04/07/2015 às 10h48min - Atualizada em 04/07/2015 às 10h48min

Dia de Cooperar e participar

Sescoop/SP
Edivaldo Del Grande

Edivaldo Del Grande*

As cooperativas mudam para melhor a vida das pessoas. A cada ano mais e mais brasileiros descobrem esse poder do sistema cooperativista. Segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), 11,5 milhões de pessoas estão ligadas diretamente a uma das mais de 6,8 mil cooperativas atuantes em 13 ramos diferentes de negócio. Na verdade, se considerarmos quatro pessoas por família, são 46 milhões de brasileiros ligados ao cooperativismo.

Melhor que isso é dizer que não só os cooperados e suas famílias se beneficiam do sistema. Uma pesquisa feita pela Faculdade de Economia da USP de Ribeirão Preto já mostrava em 2004 que municípios com atuação de cooperativas têm Índice de Desenvolvimento Humano maior. A qualidade de vida melhora também nas comunidades do entorno das cooperativas.

Isso é fácil de explicar. Por ser um modelo de empreendimento que não concentra o capital, ou seja, distribui renda proporcionalmente ao trabalho ou participação de cada cooperado, a cooperativa movimenta a economia local e acaba atraindo novos investimentos.

Nos países mais desenvolvidos, principalmente na Europa, na América do Norte e no Oriente, a consciência disso é bem maior. Mais de 50% de suas populações está vinculada ao cooperativismo. A soma disso tudo mostra, segundo estimativa da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), que uma em cada sete pessoas do mundo já descobriu as vantagens de se associar a uma cooperativa.

Para se ter uma ideia, em países como a Malásia, as escolas públicas são obrigadas por lei a constituírem cooperativas para a administração dos recursos. Nos Estados Unidos, 72% do consumo de energia na zona rural vêm de cooperativas. As cooperativas de eletrificação somam 12% de toda a energia produzida no país. Na Finlândia, aproximadamente 60% das residências privadas foi construída por cooperativas.

Nosso modelo de negócios é uma forma inteligente e sustentável de empreender, que se diferencia dos demais por valorizar a participação dos associados, a gestão democrática e por proporcionar o desenvolvimento de toda a comunidade. Justamente por isso, a filosofia cooperativista ganha novos adeptos todos os dias e se posiciona como uma alternativa empresarial capaz de gerar renda, melhorar a vida das pessoas e, ao mesmo tempo, contribuir para a construção de um Brasil mais justo e igualitário.

Neste primeiro sábado de julho, mais de 1 bilhão de cooperados no mundo vão comemorar o 93º Dia Internacional do Cooperativismo com o tema “Escolha cooperativismo, escolha equidade", lembrando que a desigualdade afeta a nossa percepção sobre autoestima e justiça.

De acordo com a ACI, o movimento cooperativista apresenta uma combinação única entre alcance global e conduta empresarial baseada em pessoas.

No Brasil, o Dia Internacional acontecerá concomitantemente ao Dia de Cooperar (Dia C), um movimento de voluntariado desenvolvido pelo sistema cooperativista brasileiro que conta com a participação efetiva das cooperativas como idealizadoras e mantenedoras dos projetos. O objetivo é promover e estimular a integração das ações voluntárias, de norte a sul do país, de forma permanente. Uma vez por ano, as cooperativas realizam uma grande celebração do Dia C de forma simultânea em todo o Brasil.

O Dia C busca concretizar um dos mais importantes princípios cooperativistas: interesse pela comunidade. Em 2014, o Dia C beneficiou quase um milhão de pessoas, contou com cerca de 900 cooperativas totalizando 65 mil voluntários em todo o País. Em 2015, já são mais de 1.100 cooperativas participantes com 1.200 ações voluntárias.

Só no Estado de São Paulo teremos mais de 38 ações. Iremos mobilizar centenas de cooperados e colaboradores em atividades distribuídas nas mais diferentes regiões do Estado. Ao todo, 49 cooperativas estão mobilizadas para levar atividades que proporcionem bem-estar, lazer, cultura, solidariedade e promovam a integração das pessoas. Estamos interagindo cada vez mais com a população e, assim, poderemos mostrar que existe, sim, um caminho mais sustentável para o desenvolvimento.

* Edivaldo Del Grande – Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (OCESP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP/SP)


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