16/06/2021 às 13h13min - Atualizada em 16/06/2021 às 15h24min

Startups brasileiras que tiveram sucesso em um ano difícil

SALA DA NOTÍCIA Redação
João Alfredo Pimentel, investidor fundador do SCALEXOPEN
Sabemos que o Brasil, assim como outros países, não ficou imune ao colapso causado pela pandemia que exigiu isolamento para conseguir controlar a transmissão do coronavírus. Com as restrições impostas, vieram a queda das rendas familiares, além do adiamento de investimentos e projetos empresariais. Mas, apesar de ainda enfrentarmos essa situação, alguns empreendedores se reinventaram, colocando seus negócios no meio digital, por exemplo, e amadurecendo o ecossistema de startups. Segundo a 100 Open Startups, que monitora a atividade de 16.429 startups ativas (qualificadas – seja pelo mercado corporativo, seja por investidores – e com faturamento inferior a R$ 100 milhões) no país, aponta um crescimento de 27% de 2020 para 2021.

Para João Alfredo Andrade Pimentel, investidor fundador do SCALEXOPEN, fundo de investimento Venture Capital para startups em estágio seed e pré-seed de base tecnológica e com alto poder de escalabilidade, a pandemia trouxe uma nova realidade para esse ecossistema e acelerou um processo que já existia e que poderia ser considerado tendência. “A experiência do ambiente ‘físico’ corporativo é importante, mas as pessoas querem comodidade e essa digitalização das cadeias produtivas é o novo normal”, diz Pimentel.

Recém-chegado ao mercado brasileiro, o SCALEXOPEN investiu, recentemente, nas startups Indigosoft, fabricante e integradora de plataformas tecnológicas de alta performance focadas em robotização e Inteligência Artificial, e Tiffin Foods, plataforma de marketplace B2B que conecta fornecedores e representantes de alimentos saudáveis, naturais, artesanais e vegs com lojistas – os valores partem de uma média de R$ 500 mil, podendo chegar a R$ 5 milhões por startup. O Fundo, que tem como propósito fomentar o empreendedorismo, gerar empregos e impactar positivamente a sociedade, tem capital comprometido de até R$ 30 milhões em até dois anos.

Depois de mais de 17 anos na Coopercarga, onde assumiu diversas funções até chegar a head de Negócios Digitais, em março de 2020, bem no início da crise pandemia, o empreendedor Denny Mews fundou a CargOn, logtech curitibana que atua como operador logístico digital. Há pouco mais de um ano no mercado, a startup já possui 50 mil motoristas de caminhões cadastrados na plataforma, registra o transporte de 110 mil cargas e a movimentação de R$ 500 milhões em fretes. Nesse período, recebeu três rodadas de investimento, tem um post-money valuation avaliado em R$ 17,5 milhões e já faz planos para receber uma Série A em dezembro deste ano. A empresa assumiu o pioneirismo na adoção da Inteligência Artificial da Microsoft, para facilitar a identificação de motoristas e suas respectivas habilitações. Também saiu na frente ao lançar recentemente, em parceria com a BB Seguros, o primeiro seguro de vida para caminhoneiros do Brasil.

Outra startup que recebeu aporte recentemente foi a Kenzie Academy Brasil, escola de programação que se posiciona como alternativa ao ensino superior. Como o início da operação em janeiro de 2020, a escola já recebeu mais de 50 mil interessados em seu curso de desenvolvedor web full stack. A edtech, que adota metodologia inovadora de ‘sucesso compartilhado’, em que o estudante só paga a mensalidade do curso após estar empregado e com remuneração mínima de R$ 3 mil por mês, recebeu R$ 8 milhões da E3 Negócios para acelerar o crescimento no país, desenvolver ferramentas e tecnologia para melhorar ainda mais a qualidade do ensino.

Para potencializar o processo de expansão e  aumentar em 10 vezes o faturamento nos próximos três anos, a Vulpi, HR Tech que oferece uma solução completa para empresas que precisam contratar e reter seus profissionais de TI, abriu uma rodada para investimento, por meio da CapTable, primeira plataforma de crowdfunding de recompensas focada no empreendedor no Brasil. O valor de R$ 1 milhão captado teve a participação de mais de 300 pessoas (na sua grande maioria, desenvolvedores).

Aquisições
Com pouco mais de dois anos de operação, o aplicativo Kinvo, que consolida produtos financeiros de bancos e corretoras em um só lugar, atraiu interesse do maior banco de investimentos da América Latina, sendo adquirido pelo BTG Pactual por R$72 milhões, em março deste ano. Com sede em Salvador (BA), a fintech se diferenciou por sua plataforma B2C que, atualmente, está com mais de 700 mil usuários, que somam mais de 137 bilhões em investimentos cadastrados. Além disso, registrou um salto de 17 mil usuários pagantes para 49 mil. Atualmente, o Kinvo registra mais de 30 mil usuários de fora do Brasil, em países como EUA, Portugal, Inglaterra e Japão.

Já a DevApi, startup de integração de sistemas, foi adquirida recentemente pela multinacional TIVIT, com apenas dez meses de atuação no mercado. Na prática, a aquisição foi uma decisão estratégica da gigante de TI, que viu na empresa uma oportunidade de oferecer aos clientes uma metodologia inovadora para resolver as principais dores dos executivos hoje: a integração de diversos sistemas de uma forma ágil e segura. Fundada em maio de 2020 em Maringá, no Paraná, por Luana Ribeiro e William Hoffmann, a DevApi seguirá como uma empresa independente, com os fundadores seguindo no comando da startup.
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