04/06/2012 às 22h52min - Atualizada em 04/06/2012 às 22h52min

OS MÉDICOS DE CANGAÍBA

Viver é gostar de gente

Janaína Vieira

Quando o exercício da medicina vai além do cuidado com a saúde física das pessoas e aprofunda sua atuação, levando às comunidades desprovidas de serviços públicos básicos e essenciais, a consciência dos seus direitos e educando-as no sentido de constituírem-se em grupos organizados em busca do que lhes é devido, estará cumprindo plenamente sua função como atividade humana indispensável.

Quando, entretanto, o exercício desta qualidade de medicina se dá em períodos de exceção, como o vivido no País a partir de 1964, passa a se constituir numa atividade de considerável periculosidade para aqueles que nela acreditam.

Nesta perspectiva, o livro “Os Médicos de Cangaíba” não é uma obra técnica sobre a medicina social, mas o registro das aventuras e riscos de um grupo de jovens estudantes de medicina, cujo sonho se tornou num dos mais importantes movimentos de saúde pública da cidade de São Paulo, com repercussão no Estado de São Paulo e outros estados brasileiros, apesar das dificuldades decorrentes do regime de exceção vivido pelo País.

Dez médicos e três estudantes da Escola Paulista de Medicina, hoje homens públicos profissionais de importância, iniciaram em janeiro de 1976 o atendimento voluntário da população, que dura até hoje.

Trinta e sete anos se passaram e a síntese da ação dos médicos de Cangaíba quem a deu foi Dom Angélico Sândalo Bernardino na apresentação da obra:

“ Os médicos do Cangaiba “testemunham pela vida que ‘viver é  gostar de gente’”! Eu os acompanho desde o início desta história contagiante e, a seu respeito,  posso afirmar com Bertold Brecht: “Há homens que lutam um dia e são bons. Há homens que lutam um ano e são melhores. Há homens que lutam muitos anos e são muito bons;  porem, há homens que lutam a vida inteira e estes são os imprescindíveis”. Lá estão eles junto ao templo da paróquia Bom Jesus de Cangaíba, há 37 anos, em vibrante voluntariado, prestando serviços médicos à população carente da periferia.


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