26/07/2012 às 11h34min - Atualizada em 26/07/2012 às 11h34min

Após 2 anos de pesquisa, Coletivo bruto estréia o espetaculo

“O QUE ESTÁ AQUI É O QUE SOBROU”, Dia 03 de agosto no Galpão do Folias

Sylvio Novelli

Foram praticamente dois anos de trabalho para a construção da dramaturgia, definição dos rumos da encenação e demais elementos para composição da montagem, abrindo – ao longo desse período – experimentações para buscar referências e opiniões do público. Finalizadas todas essas etapas, parte delas viabilizadas pelo Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, o Coletivo Bruto apresenta seu mais novo espetáculo “O Que Está Aqui É O Que Sobrou”, que estreia curta temporada no dia 03 de agosto, às 21h, no Galpão do Folias. Com direção compartilhada por Maria Tendlau e Paulo Barcellos, a montagem tem sessões às sextas e sábados às 21h e domingos às 19h, até o dia 26 de agosto.

“O Que Está Aqui É O Que Sobrou” é livremente inspirada nas obras “O Declínio do Egoísta Johann Fatzer” (Brecht e Müller) e em “Héracles 2 ou a Hidra” (Heiner Müller)  e traz no elenco os atores Wilson Julião, Paulo Barcellos, Luiz Henrique Lopes e Ieltxu Martinez Ortueta.

 

Pesquisa - A montagem dá continuidade a uma linha mais ampla de pesquisa, que se iniciou com o processo de montagem do primeiro espetáculo do grupo, “Guerra Cega Simplex Feche os Olhos e Voe ou Guerra Malvada” (2008). “O texto de Armin Petras e Pernille Sonne, ‘Guerra Cega Simplex...’, é claramente inspirado na obra de Heiner Müller e contém inúmeras referências a ela, o que nos levou naturalmente ao estudo da peça incompleta de Brecht ‘O Declínio do Egoísta Johann Fatzer’, postumamente organizada e editada por Müller e emHeracles 2 ou a Hidra’, também de Müller,   explica a co-diretora da montagem Maria Tendlau.

Ela acrescenta ainda que “interessa-nos em Fatzer, em Heracles alguns temas comuns: o estado de suspensão política, temporal e territorial, a convivência e o egoísmo, o terror, os mecanismos de controle e a dificuldade de analise dos contextos em que os personagens estão inseridos”.

Para Paulo Barcellos “O Que Está Aqui É O Que Sobrou”, possibilita que coletivo possa manter sua linha híbrida de concepção com a contaminação da cena teatral por outras atividades poéticas, como exibições de vídeo arte e música. “Propusemos uma encenação em que os personagens tentam fazer uma análise de conjuntura, para se posicionar politicamente, mas diante da dificuldade, fracassam. São quatro documentaristas que tentam editar um documentário e se veem absorvidos por uma profusão de imagens que não conseguem organizar em um discurso poético capaz de traduzir um consenso entre eles”, conta Barcellos.

 

O ator e diretor explica ainda: “Convivemos assim com toda espécie de imagem colhida na Internet, referencias pops, discursos absurdos veiculados na TV e na web. O espaço cênico é envolvido por três telas de projeção e as imagens, ora dialogam com a cena, ora funcionam como fundo cenográfico e ora apenas atordoam os atuadores. Estas imagens sempre estão remetendo ao mundo exterior ao espaço cênico, não permitindo aos personagens, se desconectarem de um discurso imagético que foi produzido ou como cultura de massa, ou como cobertura jornalística, ou como memória do próprio processo de criação”.

 

Sinopse - Um grupo de documentaristas, reclusos em uma “ilha de edição”, debate como finalizar um difícil trabalho de reunir entrevistas gravadas em vídeo e na web. Essa ação é entrecortada com trechos da peça “O Declínio do Egoísta Johan Fatzer” de Heinner Müller e Bertold Brecht. Envolvidos por um emaranhado de imagens reais e ficcionais o grupo fracassa em sua tarefa quando a violência cotidiana se volta contra o próprio eles. O que resta é abandonar suas velhas ideologias na tentativa de encontrar uma saída e planificar o aprendizado coletivo.

 

COLETIVO BRUTO

O Coletivo Bruto surge em 2007 da reunião de artistas de diferentes e múltiplas formações com o interesse de formar um grupo de criação em artes que trabalhasse um hibridismo entre linguagens e seu diálogo na composição de obras artísticas. O primeiro trabalho foi em cima do texto do autor alemão Armin Petras, “Guerra Cega Simplex Feche os Olhos e Voe ou Guerra Malvada”. A estrutura da peça fragmentária, não dramática, possibilitou ao grupo experimentar a articulação entre vídeo, dança, artes plásticas, música, filosofia e teatro nessa montagem inaugural. A montagem foi contemplada pelo PAC - Programa de Apoio à Cultura do Estado de São Paulo, no fim de 2007, o Coletivo pode apresentá-la nas cidades de São Bernardo do Campo, São José do Rio Preto e São Carlos.


Em 2009, o Coletivo Bruto realizou o programa de residência Guerra Total ou a Perder de Vista no TUSP, Teatro da Universidade de São Paulo, com palestras, aulas abertas, oficinas, temporadas dos espetáculos: A Construção, Em Alguma Margem, no Rio de Janeiro e do show Anarquia da Fantasia, trabalhos de integrantes do Coletivo, além da temporada de Guerra Cega Simplex. Essa residência gerou três indicações ao Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro: direção (Maria Tendlau), ocupação de espaço e grupo revelação.

Contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2010, o Coletivo Bruto circulou com Guerra Cega Simplex Feche os Olhos e Voe ou Guerra Malvada por quatro capitais brasileiras: Rio de Janeiro, Fortaleza, Natal e Belo Horizonte. Em julho de 2010, apresentamos Guerra Cega Simplex no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto – FIT.


Ainda em 2010, o Coletivo Bruto foi convidado pela curadoria interdisciplinar do Centro Cultural São Paulo a integrar a 2a edição do Projeto Zona de Risco – Derivas. Deste modo, nos meses de setembro, outubro e novembro, durante a assim denominada Habitação Bruta, o Coletivo Bruto realizou uma série de obras/processos que se incorporaram à pesquisa de “O Que Está Aqui é O Que Sobrou”.

 

FICHA TÉCNICA – “O QUE ESTÁ AQUI É O QUE SOBROU”

Direção: Maria Tendlau e Paulo Barcellos

Elenco: Wilson Julião, Paulo Barcellos, Luiz Henrique Lopes e Ieltxu Martinez Ortueta

Pesquisa de dramaturgia: Coletivo Bruto 

Colaborador de dramaturgia: Alexandre Dal Farra

Organização final de dramaturgia: Maria Tendlau, Paulo Barcellos e Alexandre Dal Farra

Projeto de Luz: Daniel Gozales

Produção executiva: Maria Fernanda Coelho

Coordenação técnica: Paulo Barcellos

Operação técnica: Marcos Cruz e Daniel Gonzales

 

  • SERVIÇO

Estreia: 03 de agosto

Temporada: até 26 de agosto

Local: Galpão do Folias

Horários: Sextas e sábados às 21h e domingos às 19h

Capacidade: 90 lugares

Endereço: Rua Ana Cintra, 213 - Santa Cecília. Telefone: (11) 3361-2223

Telefone: (11) 3333-2837

Duração: 120 minutos

Classificação Etária: 16 anos

Ingressos: R$15,00


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