15/08/2014 às 07h12min - Atualizada em 15/08/2014 às 07h12min

Ensino bilíngue é muito mais do que saber falar inglês

O suíço Lukas Bartschi esteve no Brasil durante a Copa do Mundo e ficou surpreso com o esforço dos brasileiros em falar o inglês. Em entrevista ao portal G1, ele lembrou que quando conheceu o Brasil, há seis anos, nenhum brasileiro dizia uma palavra no idioma. Esta é uma observação que faz sentido, e está em sintonia com o enorme crescimento de escolas bilíngues no país nos últimos anos.

CGC Educação

Sem dúvida alguma, é muito bom o Brasil ter acordado para a urgência em formar o cidadão brasileiro apto à comunicação na língua universal. No entanto, é preocupante a qualidade educacional de muitas destas instituições, que contratam professores nativos ou brasileiros fluentes na língua, mas sem formação/experiência com a pedagogia do ensino.

 

Pioneira no Brasil a oferecer o ensino bilíngue a estudantes da educação infantil ao ensino fundamental, a Escola Cidade Jardim Playpen, na zona oeste de SP, enfatiza a importância dos pais ficarem atentos à matrícula em escolas que se autodenominam bilíngues.

 

“Bilíngue é a escola que promove o desenvolvimento intelectual do aluno em dois idiomas. Muitas escolas que se dizem bilíngue no Brasil priorizam a contratação de professores fluentes no segundo idioma, e não leva em consideração a formação como educador. Muitos destes profissionais não foram formados para serem professores e desenvolver com competência e sabedoria o conteúdo de uma disciplina”, diz Daniela Leonardi, diretora geral da Escola Cidade Jardim Playpen.

 

A ECJ/PlayPen  foi comprada há dois anos pelo grupo inglês Cognita School, que compreende atualmente 64 escolas no Reino Unido, Europa, América Latina e Sudeste Asiático. A semelhança entre as escolas do grupo é a excelência acadêmica exigida pelo grupo Cognita.

 

A única escola do grupo no Brasil é a ECJ/PlayPen. Para o grupo inglês, investir e manter a qualidade da educação bilíngue oferecida pela escola adquirida é primordial. No Brasil, a escola é a idealizadora do Congresso Internacional das Escolas Bilíngues que ocorre no país a cada dois anos – este ano será realizado entre os dias 12 e 14 de setembro - e mobiliza profissionais internacionais e nacionais em torno da didática do ensino bilíngue.

 

Um professor bilíngue bem formado...

 

“A ECJ/Playpen sempre investiu na contratação e formação continuada de todos os seus professores, bilíngues ou não. Com a entrada do grupo Cognita, foi possível ampliar as possibilidades para o desenvolvimento de um currículo que privilegia o saber multicultural”, diz Daniela. Hoje a escola conta com professores do Canadá, Estados Unidos e Bélgica.

 

Todos os professores – do currículo brasileiro e do inglês - da ECJ/Playpen são educadores experientes e aprovados em rigorosa seleção. “Não basta ter um mestrado na área da educação e sabe falar inglês que está apto a dar aula em nossa escola”, diz a diretora. Após uma pré-seleção curricular dos candidatos a docentes bilíngues, é realizada uma entrevista por conference call ou, se necessário, a direção da escola vai até o país do candidato para a entrevista presencial. “É necessário sentir se o profissional tem o perfil de professor que a escola exige. O investimento é caro, pois a escola  viabiliza casa, transporte, o professor tem de vir com visto de trabalho e assina contrato de dois anos”, conta a diretora.

 

E quando chegam ao novo emprego no Brasil, os educadores têm semanalmente algumas horas dedicadas à sua formação. “Temos de revigorar o saber destes profissionais o tempo todo, e com toda a equipe do currículo brasileiro e inglês”, afirma Daniela Leonardi. Ensinar o aluno a falar o segundo idioma não é tarefa das mais difíceis. O desafio é fazê-los aprender a enxergar o mundo através das conexões acadêmicas e linguísticas a que são apresentados diariamente por uma escola bilíngue.

 


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