13/05/2021 às 14h49min - Atualizada em 13/05/2021 às 19h16min

Quando a violência bate a sua porta

Psicóloga esclarece como identificar se uma criança sofre agressão

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O caso do menino Henry levantou uma questão muito importante na sociedade brasileira: como identificar que uma criança está sofrendo algum tipo de violência?

Essa violência, que pode acontecer em casa, na escola ou em qualquer outro ambiente frequentado pelas crianças, nem sempre é física, muito menos explícita. A psicóloga e psicopedagoga Karin Kenzler, que atua com psicoterapia clínica há 30 anos, comenta sobre o assunto. Ela explica quais os tipos de violência uma criança pode sofrer.


VIOLÊNCIA FISICA:  a criança geralmente apresenta marcas, escoriações, vermelhidões, hematomas e até mesmo algum membro do corpo quebrado.
VIOLÊNCIA PSICOLOGICA:  tem como características, o processo de humilhação, xingamentos, e rejeição e está geralmente acompanhada dos demais tipos de violência.
NEGLIGÊNCIA e ABANDONO:  ato de omissão por parte dos responsáveis da criança em prover os cuidados básicos tais como: vacinação, alimentação, educação, higiene, afeto e atenção. E o abandono quando a criança fica por alguns dias sem a pessoa mais velha cuidando dela, ou quando o responsável some e não retorna mais para cuidar da criança.
VIOLÊNCIA SEXUAL: é praticada sem o consentimento da criança, mas por abuso da autoridade, obrigando-a a práticas sexuais.
BULLYING: é praticada por um grupo de pessoas para com uma única pessoa. As vítimas são hostilizadas muitas das vezes por questões relacionadas à intolerância em relação a orientação sexual, identidade de gênero, forma física, raça, etnia, nacionalidade.

Segundo Karin, as violências podem ocorrer dentro ou fora de casa, e ainda podem ser autoagressões.

DOMÉSTICA: que ocorre na própria família ou com os responsáveis. Também chamada de intrafamiliar.
EXTRAFAMILIAR: acontece fora de casa, quando é praticada por alguém que tenha a guarda temporária da criança, ou na escola, assim como algumas formas específicas de bullying.
AUTOAGRESSÃO: quando a própria criança se coloca em risco, através de atividades perigosas, se auto lesiona, ou até mesmo comete o suicídio.

Como identificar os sinais de violência infantil?

"É importante, ressaltar que, todos esses sinais descritos nesse item, não podem ser avaliados e tão pouco interpretados de maneira isolada, na tentativa de identificar uma possível situação de violência. Quando conversar com a criança é muito importante acreditar no que ela diz, dando credibilidade ao seu relato e não achar que é fantasia ou mentira", informa a psicóloga.

SINAIS DE VIOLÊNCIA FÍSICA: 
  • Lesões estranhas,
  • Hematomas,
  • Fraturas que deixaram calo ósseo,
  • Marca de queimadura,
  • Arranhões e beliscões,
  • Sentimentos de medo e temor,
  • Por vezes apresentam-se agressivos,
  • Podem ter históricos de fugas de casa.
SINAIS DE VIOLÊNCIA PSICOLóGICA: 
  • Sinais de ansiedade,
  • Comportamento obsessivo, tiques, manias,
  • Sonolência e letargia, introspecção.
  • Agitação, irritação.
  • Problemas orgânicos de saúde, aparentemente sem um fator causador,
  • Distúrbio do sono,
  • Carência afetiva,
  • Isolamento social,
  • Sinais de depressão,
  • Baixa autoestima,
  • Perder de confiança em todos aqueles que lidam com ela
  • Dificuldades em aprender o conteúdo escolar
  • Os responsáveis pela criança no geral, depreciam, ameaçam ou ate mesmo a ignoram
  • Problemas de linguagem, como gaguejar.
SINAIS DE NEGLIGêNCIA E ABANDONO: 
  • Alimentação adequada,
  • Vacinas em atraso,
  • Baixo crescimento,
  • Falta de higienização corporal,
  • Vestimenta inadequada, pequena, suja, maltrapilha,
  • São responsáveis pelas atividades domésticas, como cozinhar e cuidar de irmãos,
  • Falta de concentração e atenção devido ao excesso de responsabilidade e cansaço,
  • Carência afetiva,
  • Isolamento social,
  • Faltas frequentes ou ausências prolongadas da escola

SINAIS DE VIOLÊNCIA SEXUAL: 
  • Apresenta quadro de doenças sexualmente transmissível,
  • Inchaço nas genitálias, lesões genitais como verrugas ou corrimentos.
  • Falta ou baixo controle dos esfíncteres,
  • Dores na barriga, cólicas.  
  • Medo do escuro, constantes pesadelos,
  • Mal estar com o próprio corpo,
  • Distúrbios do sono, como dormir demais ou falta de sono por medos.
  • Distúrbios alimentares como obesidade, bulimia e anorexia.
  • Problemas com urina e fezes (por exemplo, uma criança que já conseguia segurar o xixi para ir ao banheiro passa a urinar na roupa).
  • Alergias e problemas de pele de difícil controle, o que pode ser uma consequência direta de sofrimento psíquico.
  • Pode desenvolver um comportamento sedutor, ao qual se habituou e se tornou natural para ela.

SINAIS DE BULLYING: 
  • Demonstra temor por quem o agride
  • Tristes, intimidados, indefesos,
  • Pode apresentar queda no rendimento escolar,
  • Apresentar dores de barriga ou cabeça frequentes como esquiva para não ir para a aula.
  • Queda no rendimento escolar.
  • Isolamento social
  • Baixa autoestima
  • Sinais de tristeza e depressão.


Como denunciar?
Karin Kenzler esclarece que, se qualquer sinal de violência contra crianças for identificado, é preciso notificar o Conselho Tutelar ou uma delegacia para que medidas de proteção sejam adotadas. "Essa atitude não deve ser encarada como intromissão em assunto de família, mas um cuidado com a saúde e proteção das crianças. Uma simples suspeita pode ser denunciada, até porque é muito difícil ter certeza".

Disque 100: a denúncia será analisada e encaminhada aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos, respeitando as competências de cada órgão.
ONGs: procure Organizações que atuam para o combate ao problema, como o ChildFund Brasil e a Childhood Brasil.
Safernet: é uma organização social que recebe denúncias de crimes que acontecem contra os direitos humanos na internet, incluindo pornografia infantil e tráfico de pessoas.
Conselho Tutelar: encontre o telefone do Conselho Tutelar mais próximo digitando “Conselho Tutelar + o nome do seu município” no Google.
CREAS / CRAS: acesse o site do Ministério da Cidadania, localize as unidades por Estado ou município.
Ministério Público: no site da Childhood Brasil você encontra o contato do MP de todos os estados brasileiros.

 
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