22/04/2021 às 16h05min - Atualizada em 22/04/2021 às 16h30min

Tombos que podem custar vidas

SALA DA NOTÍCIA Priscilla Silvestre
Divulgação
Estudos da Associação Médica Brasileira indicam que cerca de 50% da população com mais de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano; e mais de 60% dos idosos que sofreram queda cairão novamente no ano seguinte.  E um detalhe importante: 70% das quedas ocorrem dentro de casa. 

“Os idosos são mais propensos a sofrerem quedas e se lesionarem do que os adulto por uma série de fatores, desde prejuízos no equilíbrio e da noção de espaço até falta de força muscular e de controle postural, enfraquecimento ósseo, dentre outros. As quedas com lesão não são incomuns e, em alguns casos, podem ser fatais”, explica Advá Griner, gerontóloga e gestora técnica do lar de idosos gerido pelo Froien Farain (Tijuca, RJ).

E complementa: “Essas quedas usualmente afetam a autonomia do idoso, seja por causarem limitações decorrentes das lesões ou pelo medo de cair novamente. E, além dos prejuízos físicos e psicológicos, normalmente esses tombos podem incluir necessidades extras como fisioterapia, medicamentos para dor, obras na casa, uso permanente de cadeira de rodas ou andador e até mesmo acompanhantes”.


Prevenir é sempre melhor!

Mas como proteger os idosos? “A prevenção é sempre o melhor tratamento. O envelhecimento e as mudanças decorrentes dele no nosso organismo são um processo natural. O que precisamos ficar atentos e onde podemos agir é na eliminação de obstáculos que aumentam os riscos. Por isso, é importante utilizar mecanismos de segurança e lançar mão de estratégias que facilitem o cumprimento das tarefas da vida diária e a preservação da autonomia do idoso pelo maior tempo possível, especialmente em casa, que é um ambiente mais fácil de controlar. Alguns cuidados podem parecer exagerados, mas fazem a diferença e asseguram uma rotina sem perigos evitáveis”, pontua Griner.

A gerontóloga ressalta que existem dispositivos extras, como sensores de movimento nos quartos, ronda eletrônica e até mesmo sistemas de chamada de emergência que conectam todos os setores para o pronto-atendimento.

"É claro que numa casa geriátrica conseguimos disponibilizar mais suporte, mas o fato é que todo cuidado é fundamental para prevenir acidentes com consequências incalculáveis, que afetam diretamente a autonomia e prejudicam negativamente a qualidade de vida do idoso. Como a queda é um acidente bastante comum e pode ser previsível e, em muitos casos evitado, sempre indico aos familiares que segurança é um investimento essencial”, destaca.


Dicas para a prevenção

Abaixo, ela sugere algumas dicas para ajudar na prevenção de acidentes em casa.

- Evite produtos que deixam o piso escorregadio, como ceras e produtos sem enxágue;
- Móveis com altura que facilite o sentar e o levantar sem apoio são os mais indicados;
- Os estofados devem possuir espuma firme para não afundar durante a movimentação e para que a pessoa consiga levantar sem esforço;
- Deixe os objetos de uso do idoso em locais de fácil acesso para que ele não precise se abaixar ou subir em escadas, por exemplo;
- Mantenha os corredores e cômodos bem iluminados e com interruptores próximos às portas. Locais muito escuros podem gerar tropeços e tombos;
- Os quartos devem ficar livres de mobílias que bloqueiam a circulação. Reposicione esses móveis nos cantos do ambiente. Tapetes e desníveis também devem ser evitados para que o idoso não tropece em nada;
- Se houver escadas e rampas, coloque corrimão e faixas antiderrapantes no piso para evitar tombos, desequilíbrio e escorregões. Em alguns casos, é bom considerar a colocação de faixas de sinalização visual nas escadas para indicar os degraus;
- Instale barras de apoio na parede do chuveiro e ao lado do vaso sanitário para a pessoa apoiar ao sentar e levantar;
- Se o idoso não conseguir se manter em pé com firmeza, coloque dentro do chuveiro uma cadeira higiênica para maior segurança durante o banho;
- Coloque os medicamentos em caixinhas com datas e horários. Isso vai facilitar a rotina do idoso. Alguns medicamentos podem causar tonturas e, consequentemente, tombos; e erros de medicação também podem causar esse risco;
- Os fios elétricos e de telefone devem ser fixados ao longo das paredes, liberando as passagens. Procure não deixar fios de TV, aparelhos de som ou de qualquer outro eletrodoméstico soltos, pois tropeços habitualmente acontecem nesses cenários;
- Se o idoso morar sozinho, procure deixar registrado no telefone que ele usa os contatos de pessoas a quem ele deve recorrer se precisar. Quando acontece uma emergência, é natural que o idoso fique nervoso, sem saber a quem recorrer em um primeiro momento. Por isso, colocar os contatos organizados vai facilitar caso aconteça algum problema.

Em tempo: É importante lembrar que acidentes domésticos não geram apenas fraturas e machucados. É preciso, portanto, atenção também ao que possa causar queimaduras, intoxicações e choques elétricos.


 
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