30/09/2014 às 19h04min - Atualizada em 30/09/2014 às 19h05min

”Seminário: Future Cranes” mostra as melhores soluções no mercado de guindastes

Evento realizado pela SSAB foi ministrado por engenheiros da SSAB do Brasil e da Suécia em Caxias do Sul com foco nas mais novas tecnologias em materiais para o setor

Communica Brasil

A SSAB, fabricante dos aços mais resistentes do mundo, como o Domex e Weldox, promoveu no último dia 02 de setembro, o seminário ”Seminário: Future Cranes” em Caxias do Sul (Rio Grande do Sul). Na ocasião, especialistas do Brasil e da Suécia mostraram por meio de estudos e cases de sucesso, como obter melhores resultados fazendo um upgrade nos materiais usados hoje.

 

Thiago Zuntini, Gerente de Vendas da SSAB, iniciou os trabalhos no Seminário, dizendo que era uma demanda latente em trabalhar, próximo dos parceiros da siderúrgida sueca, projetos com foco em guindastes. Lisandro Peliciolli, responsável pelas vendas dos materiais da SSAB no estado do Rio Grande do Sul e pela venda de aços balísticos e aços ferramentas da SSAB nos países da América do Sul, disse que o objetivo da empresa é que seus parceiros e clientes criem produtos mais resistentes, mais leves, mais duráveis e mais sustentáveis. Além disso, apresentou a líder mundial na fabricação de aços de alta resistência, falou sobre suas marcas, unidades de produção e sobre o Prêmio Swedish Steel Prize.

 

João Preichardt, Design Specialist da SSAB na Suécia, fez uma apresentação sobre ”Aços Estruturais – Novos Produtos”, focada nos aços Domex e no Weldox - sobre os novos graus e as novas resistências dentro dessas duas marcas. ”Para obter um produto desse nível, demanda um certo grau de modificação na usina, que é difícil de se obter com os equipamentos normais que se têm na indústria”, disse. ”O projeto que resultou na obtenção desses aços é de 2011 e ampliou a capacidade da usina em 300 mil toneladas, proporcionando uma nova gama de materiais”, completa. Nos novos produtos, os novos graus obtidos de Domex são: 900, 960 e 1100 MPa de limite de escoamento. Já o Weldox traz maior resistência do mercado para aço estrutural, com 1300 MPa de limite de escoamento. Ele também reuniu alguns casos de suporte em upgrade, em que a SSAB propôs a solução para clientes. Um dos casos mostrou a melhora em uma grua, em 1987, para aumentar sua capacidade. A solução foi produzir um design compacto, mais resistente e simples, com 20% apenas da quantidade de solda utilizada no projeto anterior.  

 

O sueco Mattias Clarin, engenheiro e PHD em Estruturas, trabalha no Knowledge Service Center - Grupo de Design da SSAB na Suécia e iniciou sua apresentação com um projeto de uma lança de guindaste, que ficou 10% mais leve com a utilização de aço de resistência.  ”Esses 10% a menos na lança, representou para o cliente 370 quilos a menos sobre o caminhão, além do incremento de 115% na carga que se poderia içar nesse guindaste”, explicou, ressaltando outros benefícios da combinação de redução de peso e melhora na performance do guindaste.

 

Após explanar sobre todos os benefícios da redução de peso da lança, enumerou seis motivos pelos quais os clientes não utilizam os aços de alta resistência: Tradição; conhecimento; rigidez e deformação; estabilidade; normas e regulamentos e fadiga. Sua apresentação focou em três pontos: rigidez, estabilidade e fadiga.

 

A rigidez é um dos pontos que mais preocupam os clientes ao utilizar aços de alta resistência. ”Muitas coisas podem influenciar na rigidez de um equipamento, desde como a carga é aplicada, o material, a geometria, além das condições de suporte”, disse o especialista. Mas ele pôde demonstrar que o fator que governa a rigidez é a geometria.  Já a instabilidade causada em uma estrutura é a falha antes de atingir o limite de escoamento. ”A estabilidade está ligada ao esforço de compressão”, pondera. Exemplificou a instabilidade utilizando uma régua, em que, aplicada a força de compressão, o equipamento entra em colapso, mostrando a flambagem. ”Neste caso, o fenômeno de instabilidade  também está ligado à geometria e, o mais importante, segundo o especialista, é a relação da largura com a espessura dessa região, além do nível de estresse aplicado naquele ponto”.

 

”A fadiga é um dos principais pontos a ser considerado, pois 90% das falhas de projetos de clientes estão relacionadas à fadiga”, disse o engenheiro. Ele explicou que a fadiga está relacionada ao comportamento de uma trinca e pode ser dividida em três fases: a iniciação da falha, propagação da trinca (relacionada à resistência do material) e a última, o rompimento do material. ”Para o metal base, a maior resistência mecânica vai proporcionar um material com mais resistência em fadiga. Mas a presença de solda em qualquer componente elimina a fase de iniciação da trinca, reduzindo a vida em relação a fadiga”, comenta. ”Com relação ao design estrutural desse componente, para aumentar a vida em fadiga, é preciso adequar os tipos de uniões, objetivar a qualidade da superfície e acabamento de corte, além de buscar o posicionamento das uniões em regiões de mais baixa tensão e principalmente, garantir a qualidade da solda”.

 

Leonardo Hagen, gerente industrial da Argos Guindastes, agradeceu a oportunidade de participar do Seminário: ”Eventos como estes proporcionam ao segmento de guindastes a oportunidade do aperfeiçoamento do conhecimento das áreas técnicas para a ampliação da capacidade e estrutura de engenharia e colocar no mercado, novos produtos e melhorar a performance dos equipamentos. Isso deve se manter”, disse.

 

Gustavo Fonseca, gerente de engenharia de guindastes hidráulicos da Manitowoc, disse que os produtos evoluem de acordo com os materiais disponíveis no mercado hoje em dia e que questões de aparência e desempenho são muito requeridos. ”Com um seminário com essas possibilidades, baseado em argumentos técnicos focados no projeto de design, que rompem a cultura da tradição, é que as empresas vão conseguir enxergar essas vantagens e começar a melhorar o desempenho de seus produtos, além de oferecer a melhor qualidade”. Fonseca também pondera que o desempenho e o aspecto visual são pré-requisitos e cruciais para vender guindastes. ”Ter a oportunidade de ouvir um PHD em estruturas, alguém de fora, com uma visão diferenciada, e trazer essa discussão técnica é excelente”.  

 

Leandro Ferrarini, vendedor externo e técnico em vendas da Tecnolaser, elogia a atitude da SSAB em trazer um especialista em estruturas. ”Eu, como um prestador de serviço, tenho que ter a ciência e conhecimento técnico de venda para oferecer um produto de qualidade para meu cliente”, disse.

 

Marco Waikamp, responsável pelo desenvolvimento de produto e diretor de produtos da TKA Guindastes, disse que muitos projetistas hoje trabalham baseado em conhecimentos pessoais e naquilo que acreditam ser o ideal e o melhor, sem parâmetro de testes e pesquisas. ”Quando temos alguém com uma prática que tem o palestrante Mattias Clarin, que realmente fez os experimentos e os mostrou, isso nos dá credibilidade e confiança para trabalhar e atuar, desenvolvendo um projeto que além de ser mais eficiente, é seguro”. Waikamp foi, inclusive, o responsável pelo primeiro projeto da SSAB no Brasil com a aplicação do aço Domex em projetos.

 

Antonio Matos, diretor da Forza, disse que, com o convívio com os consumidores finais, ficam sabendo das aplicações dos produtos e como podem fazer para melhorá-los em relação à redução de peso, resistência, etc. ”Em uma apresentação como a do especialista sueco, acabamos aderindo esse conhecimento”.

 

O Eng. Leonardo Vieira, MSc Soldagem - Gerente Técnico, SSAB Américas, finalizou o Seminário, falando sobre processamento e soldagem das linhas Domex (produtos com 900 a 1100 Mpa de limite de escoamento) e Weldox (que tem um nível de resistência mais alta,  até 1300 Mpa). ”O Domex e o Weldox apresentam excelente soldabilidade. O Weldox se destaca ainda mais por ter uma composição química e um processo de fabricação que permitem propriedades mecânicas ainda melhores, além de uma maior faixa de espessuras disponível”. Falou também sobre os fatores para uma boa conformação de chapas de aço e processos de soldagem aplicados a aços de alta resistência. Também foi citada a importância de ter uma consistência similar em todas as chapas, tanto no quesito de propriedades mecânicas como nas tolerâncias estreitas de espessura que os produtos da SSAB possuem.

 


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