15/06/2021 às 09h07min - Atualizada em 15/06/2021 às 13h26min

Inovar é preciso, humanizar é urgente

Grazielle Ueno Maccoppi (*) Cláudio Aurélio Hernandes (*)

SALA DA NOTÍCIA NQM
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No mundo dos negócios é comum o uso de termos como competitividade, progresso, crescimento. Quase como uma característica fundamental para o ambiente empresarial, antecipar resultados e garantir vantagens são premissa de um bom negócio, e nesse cenário proatividade e inovação são condições chaves para o sucesso. 

Jargão ou não, o mundo viveu entre os anos de 2019 e 2020 grandes modificações. O meio corporativo teve de enfrentar num curto espaço de tempo inúmeras adaptações e modificações à medida que novos processos surgiram, operações e sistemáticas foram revistas e adaptadas, contenções desenvolvidas e tecnologias incorporadas. Apesar dos desafios, um novo jeito de gerir vem se revelando a partir da pandemia da COVID-19, um período que será lembrado por muito tempo. Mas, desde logo, já há muitas tentativas de compreensão dos seus desdobramentos no contexto das organizações. 

É frente a esse contexto, além da necessidade de edificação de novas técnicas de gestão, que a questão da humanização é potencializada no ambiente corporativo. O movimento de valorização do homem e de todas as relações humanas tem raízes históricas e filosóficas aportadas no “Humanismo” do período do Renascimento (século XIV – XVI). Uma doutrina que propagou o propósito de reconhecer que o homem é um ser dotado de valores, virtudes e sabedorias que o leva à máxima em que o ideal do ser humano é ser humano. Tal teoria humanista passou a ser instrumentalizada na perspectiva da administração a partir de estudos de autores como Elton Mayo (1933), e mais tarde de autores como Kurt Lewin (1952). Decorre dessa linha as soft skills nos ideários de habilidades requeridas ao trabalho moderno, por exemplo. 

As discussões humanas nas organizações podem ter sido potencializadas com o agravamento da pandemia, a crescente preocupação com a saúde dos colaboradores, seu deslocamento do ambiente de trabalho e ainda do distanciamento físico das pessoas. Mas estas suposições afunilam sobre um acentuado interesse empresarial nos valores e virtudes do indivíduo, sintetizados por suas habilidades humanas.  

Um modelo de gestão apto a inovar é aquele que reconhece o indivíduo como uno complexo, dinâmico e realmente comprometido com o seu pleno desenvolvimento em valores inteligíveis que extrapolam as dimensões físicas da empresa. Sendo a organização uma mostra da sociedade é fundamental que ela seja complexa, diversa e detentora de oportunidades para se constituir como um organismo vivo e, naturalmente, se tornar expansiva dentro dos seus interesses em criatividade, empatia e inovação. 

A valorização do mundo das ideias não é recente, não surgiu na atual crise pandêmica. Faz parte de um dos pilares filosóficos de Platão que viveu entre 428 aC e 347 aC. Platão compreendia que existem mundos distintos e complementares: o mundo das ideias associado às verdades humanas, às permanências, à realidade, à essência, ao eterno, e o mundo sensível onde transitam as superficialidades, as aparências e as opiniões – portanto, incapaz de atingir a verdade. Extraindo grosseiramente, de maneira restrita às reflexões platônicas, de um lado temos a essência humana e, do outro, a aparência.  

Pois bem, vamos trazer esta reflexão para compreender a atualidade. Inovação é dar uma nova essência a um processo, é alterar o foco, não é repetição ou rearranjo de algo. Então, o que de fato a inovação engloba e acrescenta? O homem é capaz de inovar quando tem estatura suficiente entre generosidade, altruísmo, empatia, ausência de preconceitos. São estes elementos essenciais fortalecidos que levam o homem a uma compreensão de mundo de maneira fluída, como prevê a inovação. 

Podemos considerar, embasados em reflexões filosóficas, que para ser inovador é fundamental desenvolver-se enquanto ser humano. Para que as ideias não fiquem aprisionadas nas barreiras internas ou especulativas do mundo das aparências. Tornar fluídas as ideias exige ideais como um todo, uma consciência profunda da natureza humana, de caráter e moral. Inovar não se trata apenas de implementar modelos de sucesso, mas em promover ações verdadeiras e empáticas para habilitar uma redescoberta de virtudes e valores. 
 
(*) Grazielle Ueno Maccoppi é coordenadora dos Cursos de Gestão de Turismo e Gestão Empreendedora de Serviços do Centro Universitário Internacional UNINTER 

(*) Cláudio Aurélio Hernandes é coordenador dos Cursos de Processos Gerenciais e Negócios Digitais do Centro Universitário Internacional UNINTER 

 
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