22/09/2020 às 18h17min - Atualizada em 23/09/2020 às 10h09min

Edson Hydalgo Junior-O que o Mercado aprendeu com a crise do novo coronavírus?

Apesar do abalo que a pandemia do Covid-19 causou nos mercados ao redor do mundo, ela também deixa alguns aprendizados para o mercado
 
            Desde a crise do Subprime, em 2008, o mercado brasileiro viveu um período de crescimento, anos de bons rendimentos foram acompanhados também por uma sofisticação do mercado de investimentos, com a ascensão de instituições financeiras independentes e o estabelecimento da demanda por juros baixos, responsável por impulsionar a oferta de produtos financeiros estruturados. No entanto, a sociedade internacional foi pega de surpresa e anos de ganhos foram perdidos em questão de dias. As negociações viveram um duro momento de suspensão em que a incerteza permeou todos os setores da economia e as projeções não apresentam otimismo — pelo contrário.
            No entanto, esse momento de interrupção já vai chegando ao fim, com a abertura do comércio na China, as exportações devem voltar aos patamares anteriores à crise e os próximos trimestres já não devem ser tão apertados. Além disso, dependendo da atuação das empresas e também das autoridades, os atritos entre autoridades da Austrália e da China podem servir para setores cruciais da economia brasileira crescerem, como o agronegócio e a mineração, potencializarem seus ganhos e o PIB nacional tem muito a ganhar com a solidificação desse processo.
A reabertura gradual de países da Europa também já estão em curso, favorecendo o comércio, e os pacotes emergenciais dos diversos governos ao redor do mundo devem render bons frutos em breve.
            De acordo com o empresário Edson Hydalgo Júnior, fundador da distribuidora de valores Intrader DTVM, a crise do coronavírus carrega efeitos semelhantes a outras crises do passado. “A incerteza sempre é — e sempre será — parte de um processo das crises com toda a certeza”, revela. Em paralelo, também explica sobre uma particularidade importante do processo vivido atualmente. “A crise de 2008 chegou de maneira devastadora, foi muito mais severa porque ela atacou o mercado financeiro em cheio. A crise do coronavírus acontece de maneira diferente, ela vem acontecendo e não conseguimos enxergar o final dela. Ainda não sabemos como essa história vai terminar”, pontua.
            A crise não deixa apenas a devastação, ela também é motor para o conhecimento e o aprimoramento do trabalho. De acordo com Edson Hydalgo Júnior, o momento em que há a suspensão de negociações não é de todo mal pois permite direcionar o olhar para os processos internos da sua empresa, identificar problemas e processos que podem ser melhor organizados e otimizados para aumentar a eficiência da operação da empresa e o atendimento ao cliente.
Ao mesmo tempo, a crise vem promovendo também outros aprendizados. Forçados ao home office, algumas organizações — como as multinacionais Google e Facebook — já anunciaram que vão manter o trabalho de casa até o fim do ano e talvez até irão ressignificar seus escritórios. O atendimento ao cliente também foi transformado de maneira involuntária, o distanciamento social impôs que as reuniões fossem todas direcionadas ao espaço online e, apesar de profissionais da área lamentarem a ausência de contato pessoal — que faz falta — ele otimiza de maneira muito eficiente alguns processos, evitando deslocamento e permitindo realizar uma reunião importante no conforto de sua casa.
Além disso, os investidores também receberam uma lição do acaso. Como dito no início, anos de ganhos foram perdidos em questão de dias e o abalo no sistema só tem como comparação a crise do subprime, em 2008. De maneira completamente inesperada muitos foram forçados a reorganizar seus investimentos, os que planejavam ganhos a curto prazo foram frustrados pela realidade e quem aposta em uma só ação também viu na diversificação da carteira um caminho para amenizar as perdas.
Edson Hydalgo Júnior acredita que o mercado aprendeu com outras crises do passado e que, apesar dos danos causados pelo momento, o mercado financeiro teve alguns ganhos. “O investidor ficou mais experiente por ter passado pela crise de 2008. O nosso mercado aqui amadureceu um pouco, o número de investidores na bolsa também aumentou, acabou por abranger investidores que não tinham ações e partiram para alocar dinheiro diretamente em ações”, conta.
De acordo com o empresário, analisando as ações que compõem o Índice Ibovespa houve uma queda praticamente geral, algumas mais que outras como o setor de aviação e de turismo, por exemplo, de tal forma que o investidor sem diversificação pode ter sofrido mais.
            São vários os ensinamentos deixados pela crise. No caso do setor de serviços naturalmente vai haver uma revisão do seu planejamento financeiro e também dos espaços físicos. Por mais que crise tenha pegado todo mundo de surpresa, ela revelou a necessidade de cultivar um fluxo de caixa mais potente, uma fragilidade que o setor apresentou durante a crise.
Também fica mais palpável que para diversas atividades, o trabalho presencial não é uma necessidade obrigatória e pode ser repensado, com a possibilidade de realizar reuniões, contratações, treinamentos e — é claro — atender o cliente com primazia. O trabalho presencial perde seu status de intocável, otimizando inclusive o tempo dos funcionários e permitindo a eles uma vivência mais intensa com a sua família — gerando inúmeros benefícios que vão do trabalhador para a empresa.
Edson Hydalgo Júnior avalia que o mercado ainda está se adaptando mas crê em diversos benefícios para as empresas. “É uma organização super bem vinda e pode, inclusive, funcionar melhor, porque tem o potencial de diminuir conversas paralelas no escritório, além de reduzir diversos custos que são inerentes ao espaço que vão desde faxina até equipamento e vale refeição”, comenta.
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