19/10/2021 às 16h37min - Atualizada em 19/10/2021 às 16h38min

No futuro, seremos todos discriminados 

*Vitor Ribeiro

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Desde 2019, com a reforma previdenciária ocorrida no Brasil, salvo algumas exceções, o homem para se aposentar precisará ter no mínimo 65 anos e a mulher 62, além de comprovar tempo de contribuição de 35 e 30 anos, respectivamente. Isso em um país com mais de 14 milhões de desempregados, outros milhões de desalentados, subempregados e empreendedores por necessidade. Muitos dos quais já buscam entre ossos e lixo, algo para se alimentar. 

​​​​​​​Ora, se dezenas de milhões de brasileiros sequer conseguem dinheiro para se alimentar e morar, como vão conseguir contribuir com a previdência? Sem falar na revelação estarrecedora de um estudo recente, mostrando que 95% dos trabalhadores brasileiros ganham menos de R$ 5.000,00 por mês.  

Hoje, muito se fala na necessidade da diversidade nas empresas. Lógico que é preciso parar com a discriminação das pessoas, sejam elas de que cor forem, que sexo ou orientação sexual tenham ou se são pessoas com alguma deficiência. Porém, como podemos falar de uma maior diversidade nas empresas, se as pessoas com mais de 50 anos continuam sendo alijadas dos empregos, sejam elas quem forem?  
Mesmo as empresas que possuem uma maior diversidade entre seu quadro de trabalhadores, caso continuem evitando a contratação dos mais de 50 ou 45 anos, estarão contribuindo para que a velhice geral seja nefasta. Causa certo espanto que mesmo em empresas criadas e ou dirigidas por pessoas com mais de 45 anos, quase não contratem trabalhadores acima dessa idade.  

A sociedade brasileira precisa encontrar mecanismos para desarmar a bomba relógio que está sendo armada e evitar que ela atinja e faça milhões de feridos – inclusive destruindo algumas conquistas atuais por maior diversidade e bem estar geral, que poderão se mostrar momentâneas, paliativas e pouco efetivas.  

Um claro exemplo é a meritória conquista da obrigatoriedade de que as empresas contem com pessoas com deficiência em seu quadro de trabalhadores. Porém, a lei não faz nenhuma exigência quanto a idade deles. A empregabilidade após os 45 ou 50 anos é um tema que deve interessar a todos. Pois toda e qualquer vitória corre o risco de ser momentânea e retornará ainda de forma mais cruel, discriminando a todos de forma indistinta quando chegar a chamada terceira idade.  

Talvez discriminar os trabalhadores com mais de 45 anos seja a mais cruel das discriminações, pois dessa só escapam os que não conseguem atingir essa idade. Uma discriminação que não poupará nenhum sobrevivente, desses tempos terríveis no Brasil. O pior de tudo, nenhum gestor consegue justificar com argumentos lógicos por quais motivos deve se evitar a contratação de pessoas experientes.

*Vitor Ribeiro é jornalista profissional diplomado

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