18/06/2015 às 00h22min - Atualizada em 18/06/2015 às 00h22min

Lei de zoneamento ameaça área residencial na Vila Paulista

Proposta também coloca em risco patrimônio tombado pelo CONDEPHAAT e qualidade do ar da população

Predicado Comunicação

A Minuta da Revisão Participativa da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) enviada para apreciação da Câmara dos Vereadores sugere alterar a classificação da Rua Bento de Andrade, no Jardim Paulista, de Zona de Corredor (ZCOR1) para Zona de Centralidade (ZC). Na prática, a alteração vai permitir uso ilimitado para o comércio na via, o que fatalmente vai prejudicar a área residencial ao redor, que forma a Vila Paulista.

“Essa modificação vai permitir todo o tipo de negócios na Bento de Andrade, como um shopping, hotel ou salão de festas. Isso vai provocar um movimento de pessoas e carros que o bairro não está preparado para suportar. Uma situação que vai acabar com o ambiente residencial que os moradores escolheram para viver”, diz o presidente da Sovipa - Associação dos Moradores e Amigos da Vila Paulista, Sergio Reitzfeld.

Por conta própria, os habitantes do local promoveram melhorias no bairro relacionadas a proteção ambiental, saúde, trânsito responsável e segurança. Além disso, o quadrilátero que engloba a Vila Paulista, inclusive a rua Bento de Andrade, faz parte do patrimônio tombado pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico.

Além disso, a região, em conjunto com o restante do Jardins, faz parte de um dos maiores bolsões verdes cidade, com alta concentração de natureza preservada. Essa característica cumpre a função de contribuir com a qualidade do ar no município, o que é de interesse coletivo e não apenas dos moradores do bairro.

“Tudo isso o que realizamos nos últimos tempos, a revitalização e preservação desse pedaço da cidade, vai ficar em risco com a mudança proposta pela minuta. Estamos nos organizando para tentar sensibilizar os vereadores e fazer com que impeçam esse retrocesso”, finaliza Reitzfeld.

Essa dedicação está relacionada à suposição de que a administração pública vai honrar o compromisso de manter o espaço como residencial. Essa condição é fundamental para que os moradores decidam investir para residir no local, muitas vezes empregando economias de toda uma vida para a realização de um sonho. É necessário que as autoridades municipais ofereçam segurança jurídica para essa escolha.

Por fim, é necessário dar atenção à afirmação do arquiteto e urbanista, professor emérito da FAU-USP, Cândido Malta Campos: “O direito de morar tranquilo é fundamental. O administrador de toda cidade civilizada deve assegurar o direito de ir e vir associado ao de morar bem. (...) Em São Paulo, há poucas ilhas de tranquilidade, bairros que são unidades de vizinhança poupadas do caos urbano que impera. O projeto de zoneamento anunciado pelo prefeito Fernando Haddad, sem nenhuma articulação com o sistema de circulação, coloca em risco essas ilhas”.

 


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