16/06/2015 às 13h53min - Atualizada em 16/06/2015 às 13h53min

Além dos esqueletos no laboratório

por André Luís Parreira é professor de Física, mestre em Educação Tecnológica

Hipertexto Assessoria de Imprensa e Consultoria
Divulgação Hiperlab Equipamentos Científicos

Empolgada por ter ido pela primeira vez ao laboratório da escola, minha filha me contou sobre seu contato com um esqueleto humano. Como pai, senti alegria ao vê-la comemorar a atividade esperada durante todo o ano. Mas, como professor-motivador do uso da tecnologia educacional, me vejo na obrigação de questionar quando e como tudo ocorreu. Primeiramente, a logística: não seria mais fácil levar o esqueleto até a sala de aula? Ou que cada sala tivesse seu esqueleto, assim como outros objetos como torso humano, mapas, globo terrestre? Enquanto salas vivenciais ou bem equipadas são tendência há anos, minha filha conheceu o laboratório no segundo semestre de seu quinto ano do ensino fundamental.

Já não custam tão caro softwares e lousas digitais que apresentam o corpo humano em três dimensões, com suas funções em diversos ângulos. Atividades que permitem por a mão na massa não podem ser dispensadas. Crianças, desde os primeiros anos, precisam de aulas experimentais. E, na visão contemporânea da escola 3.0, experimentar o mundo deve ser uma constante dentro do currículo escolar – e isso não significa ir ao laboratório.

 


A tecnologia pode ser parceira da educação (Divulgação)
 

Experimentar é palavra de lei. Objetos do cotidiano, o pátio da escola, uma horta ou mesmo a casa do aluno podem servir para experimentos elaborados e educativos. Ressalto que nações desenvolvidas já conhecem os resultados da tecnologia a favor do ensino de Ciências, laptops sensores e smartphones coletam dados e imagens para estudos. Na própria escola, estudantes podem ainda viajar por dentro do corpo humano, da Amazônia ou pelo espaço sideral dentro de um planetário digital – isso mesmo no Brasil.

E, quem concluiu o ensino médio pode se lembrar das dificuldades enfrentadas pelos professores para tornar compreensíveis os movimentos representados por gráficos nas aulas de física. Hoje, em países desenvolvidos e até em algumas escolas de nosso país, alunos acompanham, por smartphone, a medição da distância e velocidade de uma bola, que cai das mãos do professor diante de um sensor, traçando um gráfico em tempo real e enviando os dados diretamente para o email, conteúdo que será usado para o dever de casa.

No caminho para casa, é possível filmar a aceleração de alguns veículos ao abrir o semáforo e usar tais informações como objeto de estudo. De casa, os estudantes podem concluir atividades de geografia acessando, pela internet, os dados de uma estação meteorológica instalada na escola. 

Parece filme de ficção científica? Talvez para a maioria dos estudantes brasileiros. Mas não me venham com a ideia de que o ensino tradicional é o que garante a aprendizagem. Países que fazem intensivo uso das tecnologias na educação se mantêm na liderança dos exames mundiais, como o PISA, enquanto o Brasil ainda ocupa os últimos lugares.

Mesmo aqui, algumas escolas já abriram os olhos para essa realidade e não apenas as particulares. O  Coluni (Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais), por exemplo, é a única escola pública entre as 20 melhores do país no ranking do Ministério da Educação.

Não que a tecnologia seja a única responsável por sucessos, longe disso. Valorização e formação dos profissionais, estrutura, pré-requisitos dos estudantes e outras variáveis interferem, mas fica claro que nos locais onde há sucesso educacional, encontramos o bom uso da tecnologia. Esperamos que todos os alunos possam sim conhecer o esqueleto, mas também a tecnologia ainda tão distante das salas de aula.

André Luís Parreira é professor de Física, mestre em Educação Tecnológica, diretor das empresas Hiperlab (Brasil) e Plus Education Inc (EUA), além de consultor de projetos, laboratórios de ensino de ciências e divulgação científica.


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