16/06/2015 às 12h36min - Atualizada em 17/06/2015 às 15h25min

Debate sobre captação de água de chuva mostra a necessidade da união entre sociedade civil e governo para viabilizar prática

Evento realizado na Câmara Municipal de São Paulo culminou em documento com sugestões a serem trabalhadas entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil

Divulgação

Uma carta com propostas que podem ser colocadas em prática para viabilizar mais rapidamente a formalização de sistemas de captação de água de chuva em grandes cidades foi elaborada por representantes e especialistas do setor hídrico do país durante o evento  “Os desafios da captação da água de chuva nos grandes centros urbanos – uma nova maneira de se relacionar com a água”, realizado no último dia 11, na Câmara Municipal de São Paulo.

A carta, direcionada ao vereador Gilberto Natalini e à Câmara Municipal propõe, entre outros itens, o estimulo da implantação do IPTU verde, dando desconto para quem captar água de chuva; criar legislação para a obrigatoriedade de uso de pisos permeáveis em novos projetos (e incentivo para modificação de obras já existentes) para grandes áreas públicas, construções privadas, estacionamentos, que infiltrem água e reduza enchentes; revisão da norma de água de chuva incluindo novas necessidades que podem atender as demandas do cenário atual. O documento foi elaborado partir dos pontos de discussão do evento que reuniu sociedade civil, representantes de entidades públicas e privadas, além de interessados no tema. 

“Nosso objetivo é que o documento incentive as autoridades a viabilizar pautas sobre o tema que estão em discussão na Câmara. Além disso, também queremos que o documento se torne referência para a contínua discussão e para verificarmos o quanto evoluímos na solução de problemas causados pela crise hídrica”, disse o diretor de Infraestrutura da Acqualimp, Fabiano Gonçalves, mediador da mesa de discussão do painel.

O evento contou com as presenças de Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, Pedro Mancusodiretor administrativo do CEAP (Centro de Apoio à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo) e presidente do CERSA (Centro de Referência em Segurança da Água), Plínio Thomaz, especialista em água de chuva e Amauri Ramos, sócio-presidente da Brasplan, consultoria especializada em água e sustentabilidade. Na ocasião, os especialistas apresentaram os benefícios da captação de água de chuva, alertando para que a prática obedeça normas, garantindo água de qualidade e em segurança para os usuários.

“Com a crise hídrica e com a falta de informação, a população começou a improvisar formas de captação e armazenamento de água em baldes, tanques ou reaproveitando galões utilizados para produtos químicos e que acabam acarretando em novos problemas pra sociedade. Dessa forma, além do trabalho das empresas em fornecer soluções e equipamentos para o armazenamento de água, também é necessário um forte trabalho de conscientização da população sobre como fazer essa pratica adequadamente e educar novas gerações para que nos próximos anos essas práticas estejam implantadas nos hábitos da nossa cultura.é preciso que seja feita”, alertou o consultor Amauri Ramos.

A importância da educação e da mudança permanente dos hábitos da população para diminuir o consumo de água e preservar o recurso hídrico, que se tornará cada vez mais escasso, foi o tema da apresentação .de uma das idealizadoras da iniciativa “Água, Cuido porque Amo”, Cássia Lago .“Precisamos mostrar aos cidadãos que todos nós podemos e devemos assumir papel mais atuante e permanente na questão, colocando em prática, no dia-a-dia, ações para diminuir a quantidade de água consumida e desperdiçada mesmo quando a chuva voltar”, afirmou.


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