17/08/2012 às 17h39min - Atualizada em 17/08/2012 às 17h39min

Comédia “E O Vento Não Levou” Mostra Bastidores Do Filme Mais Popular De Todos Os Tempos

Numa hilariante corrida contra o tempo, quatro personagens tem a tarefa de escrever o roteiro do clássico filme E o Vento Levou

Teatro Folha / Teatro Amil

Após duas temporadas de sucesso, no Espaço Parlapatões e no Teatro Folha, reestreia no dia 1º de setembro, em horário nobre, a comédia “E O Vento Não Levou”, versão brasileira da peça americana Moonlight and Magnolias (Luar e Magnólias). Escrita por Ron Hutchinson, com tradução de Isser Korik e direção de Roberto Lage, a comédia é baseada em fatos reais e conta a divertida história que ficou famosa nos bastidores de Hollywood, durante as gravações do clássico filme E o Vento Levou.

No palco, quatro personagens – o lendário produtor David O. Selznick (Isser Korik), o roteirista Ben Hecht (Henrique Stroeter), o diretor Victor Fleming (Fábio Cadôr) e uma secretária (Luzia Meneghini) – vivem uma hilariante corrida contra o tempo para escrever um roteiro em cinco dias a partir do famoso best-seller de 1.037 páginas. Esta é a segunda vez que a peça é encenada no Brasil. O cenário é assinado por Gilberto Gawronski, figurinos de Luciano Ferrari, trilha sonora de Fábio Ock e iluminação de Roberto Lage e Paulo Henrique Jordão.

SINOPSE

Em uma manhã de segunda-feira, em fevereiro de 1939, o produtor David O. Selznick (Isser Korik), insatisfeito com o que tinha nas mãos, contrata o roteirista Ben Hecht (Henrique Stroeter) para reescrever todo o roteiro de Sidney Howard para o filme E o Vento Levou, que já estava sendo rodado. Porém, o novo roteirista é um dos únicos em todo o País que nunca leu o romance mais famoso daquele momento.

Se junta a eles o diretor Victor Fleming (Fábio Cadôr), que é tirado das gravações de O Mágico de Oz. Juntos, produtor e diretor, que leram o livro, têm a difícil missão de contar e interpretar as principais cenas do livro, para que Ben Hecht possa assim escrever o novo roteiro do filme que Selznick, pretensiosamente, quer que se torne um marco na história do cinema americano.

Ao conhecer a sinopse do filme, o roteirista fica infeliz, não se impressiona e acha que o romance está fadado ao fracasso. Mas o prazo para finalizar o roteiro é curto. Cinco dias intensos de confinamento regados a água, bananas e amendoins, que o produtor considera ajudar no processo criativo. Ninguém sai do escritório até que o novo roteiro fique pronto.

História, valores e ética

A peça trata de assuntos polêmicos com muito humor, colocando em discussão algumas questões históricas e de valores, como a luta americana pelo fim da escravatura e do racismo. Exemplo é a cena em que os personagens confinados discutem sobre a cena do livro em que uma branca, a mimada personagem Scarlett O´Hara, dá um tapa no rosto de sua serviçal negra, a famosa Prissy. Na peça, o ativista social e roteirista Ben Hecht se nega a incluir a cena em seu roteiro. O espetáculo também discute sobre o propósito das artes, do cinema, da relação com o meio e com o público. Selznick está confiante de que aquilo vai funcionar. Hecht pensa que será como uma bomba em sua carreira e decide tirar seu nome dos créditos. Além disso, Fleming, que também não acredita no sucesso do projeto, opta por um salário fixo ao invés de garantir sua parte nos lucros.

Isser Korik conheceu o texto por intermédio de um amigo. Leu, gostou e entrou em contato com o agente do autor Ron Hutchinson. “Interessei-me pela estrutura da comédia e pelo conteúdo do texto.” A estreia no Espaço Parlapatões significa para ele “uma espécie de volta às origens" nessa trajetória de 27 anos que levou o artista a construir uma sólida história no teatro que começou em 1985, dirigido por Carlos Alberto Soffredini em Minha Nossa, Na Carrêra do Divino e Mais Quero Asno Que Me Carregue Do Que Cavalo Que Me Derrube. Considerado um dos grandes comediantes de sua geração, tem entre seus trabalhos mais marcantes como ator, as comédias Vacalhau & Binho e Vacalhau e Binho 2 - Curso Abançado, que protagonizou durante oito anos ininterruptos. Isser esteve no palco pela última vez em 2006/ 2007, com O Dia em que Raptaram o Papa.

Como diretor, esteve à frente da renovação do Teatro Infantil de São Paulo assinando montagens como Vô Doidim e os Velhos Batutas, Praça de Retalhos, O Grande Inimigo, A Pequena Sereia e Grandes Pequeninos, além de Ele é Fogo!, que lhe rendeu o Prêmio APCA Revelação como autor e diretor. Recriou o gênero da “Revista de Ano” concebendo os espetáculos Revistando 2003, Revistando 2005 e Revistando 2006, renovou o humor com projetos ousados e bem sucedidos como Nunca se Sábado... e Em Pé Sem Cabeça. Dirigiu, ainda, O Mala, de Larry Shue, e a trilogia Enquanto Isso (The Norman Conquests), de Alan Ayckbourn. Entre suas principais produções estão Senhoras e Senhores (2004), Gata Borralheira, Os Sete Gatinhos e O Menino que Virou História (2005), O Estrangeiro (2006), Os Saltimbancos (2008), e a recente montagem carioca, de Moeller e Botelho, de Um Violinista no Telhado. Isser é também diretor artístico da Conteúdo Teatral, responsável pela programação do Teatro Folha em São Paulo, e Teatro Amil, em Campinas, empresa que contabiliza mais de dois milhões de espectadores nesses 10 anos de história, desde sua criação, em 2001.

O diretor Roberto Lage segue o tratamento realista exigido pelo texto. “Acontece no escritório do produtor do filme, com personagens reais, que existiram mesmo, assim como as situações abordadas. É claro que existe um exagero, que é a liberdade de criação do autor.” Ele dirige pela primeira vez o comediante Isser, com quem já havia trabalhado ano passado durante o projeto Te Amo, São Paulo, no Teatro Folha. “Trata-se de uma comédia americana, com texto bem escrito e inteligente. Uma peça bem feita não somente do ponto de vista da carpintaria teatral, mas também das ideias discutidas”, informa Lage. “Leva à reflexão sobre temas como racismo, a exploração do homem pelo homem, a função do artista e as concessões feitas na criação”, explica.

O ator Henrique Stroeter, que interpreta o roteirista Ben Hecht, comenta: “Ao mesmo tempo em que são amigos, os personagens brigam por suas ideias. Enquanto Ben tem o pé atrás e quer mudar todo o roteiro, Selznick tenta convencê-lo de que o filme será um sucesso. Até onde você pode ir para realizar um sonho? A peça propõe uma discussão ética e séria, sempre com bom-humor”. Henrique conta, ainda, que sempre sonhou em trabalhar com Roberto Lage. “Somos amigos há muito tempo, mas nunca aconteceu. Adoro o trabalho dele e estou muito feliz em ser dirigido por ele.”

O ator Fábio Cadôr, que faz o papel do diretor Victor Fleming, diz que para fazer o personagem estudou fotos do artista e um pouco de sua vida, já que vídeos com Victor Fleming são raros. “Vi fotos, analisei expressões, posicionamento. O único vídeo que encontrei dele foi recebendo o Oscar. No auge de sua carreira, ele foi extremamente sucinto e simples... Victor Fleming não era de falar muito”, conta Fábio, que está em seu terceiro trabalho com o diretor Roberto Lage. Os dois estiveram juntos em A Flauta Mágica, em 2008; e Zorro, em 2010”. Em outubro de 2011, Fábio esteve em cartaz com três peças: E o Vento Não Levou, Mambo Italiano e Novelo. O seu trabalho mais recente foi como protagonista do musical Enlace, a Loja do Ourives.

A atriz Luzia Meneghini, que interpreta a divertida secretária Sra. Poppenghul, conta que foi convidada por Isser Korik para fazer parte do projeto E o Vento Não Levou desde o início. “Ele me deu o texto para ler ainda em inglês. Quando me encontro com Isser no palco é sempre uma festa. Nossa visão de teatro é muito parecida, temos uma troca única”, conta a atriz que conheceu ator, autor e produtor teatral há 18 anos na peça Vacalhau & Binho. Entre outros trabalhos juntos, Isser Korik dirigiu Luzia Meneghini em O Mala, de Larry Shue, em 2008, e em 2009, no infantil A Pequena Sereia, de Fábio Torres. Na peça Enquanto Isso, versão brasileira da peça The Norman Conquests, de Alan Ayckbourn, Isser foi o diretor e Luzia fez assistência.

Todos os atores do elenco, Luzia Meneghini, Henrique Stroeter e Fábio Cadôr participaram do Nunca Se Sábado, idealizado e dirigido por Isser Korik, no Teatro Folha. O projeto, que durou quatro anos, fez quatro temporadas de sucesso e recebeu diferentes grupos e atores de comédia.

As obras originais

O livro Gone With The Wind (E o Vento Levou), foi publicado pela primeira vez nos EUA em 1936. Romance situado na Georgia, durante e pós Guerra Civil americana, escrito por Margaret Mitchell, vendeu mais de 30 milhões de cópias, rendeu o maior prêmio de literatura dos EUA a autora, esteve na lista dos 100 melhores livros da revista TIME durante décadas e deu origem a um dos filmes mais populares de todos os tempos, vencedor de 10 prêmios Oscar.

Moonlight and Magnolias estreou em 2005 nos Estados Unidos, com direção de Lynne Meadow. No elenco estavam Matthew Arkin (Ben Hecht), David Rasche (Victor Fleming), Douglas Sills (David O. Selznick) e Margo Skinner (Mrs. Poppenghul).

FICHA TÉCNICA:

Texto: Ron Hutchinson

Tradução: Isser Korik

Direção: Roberto Lage

Elenco: Isser Korik, Henrique Stroeter, Fabio Cadôr e Luzia Meneghini

Cenários: Gilberto Gawronski

Figurinos: Luciano Ferrari

Sonoplastia: Fabio Ock

Iluminação: Roberto Lage e Paulo Henrique Jordão

Edição de Filmagem: Gustavo Hadad

Coordenação de Produção: Isabel Gomez

Produção Executiva: Manuela Figueiredo

SERVIÇO

Local: Teatro Folha

Estreia: 01 de setembro

Temporada: até 15 de dezembro

Horários: Sábado, 22h

Ingressos: R$ 40 (setor 2) e R$ 50 (setor 1)

Duração: 90 minutos

Classificação indicativa: Livre

*Valores referentes a ingressos inteiros. Meia entrada disponível em todas as sessões e setores de acordo com a legislação.

TEATRO FOLHA

Shopping Pátio Higienópolis

Av. Higienópolis, 618 / Terraço / tel: (11) 3823-2323

Televendas: (11) 3823-2737 / Site: www.teatrofolha.com.br

Vendas por telefone e internet/ Capacidade: 305 lugares / Não aceita cheques / Aceita os cartões de crédito: todos da Mastercard, Redecard, Visa, Visa Electron e Amex / Estudantes e idosos têm os descontos legais / Clube Folha 25% desconto / Horário de funcionamento da bilheteria: de terça a quinta, das 15h às 21h; sexta, das 13h às 24h, sábado, das 12h às 24h e domingo, 12h às 20h / Acesso para deficientes físicos / Ar condicionado / Estacionamento do Shopping a R$ 8,00 (primeiras duas horas) / Venda de espetáculos para grupos e escolas: (11) 3104-4885 / PATROCÍNIO: Folha de S. Paulo, CSN e Hospital Samaritano.

SOBRE A CONTEÚDO TEATRAL

O grupo empresarial paulista Conteúdo Teatral atua há mais de dez anos em duas vertentes: gestão de salas de espaços e produção de espetáculos. Como gestora é responsável pela operação do Teatro Folha, situado no Shopping Pátio Higienópolis em São Paulo e pelo Teatro Amil, no Parque D. Pedro Shopping em Campinas. Essa frente conta com direção artística de Isser Korik e direção comercial de Léo Steinbruch, programando, em regime de co-produção, espetáculos que unam qualidade artística e acabamento profissional em regimes de temporada. Ao todo, as casas somam perto de 2 milhões de espectadores, no período de atuação da empresa.

Como produtora de espetáculos, sob direção artística de Isser Korik, produziu dezenas de peças voltadas ao público infantil e adulto, como Gata Borralheira, O Grande Inimigo, Os Saltimbancos, A Pequena Sereia, Grandes Pequeninos e Branca de Neve e os Sete Anões para as crianças. Aos adultos foram produzidas, entre outras montagens, Os Sete Gatinhos, O Estrangeiro, Senhoras e Senhores, O Dia que Raptaram o Papa, O Mala, Te Amo, São Paulo e a trilogia Enquanto Isso..., além de projetos de humor - como Nunca Se Sábado...-, mostras e o musical Um Violinista no Telhado.


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