23/09/2021 às 13h40min - Atualizada em 24/09/2021 às 00h00min

Desinformação estimula uso inadequado dos medicamentos

Patrícia Rondon Gallina (*)

SALA DA NOTÍCIA NQM
http://www.uninter.com
Divulgação
Droga é qualquer substância química capaz de interagir com o organismo, produzindo algum efeito, seja ele positivo ou não. Todos nós já ouvimos falar em diversas drogas ilícitas como maconha, cocaína, heroína, entre outras, que possuem efeitos psicoativos e são proibidas por lei devido aos seus efeitos deletérios ao organismo humano. Outras substâncias podem possuir efeitos maléficos quando utilizadas de forma inadequada, como é o caso dos medicamentos, drogas lícitas desenvolvidas para promover o tratamento, controle ou cura de sintomas e doenças, porém também capazes de gerar transtornos ao organismo e até mesmo levar o usuário a óbito.

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia em 2019 investigou o comportamento do consumidor brasileiro em relação a compra e uso dos medicamentos, e revelou que 77% dos brasileiros vê a automedicação como um hábito muito comum. Mais de 60% dos entrevistados ainda revelaram fazer alterações das prescrições principalmente no que diz respeito à dosagem e tempo de tratamento.

Tal atitude é motivada  por acreditar que a doença está controlada ou pelo preço do medicamento. Entre os principais motivos que podem levar à automedicação estão  influência de amigos e familiares e informações sobre possíveis melhoras de quadros clínicos disponíveis em canais de comunicação. A sensação de segurança em relação ao uso dos fármacos contribui para o uso de maneira desenfreada. Preocupada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou um comunicado sobre os riscos da automedicação, alertando que a prática pode causar reação grave, inclusive óbito.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 50% de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos de forma inadequada, e, além disso, metade dos pacientes não faz uso dos fármacos corretamente. Muitas pessoas subestimam o poder dos medicamentos, efeito que pode ser potencializado pela falta de informação a respeito do seu modo de uso, interações medicamentosas e riscos envolvendo a automedicação.

Apenas no último ano a prática de automedicação gerou mais de 18 mil casos de intoxicação. Os números demonstram que muitas pessoas fizeram o uso inadequado de medicamentos e parte deste resultado é motivado por divulgações de drogas que, eventualmente, poderiam curar ou prevenir a Covid-19. Este fato ainda preocupa os profissionais da saúde que tentam a todo custo defender a população do uso abusivo de tais drogas através de informações científicas que demonstram a inefetividade destes medicamentos para o tratamento ou prevenção do vírus.

De acordo com dados do Sistema de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), cerca de 25% dos casos de óbitos por intoxicação são provenientes do uso inadequado e abusivo de medicamentos. Além destes casos podemos citar outros prejuízos  como reações alérgicas, problemas gástricos, hemorragias, edemas de glote, desenvolvimento ou agravamento de problemas cardíacos e renais, taquicardia, rinites medicamentosas entre outras complicações.

Temos certeza que neste contexto o medicamento não é o vilão. Quem assume este papel na verdade é a falta de informação a respeito do uso apropriado dos medicamentos. Para que este quadro seja revertido os farmacêuticos trabalham de forma contínua para trazer informações de qualidade à população, esclarecendo todos os tipos de dúvidas e também as chamadas fake news, contribuindo de forma direta no tratamento de transtornos menores e fazendo o encaminhamento adequado a outros profissionais da saúde quando necessário.

Em setembro comemora-se o Dia Internacional do Farmacêutico, profissional que merece destaque especialmente devido a sua atuação no enfrentamento da pandemia. Capacitado a atuar em 136 especialidades, estes profissionais estão presentes desde a pesquisa e desenvolvimento de vacinas e novos fármacos, passando pelo processo de registro nos órgãos regulamentadores, chegando ao cuidado direto a população em laboratórios de análises clínicas, hospitais e farmácias. O farmacêutico vem desenvolvendo diversas atividades a fim de promover a saúde e acelerar o combate ao vírus Covid-19. Mais do que nunca merece respeito e admiração da população!

(*) Patrícia Rondon Gallina é farmacêutica, mestranda em Ciências Farmacêuticas e professora do Centro Universitário Internacional Uninter



 
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