13/10/2021 às 09h57min - Atualizada em 13/10/2021 às 17h34min

Gilberto Salvador apresenta mostra "Mémorias Resistentes“ na Galeria Frente

Serigrafias, colagens e escultura, produzidas na década de 1960, marcam nova exposição do artista plástico em São Paulo

SALA DA NOTÍCIA Luana Dallabrida
São Paulo, 5 de outubro de 2021 - Um retrato da grande transformação que a década de 1960 provocou no cenário artístico brasileiro pode ser conferido na mostra “Memórias Resistentes” de Gilberto Salvador, na Galeria Frente, a partir de 16 de outubro. Após três anos sem expor em São Paulo, o pintor, desenhista, gravador, arquiteto e professor retorna com uma seleção criteriosa, sob a curadoria de Fabio Magalhães. Os trabalhos emblemáticos do artista reúnem diferentes técnicas de serigrafia, colagens e uma escultura. Boa parte deles criados em tinta acrílica sobre madeira, que ganham formas e contornos, técnica típica de suas criações.
“A exposição traz um Gilberto que já não existe mais: um Gilberto da década de 1960”, conta o artista. “Para mim a mostra é importante, pois é de um garoto de aproximadamente 22 anos de idade com esse elã pela vida. Estou feliz por estarmos trazendo essa visão, ainda tão atual, neste momento peculiar em que vivemos”, afirma o artista, em referência a algumas semelhanças que têm sido apontadas por muitos analistas entre a situação política atual com a vivida nos anos 60, quando o foi instalado o regime militar que perdurou por mais de 20 anos no Brasil.
Gilberto Salvador bebeu da fonte criativa advinda das décadas de 1950 e 60, que gerou uma onda de novidades culturais e comportamentais, como a Bossa Nova, a peça teatral “Eles não usam Black-Tie”, de seu amigo Gianfrancesco Guarnieri, no Teatro Arena, e a gravação de João Gilberto da canção “Chega de Saudades”. A ebulição sócio-cultural daqueles anos forneceu insumos para a potência estética das obras criadas nesse período pelo artista.
Assim nasceram importantes obras, como “BLOFFT!” (1967), cujo título bem-humorado traduz o consumo se derramando sobre o poder e a violência. A obra é característica do período da Nova Figuração – movimento artístico surgido nos anos 1960 no Brasil, com influências da Pop-Art americana, do qual Gilberto fez parte e história. A Nova Figuração ganhou destaque na IX Bienal de São Paulo (1967) juntamente com outros artistas participantes da época como Marcello Nitsche, Claudio Tozzi, Carmela Gross, entre outros. No mesmo evento, os Estados Unidos apresentaram uma sala especial em homenagem a Eduard Hopper e um grupo expressivo de artistas da Pop-Art como Roy Lichtenstein, Richard Lindner, Robert Rauchenberg, James Rosenquist, Andy Warhol, Tom Wesselmann e Claes Oldenburg.
“Os trabalhos expostos por Gilberto apresentavam uma linguagem inovadora e comprometida com o movimento da Nova Figuração. Desde então, soube criar uma identidade própria, uma linguagem, diversa das demais, dentro dessa corrente. O artista desenvolveu sua obra com autonomia, atento ao que ocorria, assimilando, a seu modo, a dinâmica das linguagens de seu tempo”, pontua o curador Fábio.
Outro destaque a ser visto na Galeria Frente é “KOLYNOS” (1967), que marca o início de criações com recorte de imagens, como nos cartazes de cinema. Nessa época, a sociedade de consumo já estava consolidada, após o advento da televisão nos anos 1950. Nesse cenário, a publicidade da Kolynos se celebrizou, popularizando a embalagem de fundo verde e o nome em amarelo. Gilberto aborda a forte presença dos sistemas de comunicação e a obra destaca ambiguidades: Agora já Sei, nos propõe mais dúvidas do que certezas. Em os “RODANTES” (1969), objetos cinéticos em aço inox policromado e esferas coloridas de isopor e acrílico, exploram o potencial visual do objeto e, nas palavras de Fábio, “embora silenciosos, sugerem sensações sonoras como se os planos metálicos e as esferas de cor, ao mover-se, nos oferecessem temas musicais”, finaliza.
SERVIÇO
MEMÓRIAS RESISTENTES – GILBERTO SALVADOR
Período expositivo
De 18/10 a 16/11
Horários: seg a sexta: 10h às 18h; sábado, das 10h às 14h
Endereço: Galeria Frente - Rua Dr. Melo Alves, 400
Cerqueira Cesar - SP
Classificação: Livre

SOBRE GILBERTO SALVADOR
Gilberto Orcioli Salvador (São Paulo, São Paulo, 1946). Pintor, desenhista, gravador, arquiteto, professor. Forma-se em arquitetura em 1969 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, onde mais tarde atua como professor. Paralelamente aos estudos universitários, dedica-se à pintura e ao desenho. Expõe individualmente, pela primeira vez em 1965, na Galeria de Arte do Teatro de Arena em São Paulo. É premiado com a medalha de ouro no Salão de Arte Contemporânea, Campinas, em 1967, e, nas edições de 1969 e 1970, com o prêmio aquisição. Participa de várias edições da Bienal Internacional de São Paulo, e entre suas principais mostras individuais destacam-se duas exposições no Masp, em 1985 e 1995. Em 1999, a escultura Vôo de Xangô é instalada na Estação Jardim São Paulo da Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô. Sua obra se caracteriza pela oposição entre gestual e o traço rígido, entre as formas orgânicas e inorgânicas, entre o movimento e o estático. Nelas, as formas vivas, homens, flores e animais dialogam com figuras geométricas. O crítico de arte Jacob Klintowitz publica dois livros sobre o trabalho do artista, História Natural do Homem Segundo Gilberto Salvador, de 1985, e Gilberto Salvador O Reino Interior, de 2001.

GALERIA FRENTE
Galeria de arte localizada no bairro do Jardins em São Paulo, abriu suas portas no dia 25 de agosto de 2015. Com 350m², projeto do arquiteto Rogério Ribas, a galeria dispõe de espaços para abrigar exposições e reserva técnica. O objetivo da Galeria é ressaltar o trabalho de grandes artistas brasileiros e apresentar obras históricas, através de exposições retrospectivas, individuais e coletivas. A inauguração da Galeria Frente com uma exposição em homenagem à Mira Schendel foi uma honra e um feito de grande responsabilidade. Com muito trabalho e critério foram reunidas cerca de 150 obras de Mira Schendel, dos seus diversos períodos criativos, muitas delas inéditas, o que proporcionará aos visitantes um pequeno passeio por sua produção.
Após seis anos fora do circuito de exposição individual no país, seu concorrido trabalho foi exibido na mostra inaugural. Junto com a exposição foi publicado um livro com texto de Taisa Pallhares, que fez a co-curadoria da exposição da Mira na Tate e Pinacoteca. No ano de 2016 a Galeria Frente abriu ao público mais duas grandes exposições. Em março uma grande retrospectiva do artista concreto Antonio Maluf, com curadoria de Fabio Magalhães, e em setembro uma grande mostra do artista neoconcreto Hércules Barsotti, sob curadoria de Marilúcia Bottallo. Em ambas as exposições a galeria publicou o primeiro grande livro de cada artista. Em 2017, aconteceu a primeira exposição do artista Frans Krajcberg, com obras da década de 1950 até ano 2000, passando por toda sua trajetória de desenho, pintura e escultura. Pela Primeira vez a Galeria Frente abre, em 2018, uma exposição mostrando a amizade de dois artistas gaúchos, a mostra Iberê Camargo e Francisco Stockinger que contava com telas e esculturas das diversas fases de cada artista.

Contatos:

Paula Fiori
Diretora Executiva
LAM Comunicação
paula.fiori@lamcomunicacao.com| 11 97242-6272
 
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