13/06/2012 às 23h05min - Atualizada em 13/06/2012 às 23h05min

Se ainda não deu certo... é porque ainda não chegou ao final

Você já ouviu essa frase? Acredita? E quando a sociedade tem que ser a força para esse final feliz? (...)

Juliane Oliveira

Vinte e três de Junho de 2010, Itapetininga.

Um rapaz ao sair da rodoviária foi andando até tentar entrar em uma chácara. A proprietária da mesma, logo acionou a polícia, que, ao chegar no local, percebeu que se tratava de um pessoa surda, e não possuía documento algum.

Abrigado em um SOS do município, entraram em contato com Alexandre Henrique Elias dos Santos, coordenador do curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) da Integra, uma entidade filantrópica de Sorocaba (SP) que alfabetiza pessoas com deficiência auditiva usando a Libras. Alexandre logo constatou que esse rapaz nunca foi alfabetizado em nenhuma língua (libras ou português).

Já se passaram dois anos, e ninguém nunca apareceu. Nada se sabe, e o rapaz continua no SOS. Porém, o Educador Alexandre Elias não desiste e traçou uma incansável busca por respostas. Criou a página no Facebook: Surdo Longe de Casa, para conseguir ajuda através de  compartilhamentos e com a mídia, para enfim chegarmos até a família do rapaz, descobrir suas origens e sua história. O que dificulta muito esse objetivo é o fato do mesmo não possuir documentos, pois além de não saber seu nome, não sabemos sua Cidade Natal.

No momento a ajuda de cada um é de extrema importância, pois estamos falando de um Ser Humano, de uma pessoa que não podemos saber o quanto sofreu, de onde veio ou porque foi parar em tal lugar. Uma pessoa sem destino, que necessita da ajuda do próximo para sobreviver.

Compartilhar as fotos, espalhar o caso. O mínimo se torna máximo e a solidariedade de cada um com esses gestos é mais um passo para enfim, sabermos quem é essa pessoa.

 

Realizei uma entrevista com o Educador Alexandre Elias, para sabermos mais sobre essa intrigante história:


- Há quanto tempo você realiza esse trabalho?

Sempre estive envolvido com a Educação Especial, tendo em vista que minha mãe lecionou em uma Instituição voltada ao publico com Deficiência Intelectual. Assim seguindo seus passos me formando em Pedagogia especializando-se na área. Hoje sou Mestre em Comunicação em Cultura com ênfase na Comunidade Surda. Leciono em uma Instituição voltada ao publico surdo de Sorocaba e região, ministrando cursos de Libras e regente um Coral denominado “Mãos que Cantam e Encantam”.

 

- Como as pessoas do SOS chamam o rapaz?

Como foi encontrado sem qualquer documento que comprove sua identidade, carinhosamente o chamam de Joca.

 

- Como é a convivência dele com as pessoas que o cercam? Ele já demonstrou desespero com alguma coisa, já apontou querendo demonstrar que sabe de algo, querendo voltar para algum lugar?

No inicio quando surgiu no município, mostrava-se preocupado em sair do SOS, com receio de perder-se novamente. Era nítido em seu rosto tal preocupação. Com o passar dos meses foi se adaptando a rotina, buscando ser compreendido utilizando-se de sinais caseiros, pois desconhece a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais).

 

- Qual a rotina dele dentro do SOS?

Ele tem um ambiente só pra ele, exercendo todos os afazeres com os demais que ali transitam. Como está há dois anos na cidade, já sai para alguns lugares públicos da cidade, como Rodoviária e praças. Atualmente tem um carinho todo especial com uma cachorra que apareceu no SOS.

 

- Na questão da Alfabetização, qual a evolução dele?

Leciono em Sorocaba e ele mora em Itapetininga, município distante 1 hora. Como a cidade que ele está residindo não possui uma Instituição voltada ao publico surdo, tentamos trazê-lo alguns dias para Sorocaba para alfabetizá-lo em LIBRAS, mas como não possui documentos, a burocracia dos órgãos públicos torna-se um entrave para seu deslocamento.

 

- Seu contato com ele é diário? O que mais te motivou a traçar essa busca?

Vejo este rapaz surdo esporadicamente, pois moramos em municípios diferentes, mas mantenho contato frequente com os responsáveis do SOS. Sempre lecionei para vários tipos de deficiência, mas socialmente considero a surdez a pior delas socialmente, pois necessita da pré-disposição do outro no aprendizado da Libras. Ouvintes (nós) e os surdos vivem no mesmo país regido pelas mesmas leis, mas utilizam línguas diferentes. Precisa de uma melhor conscientização da sociedade em perceber que o aprendizado da Libras é de uso imediato, pois nunca sabemos quando precisarão de nossas mãos para resolver seus problemas. Assim, tenho tentado, mesmo ele não sendo alfabetizado em Libras, ser suas mãos na busca incessante por sua família.

Termino essa matéria pedindo incansavelmente para cada um fazer sua parte. Adicione o perfil, compartilhe as fotos, seja uma mão que impulsiona essa busca para enfim descobrirmos quem é essa pessoa, sua origem e sua história.

 

Perfil Surdo Longe de Casa:

www.facebook.com/profile.php?id=100003912314442

Telefone: (15) 3231-5778

Site: http://www.integrasurdos.org.br

 

Juliane Oliveira.

 

Todos os direitos reservados.

PLÁGIO É CRIME! No Código Penal Brasileiro, em vigor, no Título que trata dos Crimes Contra a   Propriedade Intelectual, nós nos deparamos com a previsão de crime de violação de direito autoral – artigo 184 – que traz o seguinte teor: Violar direito autoral: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.***

 

 


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