10/09/2021 às 13h13min - Atualizada em 11/09/2021 às 00h00min

Projeto de inovação forma agentes populares de saúde para atuarem contra a pandemia em Santos (SP)

Iniciativa do Instituto Procomum, em parceria com a Unifesp e Instituto Elos Brasil, capacitou lideranças com foco na saúde e na informação

SALA DA NOTÍCIA LN Textos | Lúcio Nunes
http://www.procomum.org
Divulgação | Instituto Procomum (Santos-SP)

O Instituto Procomum, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Instituto Elos Brasil, finalizou no último mês de julho o curso Agentes Populares de Saúde – APopS. Desde então, 18 pessoas estão capacitadas a atuarem voluntariamente em seus respectivos territórios na cidade de Santos (SP) para promover o cuidado comunitário e formas de proteção da vida em relação à Covid-19.

Além de atender às demandas urgentes e os complexos desafios impostos pela atual crise sanitária em três polos do município (Centro Histórico, Zona Noroeste e Morros), a iniciativa aponta para o fomento de redes de inovação cidadão, uma das premissas da organização.

Os encontros ocorreram durante cinco semanas, com grupos reduzidos, divididos em três espaços, observando as medidas de prevenção à Covid-19: o LAB Procomum, a Associação de Melhoramentos do Morro da Nova Cintra e o Instituto Arte no Dique.

Proteção às comunidades periféricas

A ideia para o projeto surgiu durante a  campanha Frente Baixada Pela Vida, em 2020, que somou esforços de organizações da sociedade civil da região – e, posteriormente, da Diocese de Santos –, tão logo a crise sanitária se instalou. A ação reforçou o  entendimento da importância da criação de processos de proteção às comunidades periféricas para além das questões emergenciais.

A articulação do curso de extensão para formação dos ApopS resultou em uma proposta pedagógica plural, elaborada em conjunto por profissionais da UNIFESP, trabalhadores da rede de saúde, da assistência social, do Instituto Procomum, do Instituto Elos e  do Fórum da Cidadania e lideranças comunitárias.

Durante o curso, os participantes discutiram e aprenderam mais sobre a pandemia e seus impactos em populações mais vulneráveis, além da importância de fontes de informação confiáveis, da defesa dos direitos sociais e do papel das mobilizações populares contra retrocessos, entre outros temas.

“As lideranças já têm uma importante atuação em suas comunidades e queremos, além de compartilhar informações sobre a Covid-19, estimular a formação de vínculos e trocas de tecnologias para acessar os territórios e superar as dificuldades”, conta Marília Guarita, Diretora de Recursos do Instituto Procomum.

Iniciativas semelhantes estão em andamento pelo país e também inspiraram a existência do grupo na Baixada Santista. Entre elas o projeto de formação de APopS no Recife (PE), proposto pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que também envolve movimentos sociais como Mãos Solidárias, Periferia Viva e o MST.

Objetivos comuns e potencial replicável

A união de forças entre diferentes setores da sociedade, com suas respectivas potências, plataformas, recursos e saberes foi um dos diferenciais propostos pelo curso para propor o enfrentamento de problemas reais. Com isso, fortalece-se a mobilização das redes e a presença dos APopS não só em seus territórios, como coletivamente. Para a assistente social Mariana Torres Behr, 40 anos, moradora do morro do Monte Serrat, participar da formação ao lado de profissionais de saúde valorizou sua experiência também como cidadã.

“Espero que outras formações possam ser criadas, para ampliar as nossas redes. Sinto-me realizada e pertencente ao lugar, não só por conhecer  mais pessoas, mas, principalmente, por partilhar objetivos comuns”, comenta.

Uma das ações idealizadas pelos novos agentes da região do Centro, por exemplo, é um trabalho de conscientização sobre a importância da lavagem adequada das mãos. Da mesma forma, as demais turmas planejam ações de acordo com suas próprias demandas, já que cada local apresenta suas especificidades.

“Aqui no Centro existem muitas pessoas em situação de rua e habitações precárias, com acesso escasso à água, a produtos de higiene e também à informação. Hoje percebo o quanto isso é de vital importância para o bem-estar comum”, comenta Helena Aparecida Ferreira, 52 anos, também formada pelo curso.

A iniciativa tem perspectivas de continuidade. O Instituto Procomum já busca parceiros para reeditá-la em outras regiões da Baixada Santista. “É uma tecnologia popular, essencial para a saúde o o cuidado nas periferias brasileiras, que pode ser replicada em outros territórios e sistemas”, completa a diretora Marília Guarita.

O Instituto Procomum é uma organização sem fins lucrativos, que há 5 anos trabalha para ativar e participar de redes cujo foco é promover a transformação social e inventar um mundo comum entre diferentes. 


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