02/07/2012 às 23h34min - Atualizada em 02/07/2012 às 23h34min

Sucesso de crítica e público, JAGUAR CIBERNÉTICO, de Francisco Carlos

Reestreia em São Paulo no dia 12 de julho. Temporada acontece no Teatro Aliança Francesa e conta com um ciclo gratuito de workshop. Sessão especial para convidados dia 12/07

Agência Lema

Entre os dias 12 de julho e 01 de setembro, o Teatro Aliança Francesa, localizado no Cento de São Paulo, recebe o espetáculo “Jaguar Cibernético”, composto por três peças autônomas. Trata-se de uma obra síntese da experimentação dramatúrgica do amazonense Francisco Carlos, autor elogiado e diretor de mais de 40 peças. A trilogia está inserida no ciclo do “pensamento selvagem” do autor, as peças versam sobre temas indígenas e abordam as relações de alteridade entre culturas. A primeira exibição será para convidados no dia 12 de julho.

A tríade animais-homens-deuses é a matriz das três peças intituladas, “Banquete Tupinambá”, “Aborígene em Metrópolis” e “Xamanismo the Connection” que compõem o espetáculo.

O dramaturgo Francisco Carlos apresenta uma fusão da cultura grega clássica e da mitologia ocidental. Por meio dos aspectos materiais e imateriais do tronco linguístico tupi, os Tu­pinambás (extintos) e os Kamayurás (vivos) faz um relato, de como as sociedades indígenas se constroem e se concebem os conflitos entre índios e brancos, os ritos de iniciação masculinos e femininos, de nascimento, das religiões e cosmologias ameríndias, exotismo radical, canibalismo dialogando. Aborda ainda, o confronto das divinizações do cinema de Hollywood, como o sexo, droga e rock and roll, e também a arquite­tura das metrópoles, mídias, robôs, templos do comércio, templos das artes, mercado, templos religiosos, comunicação de massa, violência urbana, racismo, lutas de classe e sexualidade.

Para o diretor, “O Jaguar Cibernético usa parodia e todo o padrão mítico da cultura ocidental mais os clichês da cyber mídia. O Jaguar tem basicamente o valor de uma expressão metafórica do outro, o outro como destino – o outro não era apenas um espelho, mas um destino, deus-morte-inimigo”, declara Francisco Carlos.
A dramaturgia do diretor consiste na criação contem­porânea que considera as experimentações cênicas do teatro moderno e da cena atual - híbrida, in­tertextual, fragmentária, neobarroca e ideogramática. A encenação envolve linguagens cênicas contemporâneas pesquisadas pelo autor que, em uma colagem de estilos, vão do teatro oriental a linguagens de rituais indígenas, arte indígena, danças antigas e pós-modernas. Utiliza também a arte circense, linguagens da moda e dos esportes, artes marciais, artes plásticas, literatura e cinema.
A temporada de “Jaguar Cibernético” conta com uma programação de workshops gratuitos, aos sábados, voltada aos profissionais da área cênica. Temas como o canibalismo tupinambá e uma palestra desconstruída sobre um dos maiores clássicos da antropologia brasileira, “A função social da guerra na sociedade tupinambá” escrito por Florestan Fernandes, fazem parte dos debates. Confira abaixo, informações completas da programação e para outros detalhes, acesse o site www.aliancafrancesa.com.br/teatro2012/.


JAGUAR CIBERNÉTICO - Trilogia canibal

SINOPSES

Banquete Tupinambá - 55 minutos

Um banquete Tupinambá acontece quinhentos anos antes. Um sogro, uma noiva, um noivo prisioneiro e um cunhado canibais bebem cauim “suco-da-memória” se contagiando com a chegada do Jaguar, entre trocas e alianças e guerras de vinganças.

 

Aborígene em Metrópolis - 80 minutos

Em tempos atuais, um jovem índio Kamayurá embarca em uma viagem iniciática pela “Metrópolis” e realiza seus ritos em logradores urbanos. O jovem índio sofre estranhas metamorfoses e transforma-se num felino-virtual.

 

Xamanismo the Connection - 70 minutos

Uma reunião imaginária de drogados é mediada por um jovem Xamã à espera de cowboy, um traficante de drogas que não aparece nunca. Enquanto Alice Ecstasy media a relação inimiga do namorado e do irmão. Através de espelhos conecta estudantes de maio de 68, zapatistas cyborgues, latas de sopas campebell´s, baile de humanos e animais, as Mademoseilles de Avignon, de Pablo Picasso, e um “dândi Jaguar”.

 

Workshops

Dia 21 de julho, às 15hs (sábado)
Duração: 3h

Palestra desconstruída e workshop sobre o livro “A função social da guerra na sociedade tupinambá” de Florestan Fernandes. Conversa ilustrada com projeções de gravuras dos livros de relatos da viagem de Hans Staden e jogos de guerra tupinambá cênicos, segundo modelo bricolagem em Levi Strauss e Max Ernest.

Dia 04 de agosto, às 15h (sábado)
Duração: 3h

Leitura e workshop do “Auto de São Lourenço” seguido de debate e comentários desconstruídos, teóricos e cênicos de Francisco Carlos.

 

Dia 18 de agosto, às 15hs (sábado)
Duração: 3h

Jam session com musico instrumental e conversa sobre a obra “Meu Tio Iauaretê” de Guimarães Rosa.


Dia 01 de setembro, às 16h

Jam session com DJ Kleber Nigro e conversa sobre o texto “Esfinge Tupi” de Francisco Carlos com a presença do elenco.

 

Sobre “Relatos Canibais”

São encontros promovidos pelo dramaturgo Francisco Carlos juntamente com atores, técnicos e criadores que fazem parte de seus projetos teatrais, além de artistas, teóricos e cientistas convidados, com os seguintes objetivos:

 

  1. Aprofundar os debates (temas e linguagens artísticas) especificamente o “canibalismo tupinambá” que envolveram a montagem do projeto da trilogia canibal “Jaguar Cibernético”.
  2. Aprofundar estudos sobre canibalismo tupinambá mergulhando na obra de Florestan Fernandes “A função social na sociedade tupinambá” e fontes tupis, como: crônicas do século XVI e XVII e debater os campos da história e etnografia, sobre o papel central e fundamental - status e prestígio - da mulher tupinambá, nas sociedades tupis dos séculos XVI e XVII.
  3. Criar encontros e debates cênicos, que são documentados em vídeo, em comemoração aos 90 anos da Semana de Arte de 22 e discutir propostas antropofágicas de Oswald de Andrade - os modos como explorou e deixou em aberto às teorias da fonte tupi e como já indicava um dos procedimentos mais debatidos atualmente por indígenas, antropólogos, artistas e pensadores: a chamada reindigenização da cultura brasileira e do país.

 

Sobre Francisco Carlos

Dramaturgo amazonense com mais de quarenta peças escritas, Francisco Carlos dirigiu shows musicais, concertos de canto lírico, vídeo e óperas e experiências multimídias. Ministrou workshops de expressão cênica para cantores líricos do Coral Paulistano e Coral Lírico do Teatro Municipal de São Paulo e do Coral Sinfônico do Estado de São Paulo. Estudou filosofia na Universidade do Amazonas e aplica esses conheci­mentos em processos de invenção para teatro poético-filosófico.

Realizou aventuras teatrais em Manaus, Belém, Brasília, Rio de Janeiro e atualmente em São Paulo, com a concretização da “Mostra de Fenômenos Urbanos Extremos” com três peças de sua autoria culminando com a indicação ao Prêmio Shell de Teatro (SP) de melhor autor no primeiro semestre de 2010.

Na composição de sua estética teatral dialoga e parodia constantemente com outras áreas artísticas e outras atividades: música, dança, cinema, vídeo, ópera, performance, happenings, história em quadrinhos, fotografia, moda, esportes, artes marciais, publicidade, cibérnetica e artes plásticas. Atualmente, a dramaturgia de Francisco Carlos está dividida em dois blocos temáticos:

 

Peças do Pensamento Selvagem

As peças do Pensamento Selvagem versam sobre os seguintes temas indígenas: modos como as sociedades indígenas são construídas e concebidas; ritos de iniciação masculino e feminino e de nascimento, religiões e cosmologias ameríndias, nominação, casamento, morte; arte e cul­tura indígena, pinturas corporais, tatuagens e piercings, catequese católica, conversão e resistência indígena, xamanismo, o devir-Jaguar, alteridade, hospitalidade canibal, exotismo radical, canibalismo, relações interét­nicas, índio tecnológico, conflitos entre índios e brancos, guerras, drogas indígenas e religiosas, cosmologias ameríndias - tendo como referência etnográfica a antropologia estruturalista de Claude Lévi-Strauss na conexão Max-Ernest.

 

Peças das Culturas do Progresso

As peças das Culturas do Progresso abordam os fenômenos extremos da modernidade, fundamentalmente urbanos e que Walter Benjamim identificou na modernidade das “Flores do Mal”, de Baudelaire, fenômenos amorosos, sociais, políticos e filosóficos que acontecem nas metrópoles por conta da superpopulação das grandes cidades e seus instrumentos cosmopolitas: dinheiro, templos do comércio, templos das artes, tem­plos religiosos, comunicação de massa (TV, rádio, jornais, internet, etc.), violência urbana, bancos, economia, lutas de classe, sexualidade, lugares de divertimento, esportes, shoppings, hospitais, sistemas judiciários, tec­nologias-informáticas, arquitetura, ciências, modas, universidades, show bizz etc.

 

Teatro Aliança Francesa

Desde sua criação em 1964, o Teatro Aliança Francesa destacou-se como um espaço de encontros intelectuais e artísticos entre a França e o Brasil, revelando importantes nomes da dramaturgia brasileira e acolhendo grandes escritores franceses como Eugène Ionesco. Reinaugurando o seu teatro reformado, a Aliança Francesa tem como objetivo oferecer ao público uma programação aberta às diversas linguagens artísticas, de abrangência local e internacional, participando também da revitalização da região central de São Paulo.


Sobre a Aliança Francesa

Criada em 21 de julho de 1883 por um comitê de personalidades como Paul Cambon, Ferdinand de Lesseps, Louis Pasteur, Ernest Renan, Jules Verne e Armand Colin, a Aliança Francesa é uma instituição sem fins lucrativos cujo principal objetivo é a difusão da língua e da cultura francesa fora da França. Para tanto, promove o ensino do francês como língua estrangeira e concede certificados específicos de proficiência e conhecimento linguísticos. A rede da Aliança Francesa compreende escolas na França para a recepção de estudantes estrangeiros e cerca de 1000 estabelecimentos instalados em 130 países, onde estudam cerca de 500 mil pessoas.

 

Ficha Técnica:

Texto, encenação e direção geral: Francisco Carlos

Direção de arte: Clissia Morais

Cenografia: Miguel Aflalo

Orientação de língua tupi - Eduardo Navarro

Figurino: Alex Kazuo e Clíssia Morais

Assistente de Figurino: Nazaré Brazil

Cenografia técnica: Mateus Fiorentino

Criação musical: Alfredo Bello

Técnico de Som: Kleber Nigro
Técnico de Luz: Gigante Cesar
Programação Visual: Jo Fevereiro

Produção Executiva: Rosário Dmitruk

Assistente de produção: Antonio Franco

Assessoria de imprensa: Iara Filardi
Elenco:

Bernardo Fonseca Machado

Carol Gonzales

Eros Valério

Fabiana Serroni

Germano Melo
Hércules Morais

Kiko Pissolato

Luciana Canton

Paulo Gaeta

Roberto Borenstein

Tarina Quelho

Thiago Brito

 

Jaguar Cibernético – Direção Francisco Carlos

De 12 de julho a 01 de setembro

Quinta-feira, sexta-feira e sábado, às 20h
**aberto ao publico a partir de 13 de julho

 

Banquete Tupinambá: 13 e 14/07 e 20 e 21/07, às 20hs.

Aborígine em Metrópolis: 27 e 28/07 e 03 e 04/08, às 20hs.

Xamanismo The Connection: 10 e 11/08 e 17 e 18/08, às 20hs.

Banquete Tupinambá: 24 e 25 e 31/08 e 01/09, às 20hs.

 

Teatro Aliança Francesa

Rua General Jardim, 182 – Vila Buarque

Tel.: (11) 3017-5699 - Ramais 5602 / 5608 / 5617

 

Café Douce France

De segunda a sexta, das 9h às 21h. Sábados das 8h às 13h e durante os espetáculos.

 

Ingressos:

R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)

Tel.: (11) 4003.1212 e www.ingressorapido.com.br

Bilheteria

Horário de funcionamento:

Sexta e sábado, das 16h às 20h, somente nos dias de espetáculo

Lugares: 210 + 4 para portadores de necessidades especiais

Acesso a PNE

Ar condicionado

Wi-fi grátis

Estacionamento conveniado em frente ao teatro: R$15,00 (por 4h)


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