23/05/2022 às 10h58min - Atualizada em 23/05/2022 às 21h20min

Família e escola: uma parceria necessária

Maria Emília Rodrigues (*)

SALA DA NOTÍCIA Maria Emília Rodrigues
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Dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) revelam que a média de desempenho dos estudantes cujos pais acompanham a vida escolar dos filhos, é maior do que daqueles que não acompanham. No entanto, muito se tem criticado a ausência da participação da família no cotidiano escolar e, além disso, sobre como ela tem transferido sua responsabilidade na educação dos filhos para a escola. Assim, antes de falarmos sobre a importância da família na vida escolar de crianças e adolescentes, é necessário também delimitar a função de cada uma dessas instituições no que tange à educação em sentido amplo.

A família – ou melhor, “famílias”, de todos os tipos e formatos existentes – é a instituição responsável pela socialização primária dos indivíduos. O que significa que cabe a ela o ensino de noções básicas da vida em sociedade em determinada cultura, que vão desde a língua e os costumes, até os valores e princípios éticos e morais. Claro que a escola também cumpre um importante papel nesses aspectos, mas de maneira complementar, pois sua função primordial está na transmissão, construção e reconstrução do conhecimento científico.

Ocorre que, em um mundo cada vez mais competitivo e pautado pelo consumo, que exige maior dedicação dos indivíduos ao trabalho, as famílias têm tido pouco tempo para se dedicarem aos filhos. Assim, parte importante da formação acaba sendo negligenciada, pois a escola não tem como, sozinha (bem como nem seria sua função), dar conta de todo o processo educativo. Porém, se os pais ou responsáveis não dispõem de muito tempo para a educação dos filhos, como então podemos esperar que participem mais do cotidiano escolar? O que fazer diante dessa contradição?

Estabelecer uma parceria em que cada uma das partes se comprometa, dentro das suas possibilidades, a cumprir suas funções dentro do processo formativo. A escola pode estabelecer cronogramas de reuniões em turnos diferenciados, criar diferentes canais de comunicação institucionais com as famílias via redes sociais, promover festas e eventos que reúnam toda a comunidade escolar e implementar uma gestão que seja, de fato, democrática.

As famílias devem deixar de ser apenas cobradoras, mas aliadas da escola, favorecendo o processo de ensino-aprendizagem ao se proporem a ouvir e dialogar com os educadores em relação a questões disciplinares e de desempenho acadêmico. Reservar um tempo para realizar as tarefas em conjunto com os filhos (e não só cobrá-los) e sempre que possível, estar presente na escola. Atuando de forma conjunta, nenhuma das instituições é sobrecarregada e cria-se um ambiente de acolhimento necessário ao desenvolvimento cognitivo, psicológico e afetivo de crianças e adolescentes.

*Maria Emília Rodrigues é Mestra em Sociologia. Professora da Área de Humanidades, do curso de Sociologia do Centro Universitário Internacional Uninter.
 
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