25/10/2021 às 09h58min - Atualizada em 25/10/2021 às 18h52min

Grandes marcas investem em educação e capacitação para tornar área de tecnologia mais diversificada

Empresas querem quebrar o estigma da área, tradicionalmente reconhecida pela falta de diversidade

SALA DA NOTÍCIA Redação

Uma das áreas reconhecidamente com menor diversidade, o segmento de tecnologia virou o foco de atenção das grandes empresas. Estima-se que em 21% das equipes de tecnologia do Brasil não há sequer uma mulher, enquanto em 32,7% não tem nenhuma pessoa negra e, 95,9%, não conta com pessoas indígenas, de acordo com o estudo “Quem Coda o Brasil?”, feito pela consultoria ThoughtWorks e pela PretaLab. Para mudar esse cenário, empresas estão investindo em projetos para desenvolvimento de profissionais que fazem parte das minorias na área de tecnologia.

A Leroy Merlin, uma das maiores redes de varejo do Brasil, fez uma parceria com a Ironhack São Paulo, escola global de tecnologia e programação, para oferecer bolsas de estudos aos colaboradores da empresa e capacitá-los para reforçar a área de tecnologia da empresa. Denominado Hack Leroy Merlin, a primeira edição do programa concedeu bolsas de estudo a 12 funcionários da empresa de diversos departamentos, que tinham interesse no curso de programação e em atuar na área. A nova formação possibilita que eles cresçam e se desenvolvam em tecnologia, algo de extrema importância dentro da companhia. 

De acordo com o levantamento da Revelo, startup líder de recrutamento em tecnologia da América Latina, o gênero majoritário das carreiras em tecnologia é o masculino e essa desigualdade também é expressa na remuneração, já que no ano de 2019 a diferença salarial entre homens e mulheres chegou a até 22%, com elas ganhando em média R$ 5.826,41 e eles R$ 7.465,92. Na área de Desenvolvimento, por exemplo, 86,4% dos candidatos são homens e, em relação à senioridade, ou seja, tempo de atuação na carreira acima de sete anos, apenas 29% das mulheres atingiram este nível. 

Para incentivar o ingresso de novas mulheres no setor, a startup juntou-se à Ironhack para oferecer até R$ 9 mil de desconto em bolsas de estudos nos cursos da instituição. Essa é a 2ª edição da ação, cujo objetivo é continuar a ajudar mulheres a entrar no mercado de tecnologia. A bolsa de estudo pode ser utilizada nos bootcamps de Desenvolvimento Web, UX/UI, Data Analytics e Cybersecurity, tanto no regime integral como parcial. O valor restante dos cursos poderá ser parcelado em até 24 vezes sem juros pela Revelo Up e para se inscrever não é necessário que as candidatas tenham conhecimento prévio, basta preencher o formulário disponível na landing page da Ironhack.

Para Gabriel Sicuto, professor de Web Development da Ironhack que atua no Hack Leroy Merlin, as ações afirmativas são o caminho para corrigir a falta de diversidade e de profissionais qualificados na área de tecnologia.“Quando a gente fala de diversidade, a gente fala de experiência, de vivência, de um leque de possibilidades muito maior. Todo o conhecimento de um profissional vem com o que ele aprendeu, com as experiências dele e as vivências. Todo produto de tecnologia tem uma ligação direta com pessoas diversas também. Os produtos que as empresas oferecem, em termo de tecnologia, tem como alvo um público diverso. E, quanto mais esse público diverso é representado pelas soluções que são dadas - por que tinha alguém ali que conhece aquela realidade, vivenciou algo parecido, tem um histórico daquilo ou se enquadra dentro de um público ou de uma minoria - vai conseguir levar essa representatividade de alguma forma para frente. Então, acho que essa é a maior importância das ações afirmativas, essa redução das diferenças, desigualdades e discrepâncias desse mercado. Isso faz muita diferença para os profissionais que estão ali e ao mesmo tempo, traz uma evolução considerável para os produtos, para as entregas e para o que está sendo desenvolvido, seja o que for", completa Sicuto.

De acordo com relatório da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a área de Tecnologia da Informação (TI) demandará cerca de 420 mil profissionais até 2024. Para quem deseja se especializar, o professor recomenda pôr a mão na massa. “A dica de ouro é: não existe outra forma de aprender a programar, que não seja programando. Você pode ler livros, fazer milhares de cursos online, estudar diversos materiais e conteúdos, mas você não vai aprender enquanto não tentar fazer. Acho que o desenvolvimento vem muito de uma insistência, de uma tentativa, de errar e aprender com o erro. Se eu puder dar uma segunda dica, é a seguinte: procure alguma coisa que você tem muita vontade de fazer, algo que você acredita que seja um problema e que você consiga resolver. Se o objetivo daquilo que você está tentando criar é algo que você acredita, isso te dará mais força para continuar quando você errar ou tiver que refazer alguma coisa", finaliza.

Sobre a Ironhack
Fundada em 2013 por Ariel Quiñones e Gonzalo Manrique, a Ironhack é uma escola de tecnologia com campus em Madrid, Barcelona, Berlim, Paris, Amsterdã, Lisboa, Miami, Cidade do México e São Paulo, voltada para o treinamento de alunos para empregos digitais. A Ironhack já treinou mais de 3 mil estudantes de 70 nacionalidades diferentes em pouco mais de cinco anos e foi reconhecida como uma das três melhores escolas do mundo pelo coursereport.com e switchup.org. Com um modelo que tem garantido a empregabilidade de mais de 85% de seus estudantes em até três meses depois do treinamento, a sua missão é permitir que qualquer um seja protagonista da revolução digital. Mais informações em: www.ironhack.com.


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