27/08/2014 às 16h58min - Atualizada em 27/08/2014 às 16h58min

Morumbi, Panamby e Paraisópolis: mais um caso de “gente diferenciada”

Na próxima semana os moradores de Paraisópolis realizarão uma passeata pedindo que o governo acelere a conclusão do monotrilho

Digital Trix

por Gilson Rodrigues*

 

A entrega da linha 17 ouro do metrô de São Paulo, o famoso monotrilho, havia sido prometida para a Copa do Mundo. O primeiro trecho, que ligaria o aeroporto Congonhas até a estação Morumbi da CPTM, estaria pronto em maio, e a tão sonhada estação em Paraisópolis ficou para 2015. Já estamos em agosto e não existe previsão para inaugurar a primeira parte da linha ouro, e a melhoria do transporte público para Paraisópolis parece ser mais uma promessa não cumprida. Por isso, na próxima semana os moradores da comunidade realizarão uma passeata pedindo que o governo acelere a conclusão do monotrilho.

Porém, o que vem causando revolta é a forma preconceituosa com que os vizinhos da comunidade tentam barrar esta importante obra sob o argumento, entre outros, de que isso causaria uma invasão de “gente diferenciada” aos seus ricos bairros. Em uma recente reportagem, uma moradora do bairro Panamby disse que o metrô nessa área é desnecessário já que duvidava que “os executivos daqui arriscariam seu laptop nos vagões”.

Essa moradora, mesmo que se sinta indigna para usar o metrô, não consegue se solidarizar com moradores de Paraisópolis que hoje, em média, levam três horas dentro do transporte público para se locomoverem pela cidade, e que com a nova linha esse tempo poderia diminuir para até 15 minutos. Provavelmente a digníssima moradora do Panamby, se perguntada, diria que não tem nada contra o metrô, desde que ele circule, e bem longe, de seu nobre bairro.

Mesmo que alguns moradores desses bairros pensem que o metrô não tem serventia para essas regiões, estudos indicam uma demanda de mais de 5 000 passageiros por dia para essas áreas. Porém, as associações de bairros do Panamby e do Morumbi, que entraram na justiça para barrar a implementação dessa linha, não imaginam que pessoas de Paraisópolis possam frequentar essas regiões, ou até mesmo não querem que essas pessoas cheguem aos seus bairros com mais facilidades.

Mais uma vez estamos vendo um episódio parecido com aquele que vimos em Higienópolis, quando um abaixo assinado quis bloquear a construção de uma estação de metrô naquela área pois traria uma “gente diferenciada” que não teria o mesmo perfil das pessoas que ali habitam. Na época, uma discussão veio à tona para falar sobre questões como inclusão e preconceito social na cidade de São Paulo. Infelizmente, esse recente episódio mostra que essa conversa, assim como a linha 17 ouro do metrô, está longe de ser concluída.

 

*Gilson Rodrigues é líder comunitário de Paraisópolis.


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