29/07/2015 às 14h40min - Atualizada em 29/07/2015 às 14h40min

Protocolo nacional de comunicação para redes inteligentes irá padronizar sistemas de medição eletrônica no país

Estudos do Sistema Brasileiro de Medição Avançada (Sibma) deverão ser concluídos até o final de 2016. Gerente da Copel participará do Latin American Utility Week para apontar desafios e funcionalidade do software

Implantar um protocolo de comunicação para padronizar os sistemas de medição eletrônica de energia elétrica em smart grids, ou redes inteligentes, no País será uma das próximas etapas a serem cumpridas no setor elétrico brasileiro. Os estudos do Sistema Brasileiro de Medição Avançada (Sibma) - plataforma que visa unificar os programas aos diversos modelos e marcas de medidores eletrônicos - , estão em estágio avançado e devem ser concluídos no final do próximo ano. O projeto inovador do Sibma será apresentado em detalhes durante a Latin American Utility Week (LAUW) 2015, que acontece em setembro,  em São Paulo (SP).

De acordo com o gerente do Departamento de Relacionamento com Grandes Clientes da Companhia Paranaense de Energia (Copel Distribuição), João Acyr, a primeira fase do protocolo está concluída e contou com aportes de P&D do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação. A segunda fase já está em andamento e deve receber recurso de R$ 1 milhão. “Nós, do Grupo Neoenergia, iremos validar o projeto em campo, ou seja, implementaremos alguns medidores com este protocolo para registrar todo o conteúdo gerado. Qualquer fabricante ou concessionária poderá integrar suas soluções e fazer uso dele”, explica.

Com a implantação do Sibma será possível realizar medições de energia elétrica à distância, ou seja, da concessionária até o consumidor final, sem a presença de funcionários. Além disso, outro benefício será a redução de customizações de sistemas internacionais em projetos nacionais, uma vez que diversos programas de distribuidoras necessitam utilizá-los para que possam ser executados corretamente.  

“A existência deste protocolo será fundamental para a viabilização ou não de um projeto. Por exemplo, se forem necessárias customizações no desenvolvimento do medidor para adaptação ao software do servidor, isso implicará no aumento dos gastos de modo que o projeto fique inviável. Então com um modelo feito sob medida para as necessidades do Brasil, não há o risco de desenvolvimentos adicionais. Ter projeto com fornecedor já totalmente integrado ao Sibma é a diferença de ser viável ou não”, comenta.
  
Interoperabilidade - João Acyr, da Copel, palestrante que irá tratar do assunto no segundo dia da LAUW acredita que é preciso criar condições para que o Brasil se conscientize da necessidade de redes inteligentes sustentáveis. “As palavras chaves são intercambiabilidade e interoperabilidade. Significa que todos os equipamentos e protocolos devem conversar entre si não requerendo desenvolvimento adicional. Para que aconteça o progresso de smart grid no Brasil é preciso a existência de um protocolo público, aberto e conhecido no país que é justamente a proposta do sistema”.

Com relação aos investimentos financeiros das empresas para a implantação do Sibma, o gerente deixa claro que o único gasto será com os testes de campo para tentar diluir o custo operacional na fase de amadurecimento do sistema. “O uso do Sibma não geraria custos à concessionária e ao fornecedor, a ideia é que ele seja público, não onerando os aplicadores de protocolo e também não os obrigando, tudo irá depender de cada desenvolvedor do projeto”, pontua.
 
Setor Privado - Uma das empresas privadas que estão investindo em softwares para a otimização da medição eletrônica de energia elétrica no país é a PromonLogicalis. A empresa, que é especializada em serviços e soluções de tecnologia da informação e comunicação na América Latina, irá disponibilizar um novo sistema de aplicações workforce automation para utilities de energia elétrica. Em fase de testes, a expectativa é que o programa esteja disponível para as distribuidoras de energia de todo o país até o fim deste ano.

“Temos um grupo de integração de software que está realizando testes com empresas de distribuição de energia. O programa ajudará na gestão e melhoria de eficiência de equipes que trabalham em campo, pois consegue coordenar as equipes de trabalho, carregar imagens em tempo real, operar e acelerar o processo de regularização de eventuais falhas nos sistemas elétricos”, ressalta o gerente de consultoria da empresa, Marcos Ablas, que participará pela primeira vez do LAUW, em setembro, na capital paulista.

Uma das vantagens do software é que assim que a equipe de campo acessa a área de cobertura da operação, todas as informações registradas são atualizadas automaticamente. O programa poderá ser instalado em tablets e smartphones, auxiliando na otimização de tempo.     

Sobre a LAUW
Organizada pela Clarion Events, a 13a edição da Latin America Utility Week (LAUW) reunirá as principais empresas de geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, água e gás, gerenciamento de recursos energéticos e hídricos, redes e cidades inteligentes da América Latina. Paralelamente à LAUW acontece o tradicional Congresso Internacional, com diversos assuntos ligados aos setores relacionados com o evento. Na edição de 2014, o evento atraiu mais de 2 mil visitantes profissionais do setor e reuniu 135 congressistas de países da América do Norte, Europa, Ásia e América do Sul, 82 palestrantes e 52 utilities. A novidade desta edição será a retomada da premiação de projetos inovadores nas categorias Energy, Metering, Smart Grids, Smart System e Water & Gas. A LAUW acontece de 23 a 25 de setembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP). 


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