27/08/2012 às 23h09min - Atualizada em 27/08/2012 às 23h09min

Lagos artificiais e flores de bulbos ganham destaque no paisagismo

Mostra de paisagismo e jardinagem Minha Casa Meu Jardim, uma das atrações da Expoflora, traz também como tendência a multiutilização dos espaços verdes para incentivar o convívio familiar. Com o tema Um amor de jardim, a mostra apresenta 20 ambientes criados por cerca de 40 profissionais da capital paulista e das principais cidades da região de Campinas

Ateliê da Notícia

A harmonização de plantas ornamentais com as árvores frutíferas e as hortas urbanas para transformar os jardins em um espaço de convívio social, integrado a casa, estimulando o envolvimento da família na sua manutenção é a grande tendência do paisagismo na Primavera/Verão. Cerca de 40 paisagistas criaram 20 ambientes na mostra de paisagismo e jardinagem Minha Casa Meu Jardim, uma das atrações da Expoflora, maior exposição de flores e plantas ornamentais que acontece de 30 de agosto a 23 de setembro, das 9h às 19h, em Holambra, interior de São Paulo.

Na maior parte dos ambientes os jardins são multiuso e seguem a proposta da organização de mostrar que os jardins não são espaços apenas de contemplação, mas um lugar vivo que precisa de cuidados e de muita atenção, pois podem contribuir para melhorar a nossa qualidade de vida.

Nos projetos apresentados, a água continua sendo um elemento presente no paisagismo, principalmente na forma de lago. Num dos ambientes, a ousadia é mostrada em um lago que reúne a água doce e a salgada em um mesmo espelho, graças à tecnologia empregada cada vez mais a serviço do bem estar e do conforto.

Permanecem em alta os jardins de fácil manutenção e baixo custo e o uso de materiais reaproveitados ou reciclados na decoração dos ambientes, dentro da propagada política do ambientalmente correto. No paisagismo, as plantas tropicais que são de fácil cultivo e muita atenção para os bulbos, principalmente da Açucena (Amarílis) que chega com todo o seu colorido para enfeitar de vasos a grandes jardins.

Com o tema Um amor de Jardim, a mostra de paisagismo e jardinagem da Expoflora reuniu arquitetos, paisagistas, biólogos, engenheiros agrônomos, designers florais, artistas plásticos e laguistas de Barueri, Campinas, Holambra, Jaguariúna, Londrina, Mogi Mirim, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Pirassununga, São Paulo, Sorocaba e Vinhedo.

O objetivo é também apresentar produtos e serviços disponíveis no mercado brasileiro para a boa prática da jardinagem. “A proposta é que o jardim deixe de ser um quadro apenas admirado para tornar-se um ambiente de interação entre as pessoas e a natureza. Quando bem cuidado, o jardim retribui com flores, lindas plantas e saborosos frutos, tornando-se uma área de estar para relaxar, estudar, pintar, ouvir música ou, simplesmente, curtir a natureza”, diz Ana Rita Gimenes. Ela e Ralph Dekker, da Floral Design Brasil, são os organizadores da mostra.

Ambiente 01 – Jardim das sombreias em festa
Marcia Nassrallah (designer de interiores e especialista em Ergonomia); Paulo Oliveira (lighting designer e designer de interiores) e Marco A. Frossard (engenheiro agrônomo)

crédito: Humberto de Castro

A ergonomia e a iluminação cênica são os destaques nesse projeto paisagístico que conseguiu promover a sinergia entre o rústico e o moderno, tornando-o muito agradável para o convívio em qualquer hora do dia. No desenvolvimento do projeto optou-se por manter as espécies existentes no local, como as sombreiras, respeitando a preservação. As espécies de pequeno porte, rústicas e de baixa manutenção (grama azul, clorofito, aspargo pluma, laranjinha, chifres de veado, véu de noiva, fórmio, neoregélia, lúmina, filodendro Xanadú, filodendro rubro e ciclantus) foram plantados nos canteiros ou em vasos biodegradáveis (Ecoxim) que ficam aparentes no jardim. A curiosa planta ovo, que está sendo lançada na Expoflora, pode ser contemplada nesse jardim. O colorido é dado pelas phalaenopsis, pelos lírios e pelos kalanchoes dobrados. A forração dos canteiros leva cascas de pino. A arte está inserida no contexto do paisagismo também na escultura do santista Jadir Battaglia, toda revestida por pastilhas de inox e solta no gramado. A ergonomia é percebida na funcionalidade do jardim e no uso de espécies não tóxicas ou com baixa toxidade, garantindo baixo risco de acidentes físicos. O piso e o revestimento são ecologicamente corretos, assim como o mobiliário feito de alumínio e fibra sintética. O deck é feito de madeira plástica, obtida a partir de sacolinhas recicladas. Destaque para a confortável cadeira-pêndulo, em forma de ninho, sustentada pela base em forma de meia Lua. O interessante é que cerca de 90% do sistema de iluminação (inclusive a recarga das lâmpadas) é obtido por meio da energia solar.

Ambiente 02 - Jardim das Esculturas
Rose Anna Guarany (artista plástica, decoradora e paisagista)

crédito: Humberto de Castro
 
A proposta é que os visitantes interajam com esse espaço, podendo, inclusive, usar o mobiliário de rattan para um rápido descanso ou contemplação da entrada da mostra de paisagismo. A maioria das plantas que compõem esse projeto paisagístico moreia, salvia azul, impatiens, aroeira salsa, echeveria, agave atenuata, tem a tonalidade azul e branco e formas que sugerem movimento e leveza ao ambiente. As petúnias dão todo um charme ao jardim vertical. Rodeado por plantas, um pequeno lago ornamenta o jardim. Os painéis de aço em relevo decorativos são assinados pela artista plástica Rose Anna Guarany.
 
Ambientes 03 – Espaço Cultivar
Carolina Pedrosa (arquiteta e urbanista), Daniel Boersen (produtor de bulbos) e Peitra de Wit (arquiteta e paisagista)

crédito: Humberto de Castro

 
O impacto do colorido das centenas de flores plantadas nesse jardim nos faz sentir a beleza e a força da natureza. Todas as flores e plantas que o ornamentam são bulbos: calla, lírio, orquídea, copos de leite, açucena (amarillis), acidantera, thubachia, iris, trevos de quatro folhas e a perfumada angélica, entre tantas outras. Todas identificadas por plaquinhas, como que para se apresentar ao visitante. Logo na entrada do ambiente, à direita, sob um pergolado, a oficina de trabalho mostra o bulbo em seus mais diferentes estágios, desde a germinação até a floração. O ambiente é minucioso e cada detalhe foi pensado e trabalhado com muito capricho: a parede ao fundo, por exemplo, está propositadamente pintada na cor berinjela simplesmente para ornar com o miolo dos ornithogalos. A iluminação pontual contribui para destacar os mais importantes detalhes. O espelho d´água que oferece maior frescor ao ambiente é feito com garrafas pet recicladas. Na saída, às margens do lago de pedras, não poderia faltar um pouco de árvores, como os caimitos, as oliveiras e as nésperas.

Ambiente 04 - Paraíso ecológico
Paulo Yugo Kai e Rogério Luiz de Oliveira (aquaristas) e Nivaldo Dellagostini (paisagista)

crédito: Humberto de Castro

 
O projeto tem como característica principal a ênfase no modo de vida ecológico, ressaltando o sistema de aproveitamento e reaproveitamento de água de chuva e a sua aplicação prática na sustentação de todo o nosso espaço. A novidade desse ambiente é o lago ornamental inédito que permite o uso da água doce e da salgada, como se fosse um rio no encontro com o mar. A água não se mistura graças à tecnologia do sistema criado e desenvolvido pela equipe que criou o ambiente. Essa tecnologia consiste em um sistema de filtragem que faz com que tanto a água doce como a salgada circulem apenas num limite dentro de um único espelho d´água. Assim eles conseguem unir em um mesmo ambiente organismos variados, como carpas (origem asiática), ciclideos (origem africana) e plantas aquáticas tropicais de rara beleza. Os corais demarcam os limites da água salgada e realizam o seu papel de mantê-la salobra. Essas rochas marinhas, embora naturais, foram importadas legalmente de Sansibar, na Tailândia, onde são reproduzidos para extração num projeto de caráter social, que assiste muitas famílias naquele país. O paisagismo vem dar o toque final de harmonia e beleza. Os profissionais optaram pela utilização de palmeiras (rabo de raposa e garrafa) e plantas ornamentais de grande valor paisagístico, como as bromélias que circundam o lago, viburnun, cica revoluta, murtas, grama etc. A demonstração da coleta da água da chuva é feita por meio de um plástico transparente para a sua captação e transporte para dentro de um reservatório que abastece tanto o lago como o sistema de pressurização utilizado para a rega das plantas. Ao fundo, uma ideia para a instalação de parede vida em ambientes corporativos que não tenham espaço a criação de paisagismo. Por meio de um sistema de recirculação os profissionais criaram uma coluna de água que dá movimento, refresca e embeleza o ambiente. O jardim vertical conta com fibras de coco e parasitas, como ripsalis e columéia.

Ambiente 05 – Contrastes em harmonia
Lina Tartaglia (paisagista), Ricardo Caporossi Jr. (especialista em lagos) e Vânia Rosa (artista plástica e paisagista)

crédito: Humberto de Castro

 
O ambiente mostra a possibilidade de uso de dois elementos em contraste: a água e os cactus. Como estas plantas necessitam de pouca rega, a evaporação da água do lago contribui para reduzir a irrigação. O belo lago, ponto principal do projeto, proporciona momentos de contemplação e diminui o impacto de aridez das plantas. O ambiente é composto, ainda, por uma ponte de dormentes e cruzetas (madeiras de reuso), mesmo material do pergolado que recebeu piso de pinus tratado. Além de espécies diferentes de cactus foram utilizadas rosas do deserto e echeveria no paisagismo. Todas com baixa necessidade de água, e, por isso, exigindo pouca manutenção manutenção.

Ambiente 06 - Cozinha Jardim
Tâmiris Cristina Alves (arquiteta e urbanista) e Giovana de Godoi (tecnóloga em construção civil/mestre em engenharia civil)

crédito: Humberto de Castro

 
A proposta é a utilização de materiais que as pessoas já possuem em casa, mas com uma abordagem inusitada, com o objetivo de valorizar a interação das pessoas com seus jardins. Em um espaço pequeno, a opção foi pelas ervas aromáticas e flores em vasos. O plantio das ervas propõe o incentivo ao plantio, à colheita e ao consumo de alimentos orgânicos pela família. Para a horta foram escolhidos o manjericão roxo, a cebolinha, a salsinha, o alecrim, a pimenta ornamental, além do vaso 7 ervas. Essas ervas foram eleitas não apenas pelo aroma, mas pela variação de cores, deixando o jardim mais festivo. É um jardim de fácil cultivo. Para a decoração do ambiente de alimentação ornamentam o espaço a orquídea Bambú, a açucena (Amarílis), violetas e os buquês de flores do campo, presentes na Coleção Emoções, lançamento da Fazenda Terra Viva. As flores são frescas, tem alta durabilidade e excelente visibilidade e que muito auxilia nas decorações rápidas. Destaque para a orquídea bambu escolhida para a decoração de uma das paredes por seu porte (altura) e simplicidade da forma. A ideia é mostrar como uma variedade de flor duradoura pode atuar como acompanhamnto para paredes.

Ambiente 07 - Jardim da artista
Marisa Trippia (artista plástica), Paulo Camargo (engenheiro ambiental e paisagista) e Carolina Loli Abel Pinto (artesã e decoradora especialista em patchwork)

crédito: Humberto de Castro

 
O jardim é a pura inspiração. A proposta dos profissionais é mostrar que a natureza está constantemente misturando-se com a arte, inspirando o artista a retratá-la. O jardim é também o local de trabalho, o ateliê do artista. Telas misturam-se ao cenário realçado pelo vermelho vibrante do antúrio e pela forma da Cyca Revolutta, que valoriza o ambiente. Para completar, o leve aroma da Lavanda e o sabor da jabuticaba.

Ambiente 08 – Hortipaisagismo
Carlos Meyer (biólogo)

crédito: Humberto de Castro

 
Sustentabilidade, estilo de vida saudável e natural, terapia, reciclagem e tudo o mais que esteja interligado às atitudes de vanguarda. Baseado nesse conceito o espaço apresenta um paisagismo comestível. Aqui parte da ornamentação serve não apenas para ser contemplada, mas, principalmente, para ser saboreada. A proposta é agregar valor ao espaço verde com a produção de alimentos e temperos naturais. Nesse sitio urbano a satisfação pessoal está na possibilidade de produzir o próprio alimento. Dormentes e postes de eucalipto formam parte dos canteiros. Vasos e bacias também recebem variedades diversas de verduras, ervas aromáticas, pimentas e temperos. Há também frutíferas. Entre as ornamentais, destaque para as bromélias, palmeiras e impatiens. A compostera com minhocas (para acelerar a produção de húmus) permite a adubação natural das hortas e dos alimentos vegetais (três variedades de alface, rúcula, agrião, acelga, mostarda, couve, almeirão e beterraba) e temperos, salsinha,cebolinha, alecrim, manjericão, tomilho, sálvia, hortelã). Na parede vertical, temperos e uma grande variedade de pimentas. Destaque para a bancada caseira de hidroponia para o cultivo de alface, almeirão, acelga, salsinha, rúcula.

Ambiente 09 - Adorável quintal
Clarisse Kopp (paisagista)

crédito: Humberto de Castro

 
São pequenos nichos rodeados de verde que dão o charme e convidam ao convício social nesse jardim criado para permitir o contato com a natureza em todas as formas, estimulando a aprendizagem, a consciência ambiental e um estilo de vida mais saudável. Inspirado nos jardins sensoriais, esse ambiente desperta os sentidos, ora contraditórios, por meio dos diferentes estímulos. A rede para o descanso, por exemplo, está cercada pelos sons - relaxante das fontes e estimulante do canto dos passarinhos atraídos pelas casinhas revestidas de chita e penduradas no muro. A mesa está próxima do pomar e da horta, na área das sensações do tato e do paladar, estimulando a degustação da fruta colhida do pé e o cultivo dos temperos e verduras para que cheguem fresquinhos à mesa. Os bancos de fardos de feno foram propositalmente instalados em um espaço voltado para o olfato. Plantas aromáticas estão presentes tanto in natura, quanto nas essências das velas. O caminho que percorre o jardim traz muita cor e formas na vegetação, para encher os olhos de quem o visitar. A consciência ambiental é estimulada por meio da reciclagem de materiais, como as caixinhas de leite penduradas na parede que servem de vasos para os temperos; do uso de superfícies não impermeabilizadas; da busca por alimentos mais saudáveis produzidos na própria residência; e da lembrança que a nossa relação com a natureza está no dia-a-dia. Os nichos foram criados ao longo de um caminho levemente sinuoso de piso drenante (que permite até 95% de absorção de água da chuva) cercado por um gramado verde no qual foram dispostas uma rede e uma mesa para as refeições. A água é muito presente no projeto pelas suas propriedades termorreguladoras do ambiente e por representar, em sua essência, a vida. Na vegetação predominam as cores análogas vermelho, amarelo e laranja em formas orgânicas. Ali podem ser admirados beijo-turco ou Impatiens e o Kalanchoe, escolhidos por serem plantas com florações regulares, facilitando muito a manutenção. As bromélias imperiais e as cicas, eternas vedetes dos jardins, são sempre coringas em vários estilos pelas suas formas e volume e muito valorizadas pela resistência, texturas e cores bonitas. O exótico mini-pandanus é usado em maciços ou bordadura de canteiros, sendo, também, uma excelente cerca-viva de baixa altura por possuir pequenos espinhos nas suas folhas. O velho latão de leite foi transformado em uma imponente floreira. O jardim também conta com árvores frutíferas, como a Jabuticaba e a Uvaia. Entre as ervas aromáticas encontramos o alecrim, a arruda, o coentro, a lavanda e o hortelã.

Ambiente 10 - Varanda Gourmet
Jaíce Di Prospero Blasques e Marina Arakaki (paisagistas)

crédito: Humberto de Castro

 
Essa é outra proposta de jardim comestível dentro de um espaço urbano, acolhendo e instigando as pessoas à degustação de sabores e aromas. Afinal, a procura por uma alimentação mais saudável e um modo de vida mais natural tem sido cada vez maior. Hortaliças, frutíferas e temperos (orégano, erva-doce, melissa, salsinha, cebolinha, alecrim, sálvia, manjericão, tomilho, manjerona, pimenta, alface, cenoura, agrião e beterraba) estão distribuídos em canteiros e vasos, com a intenção de mostrar para o visitante como pode ser simples e fácil cultivar uma mini-horta em locais pequenos, como varandas, áreas de serviço e jardineiras de apartamentos. Poder colher o próprio alimento, ter contato com a terra e fazer da atividade uma terapia não é mais privilégio apenas de quem dispõe de quintal em casa
As paisagistas enfatizam que a horta feita em casa, além de ser sustentável também pode ser educativa. Para as crianças, uma mini-horta pode ser motivo de diversão e entretenimento, servindo, também, como instrumento de ensino, pois o plantio incentiva o cuidado com a terra e repassa noções sobre o meio ambiente. Em destaque no ambiente foi plantada uma jabuticabeira, árvore nativa com tronco e galhos de rara beleza plástica. Além dos frutos, ela floresce duas vezes por ano, com flores na cor branca. Três vasos de Laranjas com suas mini-flores aromatizam o ambiente. Bromélias gusmânia, orquídeas denphalis e musgos estão dispostos em cachepôs espalhados na ambientação do espaço e nas peças de lançamento de revestimentos cimentícios.

Ambiente 11 – Sala de estar da família
Paula de Godoy (paisagista)

crédito: Humberto de Castro

 
A ideia desse ambiente é ser um jardim multifuncional, mostrando que podemos, em um pequeno espaço, ter uma área com atrativos para vários membros da família. As crianças podem divertir-se na areia com brinquedos educativos. Os caixotes com flores e a horta propiciam uma interação de todos os membros da família. Sob o pergolado construído com a reutilização de madeiras de pontaletes de andaimes de construção, a família pode fazer as suas refeições admirando o seu jardim onde se destacam uma jabuticabeira, um lago com peixes, um espelho d´agua, um redário e um banco rústico para leitura, descanso ou contemplação. O projeto incluiu o reaproveitamento dos mais variados tipos de materiais em um conceito diferente e inovador, criando um ambiente harmônico, durável, de baixo custo e agradável. São de pallets os caixotes de tamanhos diferentes nos quais foram plantadas flores, hortaliças, ervas e temperos. Para o desenho dos canteiros, que forma uma espécie de arco-íris, são utilizados flocos de conta-gotas e flocos de plástico de reciclagem. O caminho é de caco de vidro temperado com pisantes de pneu reciclado. Os dois pilares da estrutura metálica existentes no espaço foram revestidos com uma estrutura de madeira de resto de construção para servirem de suporte às plantas pendentes de várias espécies, como a Peperomia, Brinco de Princesa, Peixinho e as Samambaias. As plantas utilizadas no espaço são duráveis, de baixa manutenção e de características tropicais, o que reduz a manutenção, pois necessitam de poucas podas e limpeza, como a grama esmeralda, agave dragão, ananas, rhoeo, pata de elefante, espadinha variegata, bonsai fícus, bromélia imperial roxa e neoregelia, suculenta, papirus, dracena tricolor, alpínia, helicônia, fênix, maranta e pleomele. As espécies que precisam ser renovadas foram plantadas somente dentro dos caixotes para incentivar a família a cuidar e a interagir com o jardim de forma prática e simples. Nelas foram plantadas flores como a azaleias, poinsetia, lírio, além de alface, temperos e pimenta. O lago tem peixes e plantas aquáticas que podem ser vistos da charmosa ponte que o atravessa ou do banco rústico utilizado para descanso, leitura e contemplação. Destaque para a escultura de cavalo a parede próxima ao lago.

Ambiente 12 – Espaço convívio
Alexandre Galhego (engenheiro agrônomo e paisagista)

crédito: Humberto de Castro

 
Esse ambiente traz o fogo como elemento agregador das pessoas e muita vegetação tropical para dar sensação de aconchego e equilíbrio. O espaço foi concebido para receber as pessoas, tanto que os visitantes podem circular pelo jardim e chegar bem perto das plantas e flores para sentir a energia da natureza. O caminho de areia oferece uma atmosfera meio praiana. O deck é sintético, feito à base de resíduo plástico reciclado (lançamento), mais resistente e durável. O diferencial é o acabamento premium, além de grande resistência e baixíssima manutenção. Os móveis escolhidos para a sala de estar são de fibra natural e circundam a aconchegante lareira ecológica (utiliza álcool para o aquecimento). O pergolado é de madeira reciclada, aproveita de obras. O paisagismo traz plantas tropicais, como as helicônias, filodendrons, neomaricas, alpinias, ophiopogons, diversos tipo de palmeiras, bromélias imperiais e hortícolas e outras.

Ambiente 13 – Alma de jardineiro
Flavio Gallo (laguista) e Malu Conceição (decoradora e artista floral)

crédito: Humberto de Castro

 
Flores, folhagens, água e sons misturam-se com delicadeza nesse ambiente. As plantas e flores brotam de um piano estilizado e por uma singela cascata a água forma um pequeno lago a seus pés. Para contemplar essa beleza, basta sentar-se nas cadeiras de espaldar alto com apoio para os pés. Das paredes brancas e azuis forte e celeste, brotam trepadeiras, como as samambaias, comum e azuis, avencas e aspargos, dividindo harmoniosamente o espaço com quadros, gaiolas, objetos de jardinagem e azulejos coloridos. A decoração é viva, moderna e arrojada. O chão é gramado. Palmeiras fênix, moreia e comigo-ninguém-pode dão um acabamento sutil ao ambiente e conduzem até uma frondosa jabuticabeira em cuja sombra repousa uma rede de madeira acolchoada por um futton e almofadas. A parte produtiva do jardim conta com uma horta com salsa, manjericão, tomilho, alecrim, sálvia e pimenta, separados por terra e pedriscos para que possam se desenvolver de acordo com suas necessidades. Pequenas flores de intenso colorido dão acabamento a esse jardim.
 
Ambiente 14 – Sonho de menina
Cintia Rua (eng. agrônoma e paisagista) e Natalia Salcedo (arquiteta)

crédito: Humberto de Castro

A proposta é um jardim só para meninas. O ambiente pretende promover um espaço onde pais, avós, familiares e amigos possam compartilhar momentos juntos, em um jardim onde os sonhos de criança ou das crianças possam ser realizados. O jardim é super colorido com matizes em rosa e muitas flores (hortênsia, lavanda, kalanchoe dobrado, roseira arvore, mandevila, tuia holandesa e tuia stricta). Um dos destaques é a grande casa de boneca fabricada com madeiras nobres de fornecedores que possuem DOF (Documento de Origem Florestal – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) é o ponto central das brincadeiras. O outros são os totens fotográficos em tamanho natural com imagens de meninas brincando no jardim, dando uma forte alusão lúdica ao espaço. O paisagismo traz arvores frutíferas (pitanga, ameixa e abiu), local apropriado para as crianças cultivarem as plantas e pequenos vasos com bulbos, como a açucena (Amarílis) para que elas possam plantar e acompanhar seu o desenvolvimento até a florada. A brincadeira sugerida é o plantio e o cuidado com as plantas. Mesinhas com puffs e acessórios de jardinagem próprios para crianças fazem parte da decoração.

Ambiente 15 – O amor percorre o mundo
Ines Scisci Maciel (arquiteta)

crédito: Humberto de Castro

 
O projeto é o jardim de uma fotógrafa que viaja pelo mundo clicando lugares que representam o amor. O jardim de rosas plantadas foi copiado das casas das nossas avós, atualizando o romantismo. Nos canteiros, somente rosas em vaso nas mais diversas cores e em topiárias, algumas importadas. Se o paisagismo é super retro, a decoração é bem moderna. A começar pela novidade do piso de porcelanato em 3D. Os móveis são sustentáveis (de troncos, madeira de demolição e fibra sintética). Toda a tinta utilizada nas paredes é à base de água. As tochas de fogo em aço inox e vidro são apropriadas para áreas externas. A iluminação em LED valoriza o ambiente. A paisagista escolheu a rosa para falar de amor, pois essa é a flor mais popular e a mais comercializada em todo o mundo. Há informações de que a rosa é cultivada há mais de 5.000 anos pelas antigas civilizações. Além disso, a rosa é uma flor repleta de simbologias: vermelhas representam o amor; as brancas significam a pureza; a cor de rosa, a sensibilidade; e, a champanhe, simboliza a amizade. A rosa conquistou o seu espaço nas artes, na literatura, na poesia e na música. Ainda hoje a flor é usada como fonte de inspiração e são verdadeiras mensageiras do coração. Uma curiosidade: na idade média, os buquês das noivas comumente eram confeccionados em rosas, devido ao perfume que exalavam, pois o banho não era um hábito comum à população. Os buquês de rosa eram usados para amenizar o mau cheiro dos convidados, pois só a noiva e seus pais tomavam banho no dia da cerimônia.

Ambiente 16 – Jardim do Vinho
Danilo Malvezzi Torres e Mayra Gomes Guarnieri (arquitetos e paisagistas)

crédito: Humberto de Castro

 
O ambiente baseia-se na composição de duas áreas, cujo projeto foi inspirado no hobby do proprietário, amante e produtor de vinhos. A primeira foi pensada para o seu relaxamento, degustar seu próprio vinho ou mesmo para leitura. Já a segunda, uma área para o convívio, onde ele possa receber os amigos para um jantar ou, mesmo, apresentar seus vinhos. O espaço foi projetado seguindo o estilo toscano, lembrando as antigas vilas italianas. A união dos materiais como tijolo de demolição, a madeira, a composição de vasos cerâmicos e o ferro oxidado reforçam esse estilo, assim como a escolha das plantas compondo um charmoso modelo de jardim. Água e fogo trazem o aconchego necessário para completar o ambiente e conectar tudo ao tema escolhido. A reciclagem das rolhas substituem os pedriscos no chão. Destaques para a reutilização de rolhas no piso e no painel lousa com moldura e para o uso de garrafas e garrafões de vinho na iluminação. As plantas têm ligação com o tema e estilo (toscano), sendo muito utilizadas as folhagens nas tonalidades do verde-escuro e vinho (a Kaizuka, a alface d´água, buxinhos, hera-roxa e crespa, grama-preta e dinheiro em penca), flores brancas, roxas e amarelas (azaléia bola branca, rosa topiária e amor-perfeito) e as aromáticas (manjericão, manjerona, orégano, salsinha, pimenta vermelha e roxa, cebolinha, sálvia e alecrim). As forrações “abraçam” as espécies maiores e acomodam os pisos.

Ambiente 17 – Jardim Qualidade de Vida no Trabalho
Paulo van den Broek (engenheiro agrônomo paisagista) e Maristela M. van den Broek (paisagista).

crédito: Humberto de Castro

 
 
Os paisagistas têm como principais clientes grandes empresas preocupadas com o bom desempenho de seus funcionários no trabalho, com isso a ideia do espaço foi mostrar o quanto o paisagismo pode contribuir para isso. Dentre outras ideias, que já são aplicadas nestas empresas, os paisagistas mostram neste espaço um convidativo redário para uma soneca após o almoço, um bosque de palmeiras onde é possível apreciar a natureza ou até praticar jogos como baralho, dama, xadrez, etc.. Outra área muito atrativa é o espaço leitura, que fica abrigado em um pergolado aparelhado com banco, mesa e livros para uma boa leitura e distração. Também é apresentada neste espaço uma nova variedade de begônia, a Beleaf, uma ótima opção para ambientes a meia sombra e jardins de inverno.

Ambiente 18 – Jardim Gourmet
Rafael Bragion de Castro, Helena Montevecchio e Jussara de Siqueira (paisagistas)

crédito: Humberto de Castro

 
A paisagista Jussara, que tem a marcenaria como hobby, aproveitou 8 portas de maçaranduba retiradas durante a reforma do consultório de seu marido e construiu todas as floreiras e bancos desse ambiente que tem como proposta mostrar a possibilidade de transformar o pomar ou horta em um espaço de convívio social, integrado ao jardim da casa, qualquer que seja o espaço disponível. Aqui também as árvores frutíferas variadas e as ervas e hortaliças convivem em perfeita harmonia com o jardim de plantas ornamentais, estimulando o envolvimento da família nos cuidados do jardim e na utilização do que é produzido para alimentação. Pela alameda que ladeia os canteiros de árvores frutíferas (acerola e cerejeira do Rio Grande) forrados por pimentas é possível passear por todo o ambiente e chegar bem perto do grafite do artista Gustavo Nenão para receber as flores ofertadas pelo tradicional holandês. No pergolado coberto por taboa reciclada trançada, a mesa e a churrasqueira convidam para um dia bem agradável. Ao fundo, pallets revestem os muros e, empilhados em vários níveis, sustentam a horta aromática, onde estão plantados alecrim, manjericão, salsinha, cebolinha, loro, pimenta da Jamaica e chás, como a hortelã. No paisagismo, clúsia, capim do Texas rubro, estrelícia e fórmio.

Ambiente 19 – Corredor cultural
Claudia Pantanela e Maria Angélica Pantanela (arquitetas)

crédito: Humberto de Castro

 
Trata-se de um espaço público aconchegante, pensado para proporcionar às pessoas, através das mais variadas manifestações artísticas, a reflexão sobre um assunto tão em pauta que são as atitudes sustentáveis. O conceito busca, de forma lúdica, interativa e criativa, despertar nos visitantes a consciência da possibilidade da arte envolvida com o paisagismo e da necessidade de cada um fazer a sua parte para a preservação do meio ambiente. O mobiliário urbano é formado de fardos de materiais reciclável cobertos por almofadas confeccionadas a partir da reutilização de lona de banners publicitários. Esses bancos são utilizados no Pátio de Leitura, espaço preparado exclusivamente para instalar uma banca de revistas. Um palco construído com madeiras reutilizadas abrigará apresentações musicais e teatros infantis durante o evento. Além dessas manifestações culturais, serão realizadas oficinas de arte em parceria com a Criante Oficinas Criativas, nas quais os visitantes poderão montar painéis ilustrativos com tampas de garrafas pet, um estímulo à conscientização do problema dos descartes dos resíduos. As características do local são reforçadas por lixeira seletiva, luminárias e um paisagismo com espécies de plantas adequadas à área urbana. A cobertura do pergolado conta com um sistema de captação da água da chuva para reuso e telhado verde. Os passeios são definidos por meio de formas e texturas dos canteiros ajardinados. Na composição do paisagismo, destaque para as Paineiras já existentes no ambiente, que ganham coloridos móbiles formados de fundo de garrafas pets transparentes. Os balanços pendurados nos galhos da árvore recebem uma iluminação inusitada que envolve a Paineira até suas raízes, misturando-se à forração natural. Um interessante contraste entre a natureza e o plástico. Em meio aos encantos do verde, planos cosmopolitas são marcados por um cenário criado por painéis grafitados, obra de artista plástico, que expressa sua arte com cores e movimentos para chamar a atenção sobre o tema do ambiente. Para criar um cenário urbano, as plantas foram escolhidas pela grande variedade de tamanhos, cores e formas, seus hábito perene (não precisam ser trocadas constantemente) e rusticidade (adaptadas a pleno sol e pouca irrigação). Entre elas estão 15 espécies de cactus, Pata de Elefante, Bromélia Guzmania, espada de São Jorge, filodendro xanadú, calatéia e as árvores Leiteiro Vermelho.

Ambiente 20 – Made by heart
Liana Glingani (cenógrafa, design floral e paisagista), de São Paulo.

crédito: Humberto de Castro

 
 
O ambiente seria de passagem, mas transformou-se em uma instalação de designe floral na qual a forma de exibição dos objetos, flores e plantas parece dialogar com o público. As cores cítricas estão presentes no jardim sinuoso que evidencia as 94 tuias holandesas cercando uma escultura de bambu com discos de acrílico utilizados para refletir a luz. Os bambus foram utilizados para lembrar a flexibilidade necessária nos relacionamentos para que eles evoluam. Em seguida, dos grandes painéis pretos, também de bambu, trazem dois corações verdes, simbolizando a esperança. No contraponto, para demonstrar a complexidade e instabilidade das relações, Liana criou uma estrutura de madeira entrelaçada de onde pendem 100 bulbos de açucena (Amarílis) . Os bulbos foram escolhidos por representarem a força das plantas e o guardião da herança genética. Na lateral do ambiente, numa instalação bastante criativa, 60 guarda-chuvas verdes, cítrico como as tuias, esparramam-se pelo chão e, presos ao gramado, formam um maciço. As frases gravadas representam os pensamentos sobre as experiências que podem ser vivenciadas nesse jardim.

Serviço:
31ª Expoflora

Data: de 30 de agosto a 23 de setembro, de quinta-feira a domingo
Horário: das 9h às 19h
Localização: Holambra, SP 340, Rodovia Campinas-Mogi Mirim, saída 140.
Na bilheteria, os ingressos custarão R$ 30,00. Crianças de até cinco anos de idade, acompanhadas dos pais ou responsáveis, não pagam.
Ingressos: (19) 3802-1499 ou pelo e-mail [email protected]
Informações sobre a Expoflora: 19 3802-1499 - [email protected]


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