seus frutos e desdobramentos através dos tempos. “Ao discutir a legitimidade de uma cultura genuinamente brasileira, a peça se volta para as questões que determinam e perpetuam as desigualdades de gênero, raça e os tradicionais modos de submissão pontua Glück.

Em meio às várias versões para a virgem dos lábios de mel de Alencar, os artistas - Patricia Cipriano, Stéfano Belo, Simone Magalhães, Mari Paula, Ricardo Nolasco e Manolo Kottwitz  -fazem, durante o espetáculo, referência a marcos históricos brasileiros, como a Semana de Arte Moderna, passando pelos movimentos Antropofágico e Tropicalista.  

Espetáculo multimidia, a encenação dialoga com a cenografia digital do paulistano Danilo Barros (Modular Dreams) e a projeção contínua de vídeos, inspirados nos cenários pictóricos pintados em grandes telas no século XIX.

A peça foi contemplada pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz/2014.

 


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