28/07/2015 às 09h25min - Atualizada em 28/07/2015 às 09h25min

FDA concede designação de “Breakthrough Therapy” para Olipudase Alfa da Genzyme

Terapia de reposição enzimática se destina ao tratamento das manifestações não neurológicas da ASMD, que caracterizam a Doença de Niemann-Pick tipo B. Uso pediátrico já está em estudo

Dayana Cardoso

CAMBRIDGE, Massachusetts – A Genzyme, empresa de biotecnologia do Grupo Sanofi, anunciou recentemente que a U.S. Food and Drug Administration (FDA) concedeu a designação de “Breakthrough Therapy” (terapia inédita) à olipudase alfa. Essa terapia de reposição enzimática está em estudo para o tratamento de pacientes com manifestações não neurológicas da deficiência de esfingomielinase ácida (ASMD), também conhecida como Doença de Niemann-Pick tipo B (NPD B). A ASMD é um distúrbio grave, com risco de vida, causada pela atividade insuficiente da enzima esfingomielinase ácida (ASM). Segundo dados de literatura e do Niemann Pick Disease Group UK, no Reino Unido, a NPD B apresenta ocorrência de 0,6 a 1: 100 000 nascidos vivos, mais rara do que os outros dois tipos, A e C. No mundo, são em torno de mil pessoas, e no Brasil, até agora, aproximadamente 80 diagnosticados.

Terapia inédita

Atualmente, não existe opção de tratamento aprovado para pacientes com a Doença de Niemann-Pick dos tipos A e B. A olipudase alfa está sendo desenvolvida pela Genzyme para tratar o erro metabólico fundamental da NPD B, que é a deficiência enzimática. A suplementação da enzima nativa defeituosa ou deficiente com olipudase alfa permite a decomposição de esfingomielina, cujo acúmulo é tóxico e promove as manifestações clínicas da ASMD.

A designação de “terapia inédita” é concedida com a intenção de acelerar o desenvolvimento e a avaliação de novas drogas sob investigação que miram condições graves ou com risco de vida. Os critérios para a concessão dessa designação são as evidências clínicas preliminares de melhorias substanciais dentro de parâmetros que são clinicamente significativos comparados com as terapias disponíveis. Essa designação se distingue dos outros mecanismos da FDA para acelerar os processos de desenvolvimento e avaliação, e permitirá uma colaboração mais estreita entre a Genzyme e a FDA no programa para desenvolvimento da olipudase alfa. Sua concessão teve como base dados de um estudo de Fase 1b, já concluído. Os resultados de cinco pacientes adultos com ASMD não neuronopática foram apresentados no Simpósio Mundial da Rede de Doença Lisossômica em fevereiro deste ano. Os dados sobre segurança de dosagens repetidas, farmacodinâmica e eficácia exploratória de olipudase alfa apoiam a continuação de seu desenvolvimento para uso experimental nas manifestações não neurológicas da ASMD.

Crianças e diagnóstico precoce

Na NPD A, os primeiros sintomas aparecem entre três e nove meses de idade, e caracterizam-se por um aumento importante de baço e fígado e pelo atraso no desenvolvimento psicomotor. Posteriormente aparecem convulsões, regressão psicomotora e aumento do tônus muscular. O tipo C apresenta paralisia dos nervos motores oculares, deficiência de equilíbrio e problemas de coordenação progressivos, movimentos involuntários e envolvimento cognitivo na maioria dos casos, mas pode variar. Já o tipo B tem características bastante variáveis, com diagnóstico geralmente durante a infância por causa do aumento do baço e do fígado, com pouco ou nenhum envolvimento neurológico na maioria dos indivíduos. A maioria das crianças diagnosticadas com NPD B chega à adolescência e à idade adulta, ainda que com problemas de saúde. Nesse sentido, é muito importante o diagnóstico precoce da doença e de seu tipo, para que possa ser feita a orientação e o tratamento dos sintomas enquanto não há terapia específica para a doença.

No caso da olipudase alfa, medicamento já em estudo, o primeiro paciente pediátrico com ASMD começou o tratamento em um ensaio clínico de Fase 1/2 focado em avaliar a terapia sob investigação. O estudo de Fase 1/2 é multicêntrico e multinacional aberto, com dose ascendente, que avaliará segurança, tolerabilidade e farmacocinética da terapia, a ser administrada por via intravenosa uma vez a cada duas semanas por 52 semanas.

A empresa já começou as inscrições do estudo pediátrico de Fase 1/2 e está preparando a inscrição para um estudo adulto de Fase 2/3 para o segundo semestre de 2015. Após a conclusão do ensaio de 52 semanas, os pacientes terão a opção de continuar com a medicação em um estudo de extensão. Para mais informações, visite http://clinicaltrials.gov.

“Existe uma enorme necessidade não atendida na comunidade da doença ASMD/Niemann-Pick tipo B, e temos a esperança de que a olipudase alfa possa ser desenvolvida como tratamento significante para os pacientes”, disse Richard Peters, M.D., Ph.D., chefe do Departamento de Doenças Raras da Genzyme. “Somos gratos pelo apoio da FDA para esse programa significante, que nos dá a oportunidade de utilizar um caminho importante para o desenvolvimento acelerado da olipudase alfa e oferece esperança para os pacientes afetados por uma doença crônica e progressivamente debilitante.”

Sobre a ASMD (Doença de Niemann-Pick)

Tradicionalmente chamada de Doença de Niemann-Pick tipos A e B (NPD A e NPD B), a deficiência da esfingomielinase ácida (ASMD) é uma enfermidade que faz parte do grupo das doenças de depósito lisossômico (DDL), as quais afetam o metabolismo e são causadas por mutações genéticas. A causa da ASMD é a deficiência de uma enzima específica: a esfingomielinase ácida (ASM). Essa enzima é encontrada em compartimentos especiais dentro de células, chamados de lisossomos, e é necessária para a metabolização do lipídio chamado esfingomielina. Se a ASM está ausente ou não está funcionando devidamente, a esfingomielina não é metabolizada adequadamente, acumula-se dentro da célula, causando morte celular e mau funcionamento de órgãos importantes. As Doenças de Niemann-Pick A e Niemann-Pick B são causadas pela mesma deficiência enzimática, e as evidências indicam, cada vez mais, que as duas formas representam pontos opostos de um espectro contínuo de manifestações.

Principais características (tipo B):

·         Aumento do fígado e do baço (hepatoesplenomegalia);

·         Comprometimento neurológico (10% dos casos);

·         Problemas respiratórios;

·         Aumento do colesterol que pode provocar doenças cardiovasculares;

·         Alterações ósseas.


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