19/10/2021 às 23h07min - Atualizada em 20/10/2021 às 10h14min

Criatividade e inovação brasileira em tempos de pandemia

Mesmo com as restrições e entraves no cenário pandêmico, a abertura de micro e pequenas empresas atingiu altos patamares e revelou como o brasileiro se desdobrou neste momento atípico

SALA DA NOTÍCIA Luiz Carlos de Moura Garcia
As teorias mercadológicas sempre nortearam os planos de negócios e, dentro desse, o plano de marketing. Como exemplo a segmentação do público-alvo para direcionar a comunicação (digital, impressa e outros meios), análise de custos e receitas (Budget) e, principalmente, os recursos humanos. Sim RH, afinal sem o humano nada é possível, através da criatividade (criar uma atividade) e a inovação (algo novo, inédito), mesmo que essa última seja para o próprio negócio.

O crescimento de abertura de micro e pequenas empresas de 2020 para 2021 nunca atingiu altos patamares como observados nos 18 meses de restrições de público no varejo e serviço presencial. Podemos confirmar via sistema S e entidades públicas governamentais que, também, tivemos um número expressivo de fechamentos de negócios, porém inferior ao de aberturas.

Em maioria expressiva, micro e pequenas empresas das áreas de prestação de serviços, comércio e indústria de transformação superam 90,8% no total de empresas (entre todas) por setor de atuação. (Disponível em  www.gov.br/governodigital/pt-br/mapa-de-empresas.)

O crescimento de aberturas é de 17,3%, comparando o primeiro quadrimestre de 2021, frente o primeiro de 2021, quer dizer, tivemos maior movimentação de aberturas desses negócios por motivos de restrições, essa ocasionando uma movimentação do atendimento presencial para o digital (perceptível em nossos lares). O saldo positivo foi quase 1 milhão de novas empresas no Brasil no período citado.

Questionamentos?

Essas novas empresas são resultados de novas modalidades (digital) de negócios para contornar as restrições?

O setor industrial ou de transformação foi o gerador dessas demandas ou, por ordem de processo, o resultado de um aquecimento dos negócios digitais ou analógicos?

Algumas colocações:

O número de desempregados aumentou nesse período, levando-nos a perceber que as dificuldades criam oportunidades no quesito sobrevivência!

Devido à escassez de alguns elementos básicos do setor produtivo como componentes eletrônicos para smartphones, automóveis e aparelhos de mídias, os preços aumentaram e a demanda também, ocasionando uma retração em prazos e estoques. Esses acontecimentos, em nível global, resultaram em uma aceleração de preços e falta de produtos. Sem falar das exportações de itens do agronegócio.

Apesar dos indicadores de empregabilidade estar negativo, o crescimento do PIB está estimado em 5% em 2021/2022, ou seja, mesmo com as restrições e desemprego, o Brasil crescerá economicamente.

A controvérsia está na afirmação anterior. Como com um alto nível de pessoas sem renda (oficial) nosso país crescerá? A resposta talvez esteja na informalidade que abastece os lares e comunidades no país.

Podemos deduzir então que o brasileiro é muito criativo e inovador, pelo fato de sobrevivência, não só da informalidade, principalmente, na possibilidade de renda através dos pequenos negócios, bairristas ou não, inovando em oferta de produtos e serviços e construindo um novo patamar analítico das movimentações mercadológicas.

Em casos reais observados, os condutores de vans escolares que deixaram de receber pelo serviço prestado e aderiram aos aplicativos de mobilidade. Outra situação foram as quentinhas ou marmitas que eram vendidas em pontos comerciais e passaram a ser entregues nas residências dos consumidores/clientes.

Nunca tivemos um número tão expressivo de aumento de novas habilitações para condutores de duas rodas, sinal que a classe de moto-entregadores não ficou sem renda, ao contrário, mais receita com maior preço ao consumidor também.

O mais importante dessas abordagens é: quais fatores foram aplicados para a obtenção de sucesso em inúmeros casos?

Podemos citar alguns pesquisados, mas com absoluta certeza, outros surgirão em cada particularidade de negócio. Por exemplo:

– Vender bijuterias, semijoias e joias pelo Zap.

– Vender bebidas, doces e outros cardápios online, padarias aderiram rapidamente.

– Vender roupas, calçados e acessórios pelo portal.

– Utilizar de sistemas integrados (EDI) para abastecer estoques e produzir ou vender produtos na internet via e-commerce.

E muitos outros produtos e serviços oferecidos para atender o mercado consumidor e produtor.

Quais os fatores críticos de sucesso que fizeram os micro e pequenos negócios despontar na economia?

Podemos citar alguns:
  • Diferenciação de atendimento ao cliente e ao mercado;
  • Preço e promoções rápidas e de forte apelo comercial;
  • Comunicação com público-alvo ou potencial através das mídias sociais;
  • Entusiasmo dos colaboradores para obter mais clientes e cumprir metas;
  • Inovação e criatividade no próprio negócio ou ineditismo;
  • Envolvimento com a sociedade local, comunidades e relações sociais;
  • Foco nas realizações humanísticas, superações e mudança de hábitos;
  • Rentabilidade e fluidez nos negócios para obter lucro.
A força motriz de uma sociedade está diretamente ligada ao potencial humano para sobreviver e prosperar, através de propósitos e realizações impulsionadas pela adaptação e criatividade frente às diversidades vivenciais.

Luiz Carlos de Moura Garcia  tem experiência de 30 anos em gestão de Marketing na Indústria Farmacêutica, Consultor e Palestrante – Administração Sistêmica. Experiência de 18 anos no ensino superior. Professor da FAEP nos cursos Tecnológicos de Gestão e Bacharelado em Administração. 
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