01/04/2021 às 14h30min - Atualizada em 01/04/2021 às 15h48min

Dia da Literatura Infantil leva a novas reflexões sobre o imaginário das crianças

Para celebrar a data, editora coloca seu catálogo como forma de repensar a literatura infantil para os tempos atuais

SALA DA NOTÍCIA Redação

O mês de abril é tempo para celebrar a imaginação das crianças no Dia Internacional da Literatura Infantil. Mundialmente, a data é comemorada no dia 2 de abril por conta do nascimento de Hans Christian Andersen, o celebrado criador do “O patinho feio” e “A pequena sereia”. Já no Brasil a data é o dia 18 de abril, dia do nascimento de Monteiro Lobato.

Tanto da celebração mundial quanto da nacional, os fins são os mesmos. A ideia é valorizar a influência positiva da literatura infantil na formação das crianças, algo que vai além de permitir aos pequenos conhecer mundos fantásticos onde tudo é possível.

Afinal, a literatura é essencial para o desenvolvimento cognitivo. Ela é parte necessária para uma sólida alfabetização. Também é por conta dela que se pode desenvolver uma imaginação criativa e estimulante. Além disso, permite indicar o que será uma introdução da criança à cidadania e à vivência social.

O Brasil conta com uma profícua variedade de obras, autores e editoras especializados em literatura infantil. Uma delas é a Saíra Editorial.

Uma editora já bem estabelecida nesse mercado, a Saíra tem um catálogo especializado em levar temas relevantes, atuais, para o público infantil.  Como diz em seu próprio site, sua missão é “levar para as mãos – e para os olhos – das crianças e dos jovens livros que lhes permitam abrir novas janelas, para enxergar cada vez mais longe”.

Temas como ecologia, homoafetividade, representatividade e mesmo o carnaval brasileiro são trabalhados no acervo da editora. Além de inovar no tipo das narrativas, a Saíra também aborda temas sensíveis de uma forma compreensível para o imaginário infantil.    

Conhecendo a Saíra

O objetivo é produzir literatura infantil que estimule a autonomia e a liberdade da criança. Não superficialmente, mas de forma que dê vazão ao pensamento crítico, à formação para a vida e à convivência em sociedade.

Portanto, a editora trabalha sempre com o fato de que a infância é uma passagem necessária para a vida adulta. “É preciso falar aos adultos. Mas, antes e primeiramente, é preciso falar aos que ainda serão adultos, enquanto eles ainda não se contaminam pelos preconceitos, pelas amarguras e pelas dificuldades daqueles que já deixaram de ser crianças”, argumenta uma publicação no blog da editora.

Essa percepção coloca que para a Saíra a literatura infantil deve ter como fim a educação. Que as narrativas literárias devem passar experiências e vivências às crianças nesse período primordial da vida.

Logo, o maior desafio da editora é apresentar, de forma delicada e literária, questões que têm ganhado mais proeminência nos tempos atuais. Alguns desses temas inclusive são tabus para muitos pais, e muitos procuram um meio didático para abordá-los.

A Saíra Editorial assume não apenas que as crianças têm inteligência para conhecer esses assuntos. Também parte do princípio de que a introdução desses temas desde cedo é fundamental para aprenderem sobre respeito, diversidade e socialização.

Por meio dessa proposta vem o acolhimento a um time de autores criativos. São escritores desejosos de abordar esses temas sensíveis em suas narrativas. Também possuem a habilidade necessária para escrever para o público infantojuvenil, algo consideravelmente desafiador.

A editora tem, inclusive, atraído alguns nomes famosos para o seu quadro de escritores. É o caso do músico, ator e agitador cultural André Abujamra, que lançou pela editora seu livro “Robô não solta pum”. Também conta com autores experientes como a veterana Monica Stahel, que já publicou pela Saíra “A roupa nova de Doralice” e “Romãozinho, tuiuiú e outros bichos”.

Porém, é o conjunto de autores talentosos e a capacidade de abordar certos conceitos para o público infantil que dão o brilho à Saíra. Inclusive algumas obras recentes da editora têm sido bem-sucedidas na abordagem pretendida.

Apresentando outros arranjos familiares

Um dos temas propostos pelos autores da Saíra para serem narrados para o olhar infantil é o da homoafetividade; em especial, a existência de famílias baseadas em casais homossexuais, algo associado à vida e à formação de algumas crianças. Representando essas famílias, a Saíra lançou dois livros sobre o tema: “Minha família é uma festa”, de Fernando Baptista, e “Mãe não é só uma, eu tenho duas!”, de Nanda Mateus e Raphaela Comisso.

Esses livros levam uma multiplicidade de lições sobre famílias homoafetivas para diversos públicos. Primeiramente, mostram aos filhos de famílias como essas que eles não estão sozinhos. Mas também levam as crianças de famílias heteronormativas, e mesmo seus pais, a perceberem que famílias homoafetivas são suas iguais e também podem garantir um espaço saudável e amoroso para seus filhos.

Quem dá o exemplo é o autor de “Minha família é uma festa”, Fernando Baptista. Além de escritor, ele é sexólogo e terapeuta de casais. Sua preocupação com a história foi exatamente trabalhar os efeitos cognitivos e sociais da representação.

No livro conta-se a história de Pedrinho, um menino de 4 anos adotado pelo casal Bruno e Henrique. A narrativa transcorre em uma festa de criança em que Pedrinho pode apresentar seus pais para seus coleguinhas e para os familiares deles.

“Além de inaugurar o diálogo com a criança, o livro também é um instrumento de intervenção terapêutica para uma boa constituição emocional/psicológica de filhos de casais homoafetivos. Dou cursos sobre sexualidade e muitos profissionais da área de saúde mental se queixam da falta de material para trabalhar essas questões no consultório. Daí surgiu a ideia de documentar a história de Pedrinho”, relata Fernando Baptista. 

Livros como o de Baptista e também o de Nanda Mateus e Raphaela Comisso surgem para reconhecer a importância educativa da representatividade. Uma demanda que a Saíra é uma das poucas editoras a reconhecer.

Ecologia e sociedade

A Saíra Editora também publica obras infantis sobre outros temas de impacto social. Um deles é a ecologia, que se faz cada vez mais relevante em tempos de aquecimento global e demais situações insustentáveis.

Com “Romãozinho, tuiuiú e outros bichos”, Monica Stahel quis ir além e mostrar às crianças que a ecologia é mais do que simplesmente preservar o meio ambiente. Trata-se da busca de um equilíbrio que os seres humanos devem conseguir inclusive para o bem de si mesmos.

“É muito mais do que respeito à diversidade: é uma constatação da importância e da necessidade dela. É uma constatação do equilíbrio que há na natureza e que deve ser preservado: o que dá dor de dente no jacaré é o que alimenta o tuiuiú”, detalha Stahel.

Isso é ilustrativo, por exemplo, na história do Romãozinho, que dá título ao livro. Baseado em uma lenda folclórica do Centro-Oeste, Romãozinho é descrito como uma criança má desde nascença, encontrando prazer em atormentar humanos e animais.

As histórias de Monica relacionam lendas populares com a ciência sobre o meio ambiente. “A ciência mostra que a interferência indiscriminada do ser humano nesses ciclos naturais causa o desequilíbrio, eliminando algumas espécies. Isso ocorre no meio animal, no vegetal e também no humano”, apresenta a autora.

Conversar com o imaginário infantil de forma a apresentar o pensamento ecológico não como um mero desejo de fazer o bem, mas também como uma necessidade ligada diretamente às nossas condições de vida. Essa é a ideia do livro de Stahel publicado pela Saíra.

Redescobrindo o carnaval

Um dos últimos lançamentos da Saíra é o livro “Ô abre alas”, de Duda Oliva. A história é uma adaptação literária da lendária marchinha de Chiquinha Gonzaga, considerada a primeira da história do carnaval brasileiro.

O livro rearranja a lírica da canção de forma a suscitar uma narrativa ilustrada. A ideia é mais do que levar uma redescoberta do clássico de Chiquinha Gonzaga para as novas gerações. Também serve para revalorizar a importância da música popular, como ela inspira os melhores sentimentos, estimula a imaginação e também diverte.

O livro de Duda Oliva tem recebido destaque na imprensa, incluindo publicações como em  “Correio do povo” e “Aventuras da História”. São livros que têm mostrado o potencial da literatura infantil no mercado. Também colocando em evidência o potencial, a liberdade e a abertura da mente das crianças, a Saíra tem investido nos seus talentos.


 
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