19/06/2012 às 23h03min - Atualizada em 19/06/2012 às 23h03min

Penetráveis

Cia. Mariana Muniz apresenta Espetáculo de arte/dança inspirado no trabalho de Hélio Oiticica volta em cartaz no dia 6 de julho, para uma curta temporada na Sala Crisantempo.

Flavia Fusco

“Não se trata de ficar nas idéias. Não existe idéia separada do objeto, nunca existiu, o que existe é a invenção.”

Hélio Oiticica, 1979.

 

A Cia. Mariana Muniz volta em cartaz com o espetáculo de arte/dança PENETRÁVEIS, com temporada a partir do dia 6 de julho, na Sala Crisantempo. Terceiro trabalho consecutivo da companhia a partir das propostas do artista plástico carioca Hélio Oiticica (1937-1980), esta pesquisa teve início em 2007, com os espetáculos PARANGOLÉS, resultado do cruzamento do conceito parangolé com a dança contemporânea, e NUCLEARES, que focalizou o samba como objeto de pesquisa. Os dois primeiros são Parangolés, de 2007, e Nucleares, de 2008.

Em Penetráveis, de 2011, a dança acontece sob a ótica das obras de mesmo nome do artista, que apontam para novas regiões do fazer artístico. Partindo de uma pesquisa intrinsecamente construtivista, voltada para a autonomia da forma e para sua  integração em uma nova totalidade cuja premissa essencial é a criação de novas condições de experiência do real e de modos de estar no mundo.

Com os penetráveis, H.O. atinge o âmago de sua poética, de sua originalidade no contexto da arte contemporânea; a afirmação do indivíduo, em sua obra, tem que vir de dentro, de uma busca íntima e reveladora do corpo; de um corpo que toca, que vê, que anda, que reflete. Que é interior e exterior simultaneamente.

Hélio Oiticica, mais do que ninguém, buscava dialogar com formas de vida marginalizadas a fim de criar uma prática de resistência. A cultura popular não é tematizada artificialmente em seu trabalho, não há nenhuma condescendência paternalista ou populista; o que lhe interessa é aproveitá-la enquanto fonte de energia, enquanto necessidade criativa.

“No Brasil há fios soltos num campo de possibilidades: por que não explorá-los”. H.O.,1972 Os projetos de Oiticica visam à  experiência coletiva e supõem a mudança de comportamento, tanto do individual como do coletivo. A imagem desse espaço de  transmutação do Penetrável é o labirinto; o labirinto efetua a passagem da perspectiva comum, estabelecida, para outra, continuamente inventada pela ação.


SERVIÇO

PENETRÁVEIS

Temporada: dias 06, 07, 08, 13, 14 e 15 de julho

Sextas às 21h , sábados e domingos às 19h

Duração: 45 minutos

Livre

100 lugares

Preço: R$ 10,00 / R$ 5,00

Bilheteria abre 1 hora antes do espetáculo

Local: Sala Crisantempo

Rua Fidalga, 521 - Vl. Madalena - SP
Telefone: (11) 3819 2287

Acesso para deficientes/não tem ar

 

FICHA TÉCNICA

Cia. MARIANA MUNIZ TEATRO E DANÇA

Concepção e Direção: Mariana Muniz

Assistência de direção: Cláudio Gimenez

Intérpretes-Criadores: Bárbara Faustino, Danielli Mendes,

Gilberto Rodrigues, Mariana Muniz, Viviane Fontes e Amanda Correa

Estagiária: Tatiana Saltini

Música Original: Ricardo Severo e Loop B

Criação e operação de luz: Ricardo Bueno

Figurinos: Tânia Marcondes

Fotos: Claudio Gimenez

Design de Imagens: Osmar Zampieri

Design Gráfico: Paula Viana

Produção Cria da Casa (Priscila Wille e Cybelle Young)

Assistente de produção: Michelle Karine

 

CIA MARIANA MUNIZ TEATRO E DANÇA

Apresentação

A Cia.Mariana Muniz de teatro e dança foi criada no ano 2000. Desde então vem desenvolvendo trabalhos voltados para a pesquisa das relações entre palavra e movimento, e as conexões expressivas entre poesia e dança. Ao longo de sua trajetória, realizou trabalhos de teatro-dança, onde a poesia de artistas como Florbela Espanca –Dantea-, Ferreira Gullar – Túfuns - e Arnaldo Antunes – Rimas no Corpo- serviram de referência para o exercício de múltiplas qualidades de trânsito entre a palavra e o movimento e ,cuja excelência, atesta os muitos prêmios recebidos.

A partir de 2007, com o incentivo da 2ª Lei de Fomento à Dança da SMC da cidade de São Paulo, a Companhia ampliou sua equipe de trabalho e deu início a um processo de investigação das redes de articulação entre artes plásticas e dança contemporânea, com referência no artista plástico brasileiro Hélio Oiticica.Deste mergulho no universo plástico nasceu o primeiro projeto -Parangolés.

Em 2009, com Nucleares, ancorados pela idéia de “Experimentar o experimental”, a Cia. Mariana Muniz continua sua trajetória de pesquisa cênica, comprometida com o hibridismo de linguagens na arte, propondo-se aprofundar a exploração dos limites entre questões cênicas, coreográficas, dramatúrgicas, visuais e performáticas.

Em Nucleares (2008/09) e Parangolés (2007/08), mais do que a criação de um produto cênico – com referência no trabalho do artista plástico brasileiro, Hélio Oiticica –, o que nos interessa é a discussão sobre as diferentes “tonalidades”, as corporeidades que podem surgir de uma liberdade de investigação que está na própria gênese da obra do artista carioca. .

A companhia também faz incursões em trabalhos solos,como é o caso de Speranza! Dona Esperança que tem direção de José Possi Neto e também faz parte da estréias previstas para o ano de 2009.

Em 2010, estréia sua mais nova criação: Pó-éticas; uma releitura e recriação de 3 projetos de dança e teatro: Dantea, Túfuns e Rimas no Corpo; solos realizados pela criadora e intérprete, desde os anos 90, apresentados, desde então, por todo pais, a partir de apoios recebidos das mais diversas instituições culturais.

Mariana Muniz nasceu em Pernambuco, onde começou seus estudos de dança clássica, e formou-se no Rio de Janeiro pela Escola de Danças Clássicas do Teatro Municipal. Em 1974 encontrou-se com Klauss e Angel Vianna e, desde então, dedica-se ao trabalho com a dança contemporânea. Trabalhou com Klauss em 1983, quando ele criou o Grupo Experimental do Balé da Cidade de São Paulo e dançou no Grupo Coringa

de Graciela Figueroa. Estudou em Nova York nas escolas de Martha Graham, Mercê Cunningham e Jennifer Muller; e na França estudou na Sorbonne com Annick Maucouvert e estagiou na Cia. de Maguy Marin.

Participou de muitas produções importantes em teatro; e na dança ela cria solos, frutos de suas investigações no campo das relações entre a palavra e o movimento, e das percepções que se tem do corpo em movimento, tanto no Ocidente como no Oriente.

Sobre seu trabalho, Helena Katz, crítica de dança, escreveu:

"Em cada uma de suas realizações, sempre ofereceu sínteses entre o que carregava no seu corpo de profissional de dança e as demandas específicas do fazer teatral."

Atualmente, Mariana Muniz dá continuidade ao seu fazer artístico participando de espetáculos teatrais e criando os seus próprios espetáculos junto com a companhia, onde mistura, de maneira muito própria, o teatro com a dança, em parceria com o arquiteto Cláudio Gimenez


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