21/04/2021 às 18h40min - Atualizada em 22/04/2021 às 15h38min

A Fé Durante a Pandemia

SALA DA NOTÍCIA Autor Filipe Roberta

Durante esse período complicado que estamos passando, tenho observado o comportamento dos religiosos e isso tem me surpreendido muito. Os políticos religiosos, os extremistas que costumavam se meter em todos os acontecimentos da sociedade associando fenômenos, acontecimentos, comportamentos e até desgraças pessoais à consequências de seus atos se calaram.

 Sacerdotes que prometiam curas de doenças incuráveis em nome da fé se calaram. O tão sonhado milagre que brilha no sonho do terceiro mundo sumiu, as divindades que eram usadas como feitores desses milagres se omitiram (ou nunca se importaram de fato) e só sobraram os vendilhões do templo.

A nossa cadeia de programação televisiva é ocupada em massa por programas religiosos, em sua gigantesca maioria na linha Cristã Evangélica. Tanto que uma das vertentes desse segmento comprou um Canal de TV e eles passaram décadas mostrando na telinha que nada é impossível. 

Não existe miséria, desespero e nem doenças pro Deus do Impossível e que quem confia Nele está curado, ou salvo. Alimentam a cultura do milagre em massa, pois em um pais de miseráveis e de baixíssima educação, só podemos acreditar na dignidade como um milagre.

É interessante a cultura do milagre, pois o desespero cega. O sacerdote faz o povo acreditar que ele só vai melhorar de vida, ser próspero, ser feliz e ter saúde, se ele acreditar incondicionalmente no Deus que ele apresenta e, se fizer tudo o aquilo que ele, o sacerdote, determinar. 

A massa da igreja, indivíduo por indivíduo, vira massa de manobra. E eles manipulam. Vendem canetas milagrosas, óleo ungido, sal divino, agua santa, dentre outros objetos, como se um Deus abençoasse em produção industrial. Fez-se a indústria de bênçãos. Chega a ser assustador, os absurdos ditos nessas sessões e chegam a causar vergonha alheia nos “ciganos mendigos” do Largo da Carioca.

Eis que surge uma pandemia global. De princípio quiseram dizer que era uma punição de deus ao mundo por uma demonstração artística de carnaval no Rio de Janeiro, como se os chineses de Wuhan, ou os idosos da Itália tivessem responsabilidade sobre as alegorias carnavalescas de um João qualquer do morro do Juramento. 

Chegaram a querer “botar a culpa” nos vídeos de crítica social de um Canal da Internet que usava o tema do Natal para escandalizar, chocar e chamar atenção para problemas que passamos hoje como preconceito, discriminação, opressão, corrupção entre outros. Como se a Ásia ou meio milhão de americanos tivesse que pagar pelos atos de uma porta de acesso secundaria qualquer ou a opinião política de um Fabio, um Antônio ou um Gregório. 

Fizeram como sempre fizeram. Quiseram pôr a culpa em alguém ao invés de orientar, educar e fazer sua parte para ajudar. Só não contavam que o vírus é laico. Muito mais do que nosso Estado. E sacerdotes, aliados diretos, fiéis, exemplos de moral e de tudo o que eles pregavam também se infectaram. E sofreram e morreram por causa do vírus que resolveu ser o rei do Pop mundial. Um pequeno vírus que resolveu desafiar cada vendilhão da fé e seus falsos messias.  E, pasmem,  ta ganhando e só não desbancou publicamente a todos porque eles se calaram.

Me assusta muito eles não surgirem com a ideia do apocalipse, já que tem alguns indícios para isso, mas se vierem, eles terão que admitir que não eram tão próximos ao tal Deus assim, afinal, não foram arrebatados e nem salvos, estão perecendo como todos os pecadores, ladrões, excluídos e até os que comem carne de porco. 

O que sobrou para os da teoria de conspiração que já estão cheios de previsões para 2023, com pragas, selos, trombetas, cavaleiros e até a paz mundial. Quem era cético se tornou mais cristão que os ditos “apóstolos”, “bispos”, “missionários” de cristo.

E por causa da quarentena e isolamento social, os governos tiveram que proibir aglomerações em todos os segmentos, com isso, os cultos religiosos foram obrigados a parar. Após um ano, sem cura milagrosa, apesar da mesma fé fazer com que tetraplégico levante de cama, cego enxergar, câncer sumir nas cerimônias sensacionalistas, existe uma força política exigindo a volta dos cultos religiosos. 

Mesmo com as praias proibidas. Mesmo com os passeios recreativos proibidos nos parques, mesmo com a restrição em shoppings, cinemas, teatros, bares e afins. As igrejas têm que voltar. Não existe argumento plausível no mundo que me convença de que uma igreja possa funcionar e um teatro ou um bar não. 

Tudo isso é provocado pela força política da igreja nos poderes e o valor que elas movimentam. Se os bares, teatro, shoppings e cinemas fossem todos de um grupo só e tivessem representatividade no governo, também abririam. Menos praia, rios, cachoeiras e parques... porque esses não têm donos. Não tem ninguém que os represente, pois não tem valor econômico. 

Concordo que todos têm que trabalhar, mas se existe uma campanha de quarentena para todos ficarmos em casa e não nos aglomerarmos, com decretos municipais, multas para estabelecimentos e afins, por que uma igreja que sua função principal é aglomerar em nome do deus de sua compreensão pode funcionar? O objetivo dela é aglomerar.

Usando aquela máxima de “A quem interessa isso?”, só posso supor que a fé é particular e subjetiva. Que não existe um Deus redentor, milagreiro que dizem ser o Deus de todos. Eu sou um homem de fé. Respeito a fé. E digo: - Exerça sua fé, no seu canto. Para o Poder Superior que você compreende, mas não caia mais nessa conversa fiada e afiada de que esse Deus fará um milagre na sua vida se você fizer isso ou aquilo. 

Eles só falam isso para poder te manter num curral e ganhar seu dizimo e suas ofertas em dinheiro. Esses deuses não curaram ninguém, ninguém entrou sem respirar e num passe de mágica saiu correndo maratona como nos canais de TV. Dessa fé, os sacerdotes se calaram, os deuses sumiram, os fiéis ficaram desamparados e só quem ainda quer propagá-la são os vendilhões, porque sabem que Cristo se foi, o Verbo virou Carne e a Carne em Espirito, portanto não haverá novas chicotadas, pois Ele cumpriu o papel dEle e Ele não se importa mais.

 

Filipe Roberto é autor do livro Papo Reto e Pokas Ideia

 

Sobre a obra

O problema da vida não está nas respostas que buscamos, mas nas perguntas que fazemos. Quem sou? Qual meu espaço? Onde quero chegar? E que preço quero e/ou posso pagar por isso? Quais meus sonhos? Quais meus medos? E por que esses medos me impedem de realizar os meus sonhos? São as perguntas que devemos nos fazer diante de cada situação da vida. Este livro pretende despertar as respostas para cada uma dessas perguntas. Só uma curiosidade: O que você deixou de ser quando cresceu?

 

Sobre o autor

Filipe Roberto, nascido e criado na Vila da Penha, bairro do subúrbio carioca, situado na zona  norte, onde é muito forte a influência do samba e do funk, seus berços culturais. Vendedor por formação, pai de Sofia e Betinha, filho de Nancy e Paulo Roberto, este já falecido e que o ensinou a pensar.

Já foi bancário, comerciante e funcionário público e sempre largou tudo por algo que o desafiasse e o apaixonasse. Escritor por vocação e Poeta por devoção, curioso e apaixonado pela cultura afro-brasileira como a Umbanda, o Candomblé, a Capoeira, o Samba, a arte escrita sempre foi presente em sua vida, seja lendo ou transmitindo suas ideias e visão para o papel.

As vezes uma visão romântica e densa como a poesia e as vezes pesada e direcionada como critica política e social. Autor do livro Papo Reto e Pokas Ideias, onde conta como conseguiu mudar a sua vida transformando caos em paz. Autor de algumas poesias entre elas cordéis, sonetos e acrósticos, amante da rima mesmo que pobre e autor de alguns artigos de crítica e sugestão política e social amplamente publicado pela mídia geral e especializada.  


 
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