24/07/2012 às 00h30min - Atualizada em 24/07/2012 às 00h30min

Sagrado Segredo, um filme de André Luiz Oliveira

Novo filme do diretor de Meteorango Kid e Louco por Cinema mergulha nas questões da fé

Vicente Negrão Assessoria

 

*O baiano André Luiz Oliveira mistura ficção e documentário para investigar os segredos e a natureza do sagrado

* Pré-estréia dia 31 de julho, às 21h30, no Espaço Itaú de Cinema, Frei Caneca, São Paulo

*O filme tem produção conjunta dos realizadores Marcio Curi e Renato Barbieri

Um menino entra de mãos dadas com a mãe numa igreja típica do interior do País. Sob o olhar da criança, vemos desfilar a Via Sacra em imagens que revelam todo o sofrimento vivido por Jesus Cristo, até a morte na cruz. É com a surpresa estampada nos olhos do menino (que parece indagar o porque de tanto horror) que começa o filme SAGRADO SEGREDO, a mais recente realização do cineasta baiano radicado em Brasília, André Luiz Oliveira. O filme faz estreia conjunta em 03 de agosto, em quatro cidades. Em Brasília, o longa poderá ser visto no circuito Cine Cultura Liberty Mall. No Rio de Janeiro, em São Paulo e em Salvador, no Espaço Itaú Cinema.

SAGRADO SEGREDO é uma produção que caminha entre a ficção e o documentário. De um lado, há o registro real da tradicional encenação da Via Sacra, na cidade de Planaltina, no entorno de Brasília. De outro, a ficção que mostra uma equipe de filmagem registrando a famosa encenação no Morro da Capelinha, realizada desde 1973. Em meio a tudo, a perplexidade e a busca do diretor da equipe por um encontro com o Cristo vivo.

A narrativa é centrada na trajetória deste cineasta, vivido pelo ator Guilherme Reis, encurralado entre a liberdade da arte e a emergência de um caminho espiritual. Sua angústia o leva até um ritual religioso tradicional (a “Via Sacra”), um ambiente possível para expressar artisticamente a sua busca do SAGRADO. É nesse percurso de natureza mística que ele se defronta com um grande SEGREDO. Segundo André Luiz Oliveira, seu mais novo longa-metragem é uma proposta de iniciação espiritual pelo caminho da arte, do amor, da ciência. E, sim, ele admite: é autobiográfico.

SAGRADO SEGREDO reúne atores do primeiro time do teatro de Brasília – além de Guilherme Reis estão André Amaro, Iara Pietricovsky, Renato Mattos e Ana Cristina. Também participam o Grupo Via Sacra, de Planaltina, sob a direção de Preto Rezende, e o renomado físico nuclear indiano Amit Goswami, que pela primeira vez participa de um filme brasileiro. A produção leva assinatura conjunta de Marcio Curi e Renato Barbieri, parceiros do exitoso projeto Teste de Audiência, patricionado pela Caixa Cultural.


O FILME

O roteiro original de SAGRADO SEGREDO incluía apenas a versão documental cujo resultado foi montado sob o título de O Teatro de Deus, um documentário sobre o trabalho do grupo Via Sacra de Planaltina, filmado na quinta e sexta-feiras santas do ano de 1999. Mas depois de ver o material, o diretor André Luiz Oliveira conta que sentiu que poderia incluir ali suas impressões infantis sobre a história de Jesus, acrescidas de tudo o que apreendeu em leituras, abordagens e questionamentos posteriores. “Fiquei atraído por esse formato híbrido (doc/ficção) também pelo risco que iria correr ao utilizar uma abordagem diferente de tudo o que já tinha feito ou visto. Gosto sempre de arriscar”, conta ele.

Assim, optou por voltar no ano seguinte ao Morro da Capelinha, já com atores dando vida a uma equipe de filmagem. E ainda retornou outras vezes, para captar imagens complementares, closes, takes de cobertura. Por fim, convidou Amit Goswami para fazer uma exposição de suas idéias a respeito da figura de Jesus Cristo na história da humanidade à luz de uma ciência contemporânea. Os depoimentos de Amit Goswami conduzem a narrativa. O físico quântico também lança questões que podem mexer com dogmas da Igreja Católica: “Ele afirma que obediência às regras não combina com a mensagem deixada por Jesus, que pregou a liberdade e que dizia ‘que a verdade nos liberte’”, explica André Luiz Oliveira.

 

AMIT GOSWAMI

Amit Goswami é um físico nuclear respeitado mundialmente, tido entre os mais importantes cientistas da atualidade. O trabalho de Goswami tem sido estabelecer uma ponte entre a ciência e a espiritualidade. O indiano radicado nos Estados Unidos (ele é PHD em física quântica e professor aposentado da Universidade de Oregon) costuma dizer que “Deus ainda será objeto de estudo da ciência e não mais da religião”. Seu pensamento está expresso em vários livros lançados no Brasil, como O Universo Autoconsciente (no qual procura demonstrar que o universo é matematicamente inconsistente sem a existência de uma força superior, ou seja, Deus), Deus não está morto, A Física da Alma, Criatividade Quântica, A Janela Visionária e Evolução Criativa das Espécies. Esta não é primeira participação do cientista no cinema. Ele é um dos entrevistados do documentário Quem somos nós, de 2004 e o Ativista Quântico, de 2009 que fala do impacto filosófico das descobertas da física quântica na percepção da realidade.

 

O DIRETOR

Um dos nomes mais proeminentes do chamado Cinema Marginal, o baiano André Luiz Oliveira acredita estar seguindo, em Sagrado Segredo, a trilha da “contracultura”, entendida como sinônimo de rebelião, oposição ao estabelecido, renovação. Ele explica: “Tanto Meteorango Kid quanto Sagrado Segredo foram filmes feitos com pouquíssimo recurso financeiro, na base da guerrilha, arriscando tudo na linguagem e conteúdo, ambos se antepondo a estruturas rígidas e autoritárias. De um lado, a ditadura militar da época de Meteorango. De outro, a Igreja Católica Apostólica Romana, sempre”.

Este é o quarto longa de André Luiz Oliveira. O cineasta, roteirista, compositor, músico, nascido em Salvador, Bahia, já assinou filmes de longa e curta-metragem, de ficção e documentários, criou argumentos, roteiros, vídeos, gravou CDs, DVDs, trilhas sonoras, fez shows, programas de televisão, já escreveu livro e peça de teatro. Encantou o público e a crítica do Brasil logo em seu filme de estreia, Meteorango Kid, O Herói Intergalático, de 1969, vencedor do Prêmio Especial do Júri do V Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ganhador do Prêmio Margarida de Prata oferecido pela CNBB e O.C.I.C. – Office Catholic International du Cinema.

Em 1974/5, André Luiz Oliveira lançou A Lenda de Ubirajara, adaptação do romance Ubirajara, de José de Alencar, vencedor de duas Corujas de Ouro e Prêmio Especial do Júri e Melhor Roteiro no VII Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, exibido em diversos festivais no exterior. Vinte anos depois, o cineasta filmaria Louco por Cinema, comédia que é um exercício de metalinguagem sobre o ofício de cineasta e as dificuldades de fazer cinema. O filme arrebatou público e crítica e amealhou os seis principais prêmios do 27º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Também conquistou a estatueta de Melhor diretor no 3º Festival de Cuiabá do Cinema Brasileiro.

Atualmente, André Luiz Oliveira divide seu tempo entre o cinema e a música. É autodidata. Começou a tocar violão de ouvido, ainda menino, depois passou para o saxofone na banda do colégio e quase optou pela música. “Mas o cinema me atropelou e comecei muito cedo a fotografar e filmar”, conta ele. No entanto, a paixão seguiu e rendeu vários frutos.

Para um cineasta, André Luiz tem uma longa discografia. São três CDs criados sobre os 44 poemas do livro Mensagem de Fernando Pessoa. Os discos MENSAGEM 1, 2 e 3, inclui nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Zeca Baleiro, Gal Costa, Elizeth Cardoso, Belchior, Zizi Possi, Moraes Moreira e muitos outros grandes intérpretes da MPB. Há também os CDs Ser Fã, com músicas e letras de André Luiz em homenagem a artistas como Luiz Gonzaga e Dorival Caymmi, e África Brasil – A Trilha Sonhora, que conta com intérpretes como Djavan, Maria Bethânia, Sandra de Sá, Leila Pinheiro, Adriana Calcanhoto, Pena Branca e Xavantinho, Lazzo, Gerônimo, Marinês, além do próprio André Luiz Oliveira.

André toca sitar (instrumento indiano) desde 1981 e dedica-se a estudá-lo diariamente. Desde 1997, apresenta o show O Caminho das Índias, uma experiência musical com o sitar indiano e a viola caipira, executada pelo parceiro e maestro Cláudio Vinícius, autor das trilhas sonoras dos seus filmes. Já lançou o livro Louco por Cinema – Arte é pouco para um coração ardente, em 1995, e atualmente finaliza a versão escrita de Sagrado Segredo. Seu único texto teatral é A Tentação de São João, de 2000. “Vivo mergulhado em um amplo e permanente processo de autodescoberta, autorreflexão, autobusca, que se expressa de maneiras distintas. Não privilegio nenhuma delas: simplesmente acontecem”, explica.

 

OS PRODUTORES

Na produção de SAGRADO SEGREDO estão dois cineastas, roteiristas e produtores bastante conhecidos no cenário cinematográfico nacional. Marcio Curi e Renato Barbieri são os criadores e realizadores do projeto Teste de Audiência, que exibe em primeira mão filmes ainda não finalizados e que parte para o sexto ano de sucesso, em Brasília e Curitiba.

Marcio Curi roteirizou e dirigiu, em parceria com Yanko del Pino, o longa A TV que virou estrela de cinema (1993), produziu os premiados Louco por cinema, Filhas do Vento e mais 11 longas entre 2001 e 2010. Em 2006/2007, produziu o infantil A Casa do Mestre André, para a série Curta Criança da TVE e dirigiu o documentário Arte é pouco para um coração ardente para a série Retratos Brasileiros do Canal Brasil. Em 2008, foi produtor-executivo e diretor-assistente da série Sua Escola Nossa Escola, para a TV Escola do MEC. Em 2011, integrou a Comissão de Seleção de Projetos de Difusão de Filmes de Longa-metragem para o Programa Petrobras Cultural 2011/12. No momento finaliza o longa-metragem A última estação, que dirigiu em 2010.

 

Renato Barbieri é cineasta e tem uma carreira ligada ao documentário, ao cinema, à televisão, ao produto audiovisual educativo e a processos de qualificação e aprimoramento do conteúdo audiovisual. É formado em Psicologia pela PUC/SP – Pontifícia Universidade Católica e foi professor de Projetos Experimentais: Vídeo e TV do Curso de Jornalismo da PUC/SP e de ‘Direção’ e ‘Documentário’ no Curso de Cinema e Mídias Digitais do IESB-Brasília. Barbieri iniciou-se na direção em 1983, como integrante da produtora paulista “Olhar Eletrônico”, ao lado de realizadores como Fernando Meirelles (Cidade de Deus; Cegueira), Paulo Morelli (Cidade dos Homens) e Marcelo Tas (CQC). Lá, dirigiu diversos programas semanais, realizou os premiados curtas Do Outro Lado da Sua Casa, Duvideo e Expiação e quase duas centenas de matérias especiais para revistas eletrônicas semanais. Em seguida, foi diretor do telejornal diário Jornal de Vanguarda, na Band, e dos programas semanais Vitrine e Forum, na TV Cultura. A partir de 1992, funda a produtora Gaia Filmes e aprofunda-se no documentário realizando alguns títulos de repercussão internacional, com destaque para Atlântico Negro – Na Rota dos Orixás, A Invenção de Brasília, Moçambique e A Liga da Língua. Realizou também diversas cine-biografias: a do italiano Gabriel Malagrida e do cubano Félix Varela, bem como a do escritor Monteiro Lobato, do artista Glenio Bianchetti e do cartunista Mauricio de Sousa. O longa As Vidas de Maria marca sua estreia na ficção. Barbieri acumula mais de 30 prêmios nacionais e internacionais de destaque, como Prêmio Grinzane Cavour, por Malagrida, de 2002, CNBB – Prêmio Margarida de Prata por Na Rota dos Orixás, em 1999, e FestRio – Tucano de Ouro de Melhor Vídeo por Duvideo, de 1987.

 

SINOPSE

SAGRADO SEGREDO – Brasil, 2012, cor, 73min

Direção: André Luiz Oliveira

Produção: Marcio Curi e Renato Barbieri

Elenco: Guilherme Reis, André Amaro, Renato Mattos, Iara Pietricovsky e Ana Cristina

Participações Especiais: Amit Goswami e Grupo Via Sacra (Planaltina/DF)

Trilha Sonora: Cláudio Vinícius

Direção de Fotografia: André Lavenère

Montagem: Adelson Barreto

SAGRADO SEGREDO narra a trajetória de um cineasta encurralado entre a liberdade da arte e a emergência de um caminho espiritual. Sua angústia – resultante desse dilema – o leva até um ritual religioso tradicional (a “Via Sacra”), o ambiente ideal para expressar artisticamente a sua busca do SAGRADO. É nesse percurso de natureza mística que ele se defronta com um grande SEGREDO.


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