23/10/2020 às 18h09min - Atualizada em 23/10/2020 às 22h22min

Como a China está mudando sua política de importação de carnes?

Incentivo para aumentar os plantéis de criadores de porcos tem como objetivo a quase autossuficiência no consumo interno de carne suína.

SALA DA NOTÍCIA Luís Gustavo

Ao final de setembro, a China anunciou um ambicioso plano para se tornar quase que autossuficiente na produção de carne suína para consumo interno. A intenção do governo chinês é de que, a longo prazo, o país seja menos dependente de comprar carnes de outros países, produzindo quase a totalidade do que se consome em seu próprio território.

O país já é o maior consumidor do tipo de carne no mundo. Com o novo plano do governo, a ideia é de que a redução da dependência da importação de carne suína possa estimular as grandes fazendas presentes no país. Um plano semelhante deve ser aplicado em outros setores, como de carne bovina e laticínios.

Isso faz parte de um processo de reconstrução dessa produção, já que, nos últimos anos, a China sofreu com a crise de disseminação da peste suína africana em seu território. A doença disseminou quase metade dos plantéis de suínos chineses, o que obrigou o país a importar mais carne, elevando o seu preço a um nível recorde.

Medidas para impulsionar o setor

A administração de Xi Jinping, atual presidente chinês, comanda uma campanha para renovar o segmento. A iniciativa procura elevar a segurança e a eficiência da área alimentícia, ampliar o peso do abastecimento doméstico e diminuir o desperdiçamento interno da carne. A China também pretende amplificar as importações de itens seguros de carne para totalizar a produção.

Uma das principais ações tomadas está voltada ao crescimento do plantel médio dos criadores de porcos. Atualmente, a maioria deles engorda menos de 500 animais no ano, sendo considerados criadores de médio porte. O objetivo é que, até 2025, 70% dos criadores sejam de grande escala, número que se espera chegar a 85% em 2030.

Essa expansão já está ocorrendo. Em agosto, foi registrado o sétimo mês de crescimento consecutivo dos plantéis de criação. Outras 11 mil novas fazendas de grande escala se tornaram operacionais, segundo informações do Ministério da Agricultura. Empresas como Hope Liuhe e Wens Foodstuffs já traçaram programas ambiciosos e alinhados.

Autossuficiência em outras áreas

O governo chinês também planeja que a autossuficiência seja alcançada em outros setores, como o de aves e ovos. Uma demanda forte que há no país é a de pés de frangos, considerados uma iguaria. O objetivo traçado é de atender cerca de 85% da demanda de carne bovina e ovina, além de 70% do consumo de lácteos, com a sua produção local.

Uma das medidas que serão aplicadas é modernizar o setor de abate. Há planos para construir unidades modernas, localizadas próximas às fazendas, para que o tempo de deslocamento e as chances de propagar doenças sejam menores. O governo ainda deve fechar as unidades de menor porte, espalhadas no país.

Impacto na relação com o Brasil

Os planos de autossuficiência na produção de carne suína devem afetar as relações comerciais com o Brasil. Hoje, o país é o principal destino das exportações brasileiras de carnes bovina, suína e de frango. O plano chinês também demandará que eles exportem ainda mais soja (ranking que eles lideram) e milho (no qual devem se tornar o nº 1 no mundo).

Num primeiro instante, o anúncio das medidas chinesas pressionou as ações de algumas empresas brasileiras, como os frigoríficos JBS, Minerva e Marfrig. Por outro lado, como o Brasil é o maior exportador de grãos de soja no planeta, ele deve se beneficiar com a maior demanda da China neste aspecto.

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