03/05/2015 às 20h39min - Atualizada em 03/05/2015 às 20h39min

África do Sul tem nova marcha contra a xenofobia

ONU condenou a violência e reconheceu os esforços do governo sul-africano para conter a violência no país. Exército foi mobilizado

Redação brazilafrica com informações da AFP
Gianluigi Guercia/AFP

Milhares de pessoas participaram de uma passeata nesta quinta-feira (23) no centro de Johannesburgo, a maior cidade da África do Sul, para protestar contra a violência xenófoba, após uma nova incursão noturna da polícia e do exército em um bairro da cidade.

A passeata reuniu cerca de 30 mil pessoas, segundo os observadores presentes. No início da manifestação, o chefe do governo provincial de Gauteng (região de Johannesburgo e Pretória), David Makhura, declarou estar “muito feliz com a resposta da população”.

“Além da violência, queremos mobilizar e educar a população, implementar estruturas para tornar este país mais acolhedor”, afirmou Makhura. Os manifestantes tanto locais como estrangeiros carregavam faixas como dizeres “Somos todos um”, “África Unida” e “Sejam bem vindos estrangeiros”.

Na quarta-feira (22) o secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou a onda de ataques xenófobos na África do Sul e enviou suas condolências as famílias das vítimas.

De acordo com nota da ONU, Ban Ki-moon reconheceu as ações do governo sul-africano e do presidente Jacob Zuma para por fim à violência. O secretário-geral também disse ser bem vinda as manifestações de muitos sul-africanos que pedem a coexistência pacífica e harmônica com os estrangeiros.

O presidente Zuma pediu no sábado aos estrangeiros que permaneçam na África do Sul. Os imigrantes do continente que trabalham no país estão em alerta máximo, enquanto cresce a pressão diplomática para evitar a tragédia de 2008.

Desde os primeiros dias de março, uma nova onda de ataques xenófobos em Durban (leste) e em Johannesburgo deixou pelo menos sete mortos, lembrando os tristes levantes anti-imigrantes de 2008, que deixaram 62 mortos.

A África do Sul — acusada de inação ante os ataques xenófobos ocorridos desde 2008 — decidiu usar o exército para apoiar a polícia nas operações de manutenção da paz nos distritos afetados pela violência.

“O exército é a última linha de defesa. Será empregado como força de dissuasão contra a criminalidade”, declarou a ministra da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula.
Na quarta-feira à noite, a polícia sul-africana, reforçada pelo exército, realizou uma demonstração de força no bairro de Alexandra, em Johannesburgo.

Nesse bairro, com uma reputação de perigoso e onde vivem 400 mil pessoas em pequenas casas de alvenaria ou barracos de madeira, um moçambicano morreu esfaqueado no sábado (18).

De acordo com o Centro para as Migrações Africanas da Universidade de Witwatersrand (África do Sul), mais de 350 estrangeiros foram mortos no país desde 2008. A grande maioria destes crimes ficou impune.

Essa onda antiestrangeiros é reflexo das frustrações da maioria negra do país, que ainda sofre economicamente, e do reaparecimento de uma cultura violenta agravada sob o apartheid.

 

 


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »