28/05/2015 às 15h42min - Atualizada em 28/05/2015 às 15h42min

Água: é preciso saber usar e reutilizar

A adoção de políticas públicas consistentes permitiria o desenvolvimento de programas abrangentes voltados ao reúso da água tratada, envolvendo governos e sociedade em torno da racionalização dos recursos hídricos

Carmen Rosa

Por Hélcio da Silveira*

 

No dia 05 de junho comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente e, neste ano, o tema “Sete bilhões de sonhos. Um planeta. Consuma com cuidado.” não poderia ser mais apropriado. Seca, geração e destinação de resíduo, falta de saneamento, poluição e desmatamento são alguns dos fatores que, integrados, estão afetando o dia a dia das pessoas.

 

O fenômeno mais recente foi a forte redução das chuvas em regiões sem histórico deste tipo de ocorrência. Diversas partes do país enfrentam uma preocupante crise hídrica, fato que vem provocando discussões em torno da necessidade da adoção de novos hábitos de consumo dos recursos naturais, em especial a água.

 

Os baixos índices de chuvas e a consequente redução das reservas de água acenderam um sinal de alerta sobre o futuro que queremos para todos. Mais do que pensar no futuro, a nova realidade demonstra a urgência de se agir no presente.

 

São vários os entraves, entre eles, abastecimento e tratamento de esgoto sanitário, que ainda não chegam à totalidade da população. Falta conhecimento para o uso racional da água, investimentos para reduzir perdas e conscientização para a definição de políticas públicas, envolvendo indivíduos, sociedade e poderes constituídos, que resultem em ações eficazes, capazes de melhorar o ambiente em que vivemos.

 

Alguns dados ilustram um cenário que já é realidade: 85% da população vive em áreas áridas; em 2030, estima-se que 50% estarão sob alto comprometimento hídrico; 6 a 8 milhões de pessoas morrem em decorrência das questões relacionadas à água; 750 milhões não têm acesso à água potável e 2,5 bilhões a saneamento, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

 

Paralelamente ao básico – acesso à água, educação e conscientização -, precisamos ir além das atuais medidas de combate ao mau uso do recurso. Utilização racional consiste em consumir menos e melhor, promovendo o aumento da quantidade e da qualidade da água.

 

O reúso de água tratada em finalidades não potáveis é uma solução bastante viável e ainda pouco utilizada no país. A boa notícia é que o assunto já é tema de discussões da Agência Nacional da Água (ANA), em torno de um Programa de Reúso de Efluentes Tratados, um passo importante para a concretização de uma política pública que envolva governos e sociedade na adoção de métodos de reutilização. 

 

Uma vez assumido como um tema de Estado, seria possível, com maior veemência, a identificação de obstáculos, a determinação de incentivos, formas de capacitação técnica, formação de programas de apoio e, claro, a regulamentação da atividade, com legislação coerente à realidade do Brasil, que permitirá uma gestão realista dos recursos hídricos, estabelecendo os padrões adequados da relação finalidade do reúso x índice de nobreza da água tratada.

 

Os comentários de especialistas convergem a um ponto: os desafios a esta prática são muitos, mas seus benefícios também. A excelência, no entanto, exige know-how em todas as etapas - projetos com metodologia completa, incluindo normas, legislação e equipe técnica capacitada. O país conta com tecnologias, empresas e pessoal habilitado para desenvolver e operar sistemas de reúso de efluente tratado, mas falta um elo que integre tudo isso: uma política de Estado.

 

Um programa amplo permitirá a criação de uma cultura voltada ao reaproveitamento da água, combatendo os preconceitos que ainda existem em relação à iniciativa, além de ampliar a oferta da água e reduzir custos de tratamento de efluentes. Utilizamos muito mais água do que precisamos e do que disponibilizamos e uma parcela significativa é mal utilizada. Não há mais tempo a perder. A ação é urgente.

 

* Hélcio da Silveira é Diretor da Mizumo - referência nacional em soluções para tratamento de esgoto sanitário e integrante do Grupo Jacto, com atuação em diversos setores industriais.

 

 

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