23/08/2014 às 00h21min - Atualizada em 23/08/2014 às 00h21min

Pedalando na demagogia

Estimular o uso da bicicleta é saudável, é moderno, dá voto, mas não pode ser feito de qualquer jeito.

Eduardo Odloak

O trânsito acima do normal na Rua Boa Vista, no centro de São Paulo, costuma acontecer quando movimentos populares organizados promovem manifestações em frente aos diversos órgãos públicos que se concentram naquela rua e região. Atualmente, o motivo é outro.

O prefeito Malddad decidiu pintar uma faixa vermelha (qualquer relação com a cor da bandeira do seu partido é mera coincidência) para criar uma faixa exclusiva para os ciclistas. Para isso, a região que concentra órgãos públicos, instituições financeiras e de serviços e gera uma das maiores demandas de taxi da cidade, perdeu seus principais pontos de embarque de passageiros, e estreitou ainda mais a passagem de carros, gerando grave impacto no trânsito do entorno.

Como as ruas laterais são calçadões, a Rua Boa Vista servia como via principal de contorno do centro paulistano para os veículos. A iniciativa do prefeito criou ainda mais dificuldades para quem é obrigado a passar de carro pelo centro da capital, simplesmente para facilitar a passagem de algumas poucas bicicletas pela tal pista vermelha.

Eu gostaria de entender o motivo real de, justamente o prefeito da cidade, prejudicar tanto o já travado trânsito. Criar pistas especiais para bicicletas, onde menos se precisa, sendo que a rua paralela já é fechada aos automóveis, faz algum sentido?

Se é que há demanda para essas pistas naquela região, então o mais lógico seria que as ruas do entorno, que foram transformadas em calçadões, recebessem essas pistas, sem agravar o já caótico trânsito da cidade.

Por que não fazer um estudo mais aprofundado para se identificar, de fato, as demandas e os locais onde as pessoas querem e precisam chegar ao trabalho de bicicleta, antes de tomar medidas demagógicas que prejudicam toda a população?

É fato que as pistas de bicicletas em diversos bairros facilita o acesso de muitos trabalhadores e estudantes ao transporte público e, com isso, muito mais pessoas podem usar a bicicleta em parte do seu trajeto. Mas, é fato também, que as pessoas que trabalham muito distante de suas residências nunca terão a bicicleta como meio de locomoção exclusivo. Para tudo isso, é necessário planejamento.

Se o poder público quer realmente sinalizar que bicicleta é prioridade, então por que não, por exemplo, transformar as linhas férreas, que hoje são aéreas e ocupam as áreas mais planas da cidade, em linhas subterrâneas e, com isso, criar grandes ciclovias que cruzem a cidade?

Estimular o uso da bicicleta é saudável, é moderno, dá voto, mas não pode ser feito de qualquer jeito. Todos os paulistanos merecem respeito!

Eduardo Odloak
Mooquense, administrador, artista plástico, mergulhador e filiado ao PSDB desde os 18 anos. Atuei na formulação de políticas para a juventude no Estado de São Paulo, estive à frente da Subprefeitura Mooca por quase 4 anos e atualmente trabalho na área de Desenvolvimento Metropolitano.


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