02/10/2020 às 13h20min - Atualizada em 07/10/2020 às 20h35min

Créditos de carbono: tudo que você precisa saber

O discurso pró-ambiental tem ganhado força nos últimos anos. Anualmente, os cientistas destacam as catástrofes possíveis com o agravamento do aquecimento global. Elas incluem derretimento das calotas polares, aumento do nível do mar, períodos de estiagem mais longos, menor quantidade de chuvas, entre outros.

 

Desse modo, cada vez mais pessoas têm procurado alternativas para adotar um estilo de vida mais sustentável, e isso não se reflete apenas na esfera social e política. Os investidores que passam muito tempo na frente do computador sabem que sua aplicação só terá retorno se for em um negócio que esteja comprometido com esta mudança.

 

Assim, tornou-se muito mais comum que as empresas tomassem medidas para ir em direção a este caminho. A percepção do público, hoje, em relação tanto à sustentabilidade, quanto às práticas que defendem e preservam o meio ambiente, é mais aguçada, sendo mais fácil obter informações sobre a postura das marcas.

 

As grandes corporações já trabalham, há algum tempo, nessa construção de uma imagem sustentável e verde. Uma das medidas que ganhou popularidade foram os chamados créditos de carbono. Não sabe do que se trata? Conheça mais sobre a iniciativa abaixo.


O que é o crédito de carbono?

O conceito de crédito de carbono surgiu no Protocolo de Kyoto, em 1997. Ele tem o objetivo de diminuir a emissão de gases que causam o efeito estufa, como dióxido de carbono e metano. O sistema funciona com base em um mecanismo de flexibilização, que auxilia empresas e países a diminuírem a liberação dessas substâncias.

 

Os créditos de carbono representam a não emissão desses gases na atmosfera. A cada uma tonelada não emitida, a empresa gera um crédito de carbono. Ao fazer isso, ela recebe uma certificação emitida pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

 

Com base nesses créditos, existe um mercado de carbono no mundo todo, que tem regulação própria em cada país. A empresa que gerou o crédito, conquistado ao reduzir a poluição, pode vendê-lo para uma companhia que não conseguiu cumprir a meta.

 

Dessa forma, a empresa que reduziu a poluição ganha um incentivo financeiro para continuar reduzindo suas emissões e preservar o meio ambiente. Ao mesmo tempo, a companhia que não cumpriu a meta fica ciente da necessidade de diminuir suas emissões, para não precisar comprar novamente e ter outra despesa.

 

Entre 2007 e 2018, por exemplo, a Natura compensou 3,6 milhões de toneladas de gases, gerando R$ 1,6 bilhão. O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) acredita que os créditos de carbono da conservação da Floresta Amazônica podem fornecer US$ 10 bilhões ao país.


Vantagens para as empresas

Quem vende créditos de carbono pode colher uma série de benefícios. O primeiro deles é, claro, a redução da emissão de gases poluentes e a preservação do meio ambiente, o que é um ganho para todos. Acompanhado disso, a empresa constrói uma imagem de sustentabilidade para com os seus clientes.

 

O dinheiro recebido pela venda do crédito pode ser utilizado para reinvestir na política ambiental da empresa. Ela pode, por exemplo, adquirir softwares que reduzem o consumo de eletricidade ou procurar maneiras de trocar o uso de energias poluentes por alternativas limpas.

 

Outro bom uso do dinheiro é utilizar o investimento para desenvolver programas que promovam a eficiência energética. Dessa maneira, o mercado de crédito de carbono acaba sendo uma maneira de reduzir a poluição, trocar tecnologias e incentivar toda a comunidade a ser mais sustentável.


Crédito de carbono e digitalização bancária

Um problema enfrentado por este mercado é a dupla-contagem: não há como garantir que o crédito não foi comercializado mais de uma vez. Isso preocupa gigantes do mercado, como a Microsoft e a Nasdaq, que enxergam no blockchain a solução para esta questão.

 

A iniciativa tem como objetivo fazer com que as empresas adotem serviços e produtos, assim como o crédito, com base em tokens digitais. Para isso, é recomendado que as companhias procurem digitalizar os seus negócios e operações, permitindo que esse tipo de transação seja possível.

 

A procura por créditos verificados é o que atrai empresas, como a Microsoft, dispostas a comprá-los para compensar as emissões de gases que elas produzem. Uma modernização desse setor por parte das companhias permitiria que investimentos, como o dessas grandes marcas, fossem possíveis para quem cumprisse a meta.

 
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