16/06/2015 às 14h05min - Atualizada em 16/06/2015 às 14h05min

Comportamento dos jovens pode levar à infertilidade na fase adulta

Consumir álcool, fumar, manter relações sexuais sem camisinha, entre outros hábitos comuns na adolescência, podem atrapalhar quando chega o desejo de se formar uma família

Hipertexto Assessoria de Imprensa e Consultoria
Divulgação Santafertil

Se, para muitos casais, as dificuldades para engravidar e a infertilidade causam dor de cabeça, aos dezoito ou vinte poucos anos de idade, a realidade de se constituir uma família parece bem distante para outros tantos. Porém, mais hora ou menos hora, o desejo de formar uma família pode chegar e, então, surge um questionamento: você cuidou bem da sua saúde para que não tenha problemas ao tentar engravidar? O descuido em relação ao uso de preservativos, rotinas com noites sem dormir, dietas pobres, ingestão de álcool e tabagismo, mesmo que esporádico, são comuns nessa faixa etária e podem resultar em infertilidade mais tarde.

Segundo a pesquisa Durex Global Sex, divulgada na última quarta (24) em São Paulo, jovens que não tiveram aulas de educação sexual na escola ou não costumam tratar do tema com os pais, têm probabilidade 47,1% menor de optar pelo uso da camisinha na primeira relação sexual. Ao negligenciar o uso de preservativos, o jovem pode contrair doenças sexualmente transmissíveis (DST) com consequências à fertilidade. “A gonorreia e a clamídia, se não tratadas, podem levar a inflamações na região pélvica e, posteriormente, à infertilidade ou gravidez ectópica - quando a gestação se inicia fora do útero”, explica o diretor do Centro de Medicina Reprodutiva SantaFértil, Dr. Ricardo Leão. Ele acrescenta que é muito comum a doença ocorrer de forma assintomática, o que atrasa o diagnóstico e, consequentemente, o início do tratamento.

A bactéria Chlamídia, por exemplo, pode agir silenciosamente por anos causando inflamações e lesões que comprometem o bom funcionamento dos órgãos reprodutivos femininos, em especial as Trompas de Falópio. De acordo com Ricardo Leão, nesse caso, a mulher pode ter dificuldade de engravidar ou uma gravidez nas trompas por perder os mecanismos tanto de captação do óvulo como o de fertilização e posterior condução do embrião formado até o útero. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 90 milhões de novos casos de infecções por clamídia ocorram por ano em todo o mundo, sendo que em 50% dos homens e 70% das mulheres, ela é assintomática.

Já a alimentação errada pode levar o jovem à obesidade, outro fator que aumenta as chances de infertilidade. Segundo estudo do Departamento de Obstetrícia, Ginecologia e Biologia Reprodutiva da Universidade de Michigan, a chance de mulheres obesas engravidarem e conseguirem levar a gestação até o fim é 28% menor em relação às que estão no peso ideal.  “Os quilos extras normalmente abalam a saúde cardiovascular, o equilíbrio hormonal e a estrutura anatômica, podendo causar também um distúrbio de transmissão de sinais hormonais, afetando seriamente a fertilidade”, afirma Ricardo.

Ele defende que gravidez é algo a ser pensado em longo prazo e acrescenta que consumo de álcool e tabagismo também podem trazer consequências futuras. Segundo o especialista em reprodução assistida, nos homens, o cigarro piora os parâmetros de análise do sêmen e as provas funcionais dos espermatozoides, assim como o álcool. Na mulher, o fumo faz crescer o risco de abortamento e gravidez ectópica, enquanto a ingestão de bebidas alcoólicas provoca alterações hormonais. “O tabaco ainda diminui a motilidade tubária, dificultando a movimentação e a passagem do espermatozoide na hora da fecundação. Além disso, o fumo também pode levar à antecipação de até quatro anos da menopausa”, esclarece Ricardo.

Tratamento

Segundo o médico, os tratamentos para as conseqüências causadas por doenças sexualmente transmissíveis variam de acordo com cada caso. Ele explica que, quando detectadas logo no início, o uso de medicamentos traz bons resultados. Porém, se constatada em estágio mais avançado, o prognóstico vai depender da extensão ou da localização da lesão. “Se for pequena e de fácil acesso, pode ser eliminada com uma intervenção cirúrgica para recuperar a trompa, devolvendo sua funcionalidade. Se for uma lesão de maiores proporções, não é aconselhável operar. Então, o processo de Fertilização in Vitro é recomendado para que a mulher consiga engravidar”, resume o especialista.

Ricardo Leão aponta a prevenção como melhor opção, seja para jovens ou pessoas mais maduras. “Não importa se você tem 20 ou 50 anos, você pode contrair uma DST, assim, o uso de preservativos é a melhor medida. Também é importante ser sincero com seu médico a respeito de sua vida sexual para que ele possa identificar qualquer doença o quanto antes”, frisa. Ele fala ainda da importância desse rastreamento na detecção de alterações que não interferem na fertilidade, mas na vida, como HPV, câncer de colo de útero e HIV.


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