03/06/2015 às 17h24min - Atualizada em 03/06/2015 às 17h24min

O efeito devastador das “cantadas de rua”

Especialista afirma que cantadas não são elogios, mas sim, assédios

Rodrigo Freitas

Comum no cotidiano das grandes metrópoles, as famosas “cantadas de rua” fazem parte do dia a dia de muitas brasileiras. Segundo a psicóloga e professora da Universidade Campinas, Nereida Salette da Silveira, certas situações do cotidiano parecem inofensivas, mas carregam uma imensa carga de agressividade.    

“O assédio de rua, diferentemente de um flerte, não tem como finalidade iniciar um relacionamento. Seu objetivo cataliza-se no próprio ato. É por isso que é violento”,  – afirma a especialista.

Os assédios de rua podem ser caracterizados de diversas maneiras, vão desde ações verbais ou gestos até a ações em lugares públicos, direcionados a uma pessoa com base nas relações de gêneros. O ato se faz por meio de assobios, insultos, palavras de baixo calão, pedido de número de telefone, agressão sexual, entre outros.

Ainda que muitos não reconheçam as “cantadas de rua”, típicas nos países latinos, como assédio, para a especialista o ato é considerado ilícito.

Alguns países como a Bélgica, também considera a pratica como um ato ilegal. Outros, como Alemanha, França, Espanha, Noruega, Suécia, embora não possuam uma legislação específica, possuem medidas severas,caso a vítima denuncie e diga que foi humilhada ou intimidada. 

Com o crescimento da prática, países da América do Sul, como Peru e Argentina estão debatendo a criação de leis que coíbam as cantadas insultantes. No Brasil, embora o tema não tenha chegado à casa legisladora, já ganhou espaço nas redes sociais com a campanha contra o assédio sexual em espaços públicos, “Chega de Fiu Fiu”, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. A campanha identificou que 83% das mulheres não gosta de receber cantadas.

Embora algumas pessoas defendam que a cantada é inofensiva, estudos mostram que a exposição constante a este tipo de assédio pode ter diversos impactos psicológicos negativos sobre as mulheres, que incluem uma sensação persistente de insegurança, perda de autoestima, desenvolvimento de sintomas de depressão, além de ansiedade e estresse. Segundo a psicóloga ao se deparar com tal situação, muitas mulheres se veem privadas de realizar atividades tidas como naturais e são obrigadas a mudar seus trajetos e horários.       

Ela ainda salienta que por a cantada ser um comportamento cultural, mas do que discutir sua criminalização é necessário que se adote medidas educativas tanto no ambiente familiar, quanto na escola. “Só por meio da educação poderemos construir uma sociedade mais igualitária”, afirma.


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